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Análise de crédito: Como avaliar clientes com poucas informações financeiras

Predição na logística gera economia à indústria/ Foto: Freepik
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No último dia 19 de fevereiro, a Coface promoveu o webinar “Análise de Crédito Além do Balanço: Como Avaliar Clientes com Poucas Informações Financeiras”. O evento contou com a participação de Patrícia Krause, Economista da Coface para a América Latina, e Ruy Lino, Enhanced Information Manager da companhia, que trouxeram insights sobre o cenário macroeconômico global e as melhores práticas na análise de crédito.

Cenário macroeconômico global

Patrícia Krause abriu o evento com uma análise do contexto econômico global para 2025. Segundo a economista, a previsão de crescimento mundial é de 2,7%, um nível semelhante ao registrado em 2024, mas abaixo do potencial de 3% esperado para a economia global.

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Dentre os principais mercados analisados, os Estados Unidos demonstram resiliência econômica, mas com previsão de desaceleração do crescimento de 2,7% para 2,2%. A incerteza política, incluindo possíveis mudanças fiscais e tarifárias, adiciona complexidade ao cenário. Na China, a expectativa é de uma nova desaceleração, com crescimento projetado em 4,3%, influenciado por desafios no setor imobiliário e transição para um modelo econômico mais sustentável. Na Europa, a recuperação econômica é desigual entre os países, com a Alemanha apresentando crescimento modesto de 0,2% e desafios persistentes na indústria manufatureira.

Na América Latina, a projeção de crescimento para 2025 é de 2,2%. O Brasil enfrenta uma desaceleração econômica, saindo de um crescimento de 3,5% para 2%, impactado pelo aperto monetário e incertezas fiscais. A Argentina, após anos de recessão, deve crescer 4,6% impulsionada por melhorias macroeconômicas e queda da inflação. Já o Chile e o Peru são diretamente afetados pela desaceleração chinesa, devido à dependência da exportação de cobre.

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Insolvências e impacto na análise de crédito

A economista destacou que as taxas de insolvência globais seguem elevadas, especialmente em regiões como Reino Unido, França e Alemanha. No Brasil, os pedidos de recuperação judicial aumentaram 62% em 2024 em relação ao ano anterior, afetando empresas de diversos setores e portes.

Com esse cenário desafiador, a análise de crédito sem balanço se torna essencial para empresas que precisam avaliar riscos e mitigar exposição a inadimplência.

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Como avaliar clientes sem informações financeiras?

Ruy Lino abordou os desafios da análise de crédito para empresas que não disponibilizam balanços financeiros, uma realidade comum no mercado. Segundo ele, a solução está na obtenção de dados alternativos e no uso de ferramentas especializadas.

Os principais fatores a serem observados incluem:

  1. Dados cadastrais e estrutura da empresa: Verificação da razão social, regime de atuação e tempo de mercado. Empresas com histórico sólido tendem a apresentar menor risco.
  2. Capital social: O valor do capital social indica o grau de comprometimento dos sócios com o negócio. Empresas com capital social elevado tendem a ser mais robustas.
  3. Participação societária e grupo econômico: Identificar se os sócios possuem outros negócios e analisar possíveis conexões entre empresas.
  4. Histórico de pagamentos: Consultas a bancos de dados e provedores de informação podem indicar a pontualidade da empresa em relação aos seus compromissos financeiros.
  5. Gastos e fornecedores: Empresas muito dependentes de poucos fornecedores podem estar mais vulneráveis a crises de suprimentos.
  6. Compliance e reputação: Verificação de débitos fiscais, trabalhistas e histórico de fraudes.

Lino ressaltou a importância de um bom provedor de informação para reunir esses dados de forma consolidada e agilizar o processo de análise. Ele também destacou a classificação interna da Coface, conhecida como “Debt Risk Assessment” (DRA), que avalia o risco de crédito de empresas com notas de 0 a 10, permitindo uma tomada de decisão mais segura.

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