APet Saúde projeta salto do plano de saúde pet, diz CEO Luiz Gênova

Luiz Gênova, CEO - APet Saúde / Foto: Universo do Seguro Luiz Gênova, CEO - APet Saúde / Foto: Universo do Seguro
Luiz Gênova, CEO - APet Saúde / Foto: Universo do Seguro

O Podcast Universo do Seguro recebeu Luiz Gênova, CEO da APet Saúde, para um episódio dedicado ao avanço do plano de saúde pet no Brasil, um mercado que, segundo ele, já se apoia em uma mudança cultural profunda: “20 anos atrás, o pet comia resto de comida e dormia fora de casa. Hoje ele dorme na sua cama e come a melhor ração que possa imaginar”.

Na entrevista conduzida pelo jornalista William Anthony, Gênova também apontou a dimensão dessa transformação ao citar que “60% dos lares brasileiros hoje têm um ou mais pets” e que “tem alguns estudos que falam que hoje tem mais pets do que crianças”.

Publicidade

Um mercado de R$ 80 bilhões e apenas 1% de penetração em planos

Ao contextualizar o cenário, o executivo afirmou que os planos de saúde pet hoje estão concentrados em cães e gatos, universo que ele estima em 100 milhões de animais (65 milhões de cães e 35 milhões de gatos). No recorte econômico, Gênova disse que o mercado pet deve faturar entre R$ 78 bilhões e R$ 80 bilhões, ainda muito concentrado em alimentação e serviços.

Dentro desse total, o plano de saúde pet ainda seria uma fatia pequena: “o plano de saúde pet hoje representa 1% do mercado potencial… Estamos falando de 1 milhão de pets cobertos hoje”. A aposta, no entanto, é de forte aceleração: “a nossa estimativa é que a gente chegue em 5 milhões em 3 anos, podendo chegar a 20 milhões de pets em 10 anos”.

Associação e preparação para a pauta da regulamentação

Gênova afirmou que, além de CEO da APet Saúde, é vice-presidente da Associação Brasileira de Planos de Saúde PET, criada para dar voz ao setor, construir “um código de ética” e preparar o mercado para o debate regulatório.

Na visão do executivo, o ponto central é tirar a discussão do “debate em blocos” e levar para uma mesa com todos os stakeholders. “Não pode ter o viés de um setor… Não pode ser uma autorregulamentação da própria associação”, disse, defendendo um texto que traga “segurança jurídica, segurança contratual” e capacidade de fiscalização sobre novas empresas.

Ele ainda afirmou que, para o setor, “a Superintendência de Seguros Privados (Susep) não deve ser o regulador de plano de saúde pet” e que uma regra deve surgir “de um projeto no Congresso”, com retomada do tema “a partir de 2027”, já que 2026 seria ano eleitoral.

Consolidação no horizonte: “há mais de 25” empresas no país

O crescimento do segmento, segundo Gênova, tem atraído novos entrantes. “Acho que há mais de 25 [empresas] no Brasil”, afirmou, ao defender que o mercado deve passar por um ciclo de consolidação, separando players com “capacidade financeira” e “capacidade técnica” daqueles que, na visão dele, “estão só pegando essa oportunidade”.

Teleconsulta 24/7 e reembolso: os diferenciais da operação

Ao explicar o desenho de produto, o CEO destacou o peso da telemedicina na jornada do tutor. “A teleconsulta hoje representa 25% dos meus atendimentos” e “a gente resolve 80% dos problemas na teleconsulta”, afirmou, citando a conveniência do atendimento 24/7 e a triagem para casos que exigem clínica física.

Gênova também detalhou um modelo “híbrido” para a rede: a APet Saúde teria cerca de 1.200 clínicas credenciadas no Brasil, mas com forte ênfase em livre escolha. “Hoje, 75% dos nossos atendimentos são através da livre escolha. A pessoa leva onde quiser e depois pede o reembolso”, disse.

Quanto custa um plano de saúde pet

Ao dimensionar o investimento, o executivo afirmou que a companhia trabalha com opções “que cabem no bolso”, com mensalidades de R$ 24,90 em um plano básico até R$ 235 em um plano mais robusto, com limites maiores e coberturas ampliadas.

Para ele, a lógica é de previsibilidade financeira: “o plano de saúde nada mais é do que você pensar na sua previsibilidade financeira… Você paga um valor mensal que cabe no seu bolso e não tem surpresas de uma hora para a outra”.

Tecnologia, jornada “sem atrito” e o alerta sobre verticalização

O CEO da APet Saúde apontou que o comportamento do consumidor tem exigido jornadas cada vez mais rápidas e digitais. Ele disse que a empresa reduziu passos de contratação: “três anos atrás, a nossa jornada de contratação tinha oito passos. Hoje tem três”, e que existe uma meta interna de “jornada 100% sem atrito”.

No panorama setorial, Gênova citou como tendência a migração para prevenção e serviços atrelados, mas alertou para riscos da verticalização por grandes players: na leitura dele, a verticalização pode reduzir democratização de acesso e aumentar glosas, dependendo da estratégia.

ESG, apoio a ONGs e iniciativas sociais

Na reta final da entrevista, Gênova citou ações ligadas a sustentabilidade e iniciativas sociais, incluindo apoio a ONGs em resgates e projetos com cães de assistência, além da intenção de publicar um relatório de sustentabilidade.

Inscreva-se para receber as notícias do mercado!

Ao clicar no botão Assinar, você confirma que leu e concorda com nossa Política de Privacidade e nossos Termos de Uso.
MAWDY
Publicidade