Ao discursar no Parlatório, Lula pede união nacional e defende a redução da desigualdade

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Lula discursa no Parlatório do Planalto
Lula discursa no Parlatório do Planalto, diante da Praça dos Três Poderes

Ao discursar no Parlatório do Palácio do Planalto, diante do público que lotava a Praça dos Três Poderes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pregou a união nacional e defendeu a redução da desigualdade social no Brasil.

"Nesses últimos anos, vivemos, sem dúvida, um dos piores períodos da nossa história. Uma era de sombras, de incertezas e de muito sofrimento. Mas esse pesadelo chegou ao fim pelo voto soberano, na eleição mais importante desde a redemocratização do País. Uma eleição que demonstrou o compromisso do povo brasileiro com a democracia e suas instituições. Essa extraordinária vitória da democracia nos obriga a olhar para a frente e a esquecer nossas diferenças, que são muito menores que aquilo que nos une para sempre: o amor pelo Brasil e a fé inquebrantável em nosso povo. Agora, é hora de reacendermos a chama da esperança, da solidariedade e do amor ao próximo", disse o presidente.

Faixa presidencial
O discurso foi feito depois que Lula subiu a rampa com oito representantes da população, que repassaram a ele a faixa presidencial, entre eles o cacique Raoni. Tradicionalmente, a faixa deveria ser repassada pelo antecessor, mas Jair Bolsonaro viajou para os Estados Unidos no dia 30 de dezembro.

A faixa foi repassada de mão em mão até que a catadora Aline Sousa a colocou em Lula. Também subiu a rampa a cadela Resistência, que acompanhou a prisão do presidente em Curitiba, na vigília que ficava ao lado da Polícia Federal e mais tarde foi adotada pelo presidente.

Em seu discurso, Lula agradeceu os que vieram de longe para a festa da posse, mas disse que vai governar para todos: “Quero me dirigir também aos que optaram por outros candidatos. Vou governar para 215 milhões de brasileiros e brasileiras e não apenas para quem votou em mim. A ninguém interessa um país em permanente pé de guerra ou uma família vivendo em desarmonia. É hora de reatarmos os laços com amigos e familiares, rompidos pelo discurso de ódio e pela disseminação de tantas mentiras”.

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Lula acompanhado dos cidadãos que os acompanharam na subida à rampa
Lula saúda o público no alto da rampa, depois de receber a faixa de cidadãos

Para Lula, é preciso que haja união de todos para enfrentar o principal problema brasileiro: a desigualdade. E lembrou que 5% dos brasileiros mais ricos têm a mesma renda dos outros 95%. E se emocionou ao falar das pessoas que ficam pedindo dinheiro nos semáforos: “E não adianta subir o vidro do automóvel de luxo para não ver nossos irmãos que se amontoam debaixo dos viadutos, carentes de tudo. A realidade salta aos olhos em cada esquina.”

O presidente explicou que a desigualdade é também de raça e gênero e citou a criação dos ministérios da igualdade racial, da mulher e dos povos indígenas.

Lula classificou o governo Bolsonaro de “governo da destruição nacional” e citou vários problemas encontrados pela equipe de transição. Neste momento, a população interrompeu o presidente e gritou várias vezes a expressão: “Sem anistia”.

Por fim, Lula pediu apoio aos populares para os próximos passos do governo: “Que a alegria de hoje seja a matéria-prima da luta de amanhã e de todos os dias que virão. Que a esperança de hoje fermente o pão que será repartido entre todos. E que estejamos sempre prontos a reagir em paz e em ordem a quaisquer ataques extremistas que queiram sabotar e destruir nossa democracia”

Para ouvir o presidente Lula na Praça dos Três Poderes, as pessoas tiveram que chegar bem cedo por causa do limite de espaço e o sol, que estava sumido da capital há vários dias, apareceu com força.

Artigo Original: Agência Câmara Notícias

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