Quase 30% das cobranças emitidas por PMEs não são pagas no prazo, segundo dados do Asaas. Entenda como organizar o caixa e evitar o saldo negativo
Segundo dados do IBGE, quase metade das empresas brasileiras fecha as portas em até três anos, e a falta de gerenciamento financeiro eficiente é o principal motivo apontado. A importância de micro, pequenas e médias empresas para a economia é inegável: elas representam 99% dos negócios formais no país e empregam sete em cada dez brasileiros. Por isso, manter as contas organizadas é vital para o setor crescer de forma sustentável.
Os desafios são muitos e entre eles, os atrasos nos pagamentos, que impactam diretamente no caixa. De acordo com um levantamento interno feito pelo Asaas, plataforma operacional para negócios, 28% das cobranças emitidas por empresas não são pagas dentro do prazo de vencimento, obrigando os empreendedores a revisar constantemente seus orçamentos para manter as contas equilibradas.
O recorte por forma de pagamento expõe outro ponto de atenção, o boleto, amplamente usado no mercado, apresenta o pior índice de adimplência, com taxa de pagamento inferior a 70%. Isso significa que a cada dez boletos gerados, pelo menos três acabam não sendo pagos até a data acordada, pressionando ainda mais o controle financeiro das empresas.
“A maioria dos empresários iniciam seus negócios motivados pela paixão pelo produto ou serviço que oferecem, não pela administração financeira. No entanto, profissionalizar a gestão das contas pode ser o diferencial para a sobrevivência e crescimento dessas empresas” afirma João Vitor Possamai, CFO do Asaas, uma das principais plataformas operacionais de gestão financeira para PMEs.
Para isso, João destaca quatro dicas fundamentais para que pequenos e médios negócios se organizem financeiramente:
1) Mantenha o planejamento orçamentário atualizado
“Um orçamento detalhado é a base de qualquer controle financeiro eficiente”, recomenda Possamai. O gestor deve elaborar um plano envolvendo todas as receitas e despesas previstas para o período, revisando os resultados mês a mês. Isso permite ajustes rápidos caso o faturamento fique abaixo do esperado, com tempo para cortar custos antes que a situação se complique. Uma rotina estruturada facilita a tomada de decisões estratégicas, inclusive para antecipar recursos em períodos de baixa sazonalidade.
O levantamento do Asaas também aponta que cerca de 35% das PMEs ficaram com saldo negativo em algum momento no período de um ano. Esse tipo de situação, além de trazer ansiedade, pode levar à busca de crédito caro ou até mesmo à interrupção de operações. Por isso, o planejamento financeiro contínuo é indispensável para evitar surpresas desagradáveis.
2) Use a tecnologia a seu favor
Ferramentas digitais de gestão financeira, como aplicativos de fluxo de caixa e plataformas de gestão integrada, estão cada vez mais acessíveis. Essas soluções dão ao empreendedor uma visão clara e em tempo real das finanças, permitindo o controle de entradas e saídas, o acompanhamento de recebíveis e até mesmo automatizando cobranças.
“A tecnologia pode economizar muito tempo na rotina operacional, liberando o empresário para focar no que realmente move o negócio. Temos exemplos práticos no Asaas. Antes de usar nossos serviços, um único funcionário gastava cerca de 18 dias por mês com ligações para cobranças dos serviços prestados. Com a adoção de processos digitais, esse tempo foi reduzido a apenas cinco minutos por dia, mostrando como a tecnologia pode otimizar a gestão financeira de forma natural”, afirma Possamai.
3) Negocie prazos e preserve o capital de giro
Uma prática valiosa é negociar prazos maiores com fornecedores. Assim, é possível alongar pagamentos sem comprometer o relacionamento, o que preserva o capital de giro da empresa. “Diferenciar despesas fixas e variáveis e usar prazos a seu favor ajuda a manter as contas em dia, evitando sustos no fluxo de caixa ou a necessidade de recorrer a crédito caro”, alerta o economista.
4) Construa uma reserva financeira
Separar uma parcela do lucro, mensalmente, é decisivo para enfrentar imprevistos e despesas sazonais, como o 13º salário ou férias dos funcionários. O ideal, segundo Possamai, é que a reserva cubra, pelo menos, de três a seis meses de despesas fixas. “Quando a empresa tem essa reserva, consegue atravessar períodos difíceis sem comprometer a operação”, orienta.
Dica extra: invista em conhecimento
O economista lembra, ainda, que a busca por capacitação deve ser constante. Aprender sobre temas como precificação correta, indicadores financeiros e tendências de mercado torna qualquer PME mais competitiva. “O mercado está em constante mudança, e investir em conhecimento é o que possibilita escalar e inovar de forma sustentável,” finaliza o CFO.
Com boas parcerias e planejamento, a gestão financeira pode deixar de ser um desafio e se transformar em uma aliada importante para o sucesso das empresas.
