Com crescimento de até 20% ao ano, jogos em estilo plataforma dominam o ecossistema global de games, aponta Bain

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Foto: <a href="https://unsplash.com/@jezar?utm_source=instant-images&utm_medium=referral" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Jezael Melgoza</a> no <a href="https://unsplash.com" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Unsplash</a>

Pesquisa mostra que setor passa por mudanças profundas e tem foco cada vez maior em conteúdos gerados por usuários

O novo relatório de games da Bain, Breaking Boundaries to Win, destaca que o mercado global de videogames movimentou US$ 219 bilhões no ano passado e deve crescer 4% ao ano até 2028. O estudo indica que esse crescimento está cada vez mais concentrado nos títulos de maior sucesso, muitos deles baseados em conteúdo gerado por usuários (UGC), ecossistemas de propriedade intelectual (PI) multimídia e modelos de distribuição direta ao consumidor (D2C), que contornam as lojas digitais tradicionais.

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De acordo com Luis Diez, sócio da Bain e líder das práticas de Enterprise Technology na América do Sul, o mercado observa uma mudança geracional no significado da interação com games. ”Os jogos mais populares não são apenas entretenimento, são plataformas para criatividade, socialização e narrativa. Jogos em estilo de plataforma – aqueles que oferecem mundos expansivos, recursos de construção de comunidade e ferramentas para criadores – estão registrando crescimento de usuários de 10% a 20% ao ano, atraindo rapidamente jogadores, criadores e marcas para seu ecossistema, tornando-se  o ‘centro de gravidade’”, avalia.

No contraponto, os estúdios AAA – as maiores e mais consolidadas companhias do segmento  – enfrentam custos crescentes de desenvolvimento, margens cada vez menores e competição acirrada. Os desenvolvedores independentes, por sua vez, livres das pesadas estruturas dos concorrentes, registraram entre 2018 e 2024 um crescimento anual composto (CAGR) de 22% nas receitas de jogos para PC – enquanto estúdios AAA e AA atingiram apenas 8%.

Realizada com mais de 5 mil jogadores do Brasil, EUA, Indonésia, Japão, Reino Unido e Emirados Árabes, a pesquisa revela que quase metade dos criadores tem dedicado mais tempo à produção de conteúdo em comparação a 2024. Até mesmo jogadores acima de 35 anos relataram um aumento significativo no tempo gasto criando conteúdo dentro dos jogos. A tendência é ainda mais forte entre jogadores de 2 a 17 anos, que têm 20 pontos percentuais a mais de probabilidade de jogar os mesmos títulos que seus amigos. Valores como personalização, conexão social e criatividade superam a fidelidade gráfica, tornando essa velha fórmula insuficiente para manter a competitividade.

Bain & Company Receita de desenvolvedores independentes cresce mais rápido que de grandes estúdios
Divulgação

De acordo com a Bain, o equilíbrio de forças no mercado de games está se deslocando das lojas digitais para outros canais. Hoje, 24% dos jogadores descobrem novos jogos por meio de criadores de conteúdo ou influenciadores online, 14% por meio de redes sociais e apenas 12% por meio de lojas digitais tradicionais.

Em resposta, desenvolvedores estão criando suas próprias lojas online para manter margens e construir relacionamento direto com o consumidor. A fatia de jogos mobile mais rentáveis que contam com D2C quase quadruplicou nos últimos cinco anos, passando de 12% em 2019 para 44% em 2024, segundo a Bain. As tendências foram aceleradas por decisões judiciais nos EUA, na União Europeia e no Brasil que proíbem as lojas de aplicativos de impedir que desenvolvedores direcionem usuários para links externos de compra.

O estudo ainda mostra que cerca de um quarto do tempo que os jogadores dedicam a outros tipos de mídia é voltado para propriedades intelectuais (PI) relacionadas a games, como séries, músicas e produtos licenciados. Adaptações para cinema e TV bem recebidas pela crítica elevam significativamente o engajamento, aumentando o número médio de usuários simultâneos (ACUs) em até 69% nos títulos correspondentes, aponta o relatório.

As franquias de maior sucesso estão estabelecendo um novo padrão para a indústria ao criar experiências integradas em múltiplas plataformas, explorando o potencial do licenciamento e fomentando comunidades de criadores. Já a velha fórmula de prometer continuações e gráficos melhores não é suficiente para se manter competitivo. Desse modo, os estúdios que abraçarem esse papel mais amplo têm mais chances de liderar a próxima era dos games. “A reinvenção não é opcional – é o único caminho para a relevância sustentável em uma indústria que está sendo reescrita de ponta a ponta”, afirma Diez.

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