Acrisure reforça expansão no Brasil com chegada do resseguro, investimento em tecnologia de modelagem e uma estratégia de parcerias para ampliar a oferta de coberturas e fortalecer a gestão de riscos corporativos
Em coletiva de imprensa realizada na manhã desta quarta-feira, 4 de fevereiro, em São Paulo, executivos da Acrisure detalharam um pacote de iniciativas que marca uma nova fase da companhia no país: reforço do gerenciamento de riscos com tecnologia importada da operação internacional, ampliação do time técnico e comercial, expansão geográfica e a chegada oficial do braço de resseguros, a Acrisure Re.
A mensagem central, repetida por diferentes porta-vozes ao longo do encontro, foi a de combinar capacidade global e execução local, sem abrir mão do “toque” do relacionamento. “A gente está encorpando bastante a área de gerenciamento de risco, trazendo muita tecnologia lá de fora no que diz respeito à modelagem, à prevenção, ao correto gerenciamento”, afirmou Karina Andrade, VP de Riscos Corporativos.
Diretora de Resseguros, Isabella Ximenez considera que a entrada do resseguro tende a “gerar muito valor” ao ampliar alternativas de colocação, ampliar acesso a produtos e coberturas e, em determinadas estruturas, buscar condições mais competitivas. “O mais importante é que a gente não perde a nossa essência: proximidade com o cliente”, reforçou.
Tecnologia, especialidades e presença regional no radar de 2026
Thomaz Menezes, CEO da Acrisure Brasil e Head Latam, contextualizou o movimento como resposta a um cenário de múltiplos riscos (de tensões geopolíticas a eventos climáticos) e defendeu que empresas precisam de apoio mais próximo e mais técnico para lidar com pessoas e patrimônio. Para ele, o desafio (e a oportunidade) do setor é “ajudar clientes a gerirem os riscos inerentes às suas operações” com mais dados, mais ferramentas e mais capacidade.
Na prática, a estratégia apresentada passa por acelerar as especialidades da empresa no país, como em Power & Energy, com ênfase no Nordeste, região apontada como protagonista da transição energética; Transporte e logística, combinando leitura de risco e inteligência operacional; Garantia, com destaque para uma plataforma que promete reduzir tempo de emissão e dar visibilidade de carteira; e o Agronegócio, em uma abordagem que vai além do seguro rural, contemplando múltiplas necessidades de cobertura do ecossistema agro. Além disso, o foco da Acrisure se dá em outros segmentos como Patrimonial (P&C), Crédito, D&O, Frota, Cyber e Afinidades.
Plataforma de garantia e BI: velocidade, gestão e visão preditiva
Um dos pontos que mais chamou atenção na apresentação de riscos corporativos foi o recorte em garantia. Karina afirmou que, na rotina operacional, a plataforma permite a emissão de minutas em poucos minutos e que o cliente consegue também fazer a gestão do portfólio dentro do sistema, não apenas de garantia, mas de outros seguros.
Na conversa, executivos mencionaram integração via API com seguradoras e volumes mensais relevantes de apólices emitidas. A proposta, segundo a empresa, é reduzir fricção operacional, aumentar controle e acelerar a tomada de decisão, especialmente em demandas recorrentes de grandes tomadores.
Outro destaque foi a construção de BIs (Business Intelligence) voltados a transporte e sinistros, com promessa de “visão holística” da operação: retrovisor (histórico) e preditivo (o que pode ser evitado). O exemplo citado foi o agronegócio, onde produtores e indústrias operam com múltiplos transportadores e rotas, além da leitura de performance, frequência de acidentes e horários críticos pode influenciar práticas de prevenção e gestão.
Acrisure Re aposta em transparência e capacidade global
A apresentação sobre resseguros trouxe o recado de que a Acrisure quer disputar espaço com uma proposta de transparência, especialmente em grandes contas, onde a colocação de resseguro costuma ser percebida como “caixa-preta”. A estratégia, segundo Isabella Ximenez, é integrar o front “client facing” no Brasil com o acesso à capacidade e expertise internacional, incluindo estrutura operacional em Londres.
Entre os pontos destacados na apresentação, estão:
-
início com foco em facultativo, com expectativa de avanço natural para contratos conforme a demanda;
-
atuação com analíticos, engenharia de risco e cat modeling, trazendo avaliações para definir franquias/limites mais adequados;
-
prioridade para nichos onde a operação global já teria repertório: energia renovável, agro e logística;
-
leitura de mercado que busca aproveitar ciclos de soft market não apenas para reduzir prêmio, mas para melhorar qualidade de cobertura e termos.
Contudo, também foi mencionada a ampliação do leque de mercados e o diálogo com múltiplas geografias, respeitando limitações regulatórias locais e reforçando que a proposta é combinar conhecimento local com acesso global.
Canal Brokers: parceria “com cara de longo prazo” e meta de crescer 20%
A diretora do Canal Brokers, Patrícia Martins, detalhou a estratégia para fortalecer parcerias com corretores por meio de um modelo estruturado em três pilares: reconhecimento, performance e competitividade.
Segundo ela, a área é exclusiva para atendimento de demandas originadas por parceiros, com um time que cresceu desde a criação e com proposta de apoiar o corretor em etapas como coleta de informações, apresentação ao cliente final e coordenação de risco em modelos de co-corretagem. Um ponto enfatizado foi a preservação da marca do corretor parceiro e a existência de contratos claros sobre relacionamento e propriedade do cliente, reduzindo receios típicos do mercado.
A executiva informou que o canal conta hoje com cerca de 80 parceiros e que o desafio para 2026 é avançar aproximadamente 20%, com foco em bons parceiros, mantendo uma lógica de qualidade e longevidade (não volume por volume).
Ainda no tema de relacionamento, foi citado o retrofit do prédio onde a empresa está instalada há mais de uma década e a previsão de criação de um espaço dedicado para corretores parceiros, com estrutura de apoio (salas, estúdio/podcast, auditório), com intenção de inauguração no segundo semestre.
Risco climático, “low-cat” e demanda por alternativas
Em diferentes momentos do encontro, executivos relacionaram o debate de risco ao avanço de eventos climáticos e à necessidade de amadurecimento cultural do mercado, especialmente no que diz respeito a limites, sublimites e aceitação de pagar mais por coberturas adicionais.
Também houve comentários sobre a busca do mercado por mais players e alternativas na distribuição e no resseguro, com uma avaliação de que a competição saudável tende a elevar exigência por informação, atuação ativa e qualidade de colocação.
