Manter o cartão de vacinas atualizado é fundamental para evitar infecções graves
Na volta às aulas, conferir a carteira de vacinação das crianças deve ser uma prioridade para pais e responsáveis. Esse cuidado ganha ainda mais relevância após o alerta emitido nesta semana pela Global Virus Network (GVN) (rede internacional formada por virologistas de mais de 90 centros de pesquisa em mais de 40 países) que manifestou “profunda preocupação com o ressurgimento contínuo do sarampo nos Estados Unidos e em todo o mundo”.
O comunicado foi divulgado em meio ao pior surto da doença nos Estados Unidos em mais de 30 anos. Apenas em 2025, o país registrou mais de 2.242 casos em 45 estados, com hos-pitalizações, inclusive entre crianças pequenas, e mortes confirmadas, reacendendo o de-bate sobre os impactos da queda na cobertura vacinal. No Brasil, no ano passado, foram confirmados 38 casos de sarampo, distribuídos no Distrito Federal (n=1), Rio de Janeiro (n=2), São Paulo (n=2), Rio Grande do Sul (n=1), Tocantins (n=25), Maranhão (1) e Mato Grosso (6).
“A imunização é feita com a vacina tríplice viral, que também protege contra caxumba e rubéola e integra o calendário vacinal infantil”, explica a dra. Maria Isabel de Moraes-Pinto, coordenadora em vacinas da Dasa, líder em medicina diagnóstica no Brasil. Para o dr. Guenael Freire, infectologista do São Marcos Saúde e Medicina Diagnóstica, de Minas Gerais, esse cenário evidencia a importância de revisar o cartão vacinal antes do início do ano letivo. “A vacinação é a principal barreira contra doenças infecciosas preveníveis. Quando observamos coberturas abaixo do ideal, como ocorre atualmente com o sarampo, o risco de reintrodução da doença aumenta, especialmente em ambientes escolares. Conferir a carteirinha antes da volta às aulas é uma medida indispensável de proteção”, explica o infectologista.
“O contato próximo e contínuo entre crianças e adolescentes favorece a disseminação de vírus e bactérias quando há falhas na imunização. Por isso, a vacinação em dia funciona como uma proteção não apenas individual, mas coletiva, reduzindo a chance de surtos e de transmissão dessas doenças”, completa dr. Guenael.
Além do sarampo, o calendário infantil e do adolescente inclui imunizações contra poliomielite, difteria, tétano, coqueluche, hepatite B, meningite, varicela e HPV, que também devem estar em dia na volta às aulas. “Esses imunizantes são ofertados gratuitamente pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) e também estão na rede privada, conforme a faixa etária e a indicação médica”, pontua dra. Maria Isabel.
Manter o cartão de vacinas atualizado protege toda a comunidade escolar, incluindo idosos e pessoas com imunidade comprometida, e reforça a importância de pais e responsáveis conferirem regularmente a caderneta e atualizarem eventuais doses em atraso.
