Evento abordou avanços regulatórios, interoperabilidade e os impactos da duplicata escritural para empresas e financiadores
A B3, bolsa do Brasil, e a V360, empresa de tecnologia especializada em automação de contas a pagar, promoveram um evento para discutir a evolução das duplicatas no país e os impactos da adoção do modelo escritural, que deve transformar a gestão e liquidação de grandes volumes de títulos por empresas e financiadores.
Durante o encontro, também foi destacada a relação entre o desenvolvimento da economia brasileira e o mercado de crédito, apontado como um dos principais motores da expansão produtiva, da inovação, da geração de empregos e da estabilidade macroeconômica.
Em um cenário de maior risco, muitas empresas ainda enfrentam dificuldades para acessar crédito. A ausência de garantias ou lastros confiáveis eleva o risco percebido pelos financiadores e, consequentemente, o custo do capital, um desafio que afeta principalmente micro, pequenas e médias empresas, que frequentemente não dispõem de garantias reais.
Nesse contexto, a duplicata escritural se consolida como um instrumento-chave para ampliar a rastreabilidade e a segurança nas operações com recebíveis. Ao estruturar o registro e a circulação dos títulos, o modelo aumenta a transparência, reduz disputas sobre titularidade e traz mais previsibilidade às transações. Com a mitigação de riscos e o fortalecimento das garantias, a tendência é de redução no custo do crédito, ampliação do acesso ao financiamento e estímulo ao crescimento sustentável das empresas brasileiras.
“O potencial das duplicatas escriturais é expressivo. Estima-se que o volume total de duplicatas emitidas no Brasil alcance cerca de R$ 10 trilhões por ano. No entanto, apenas 10% a 15% desse montante é utilizado em operações de recebíveis como alternativa de financiamento de capital de giro. Um dos principais gargalos é justamente a falta de mecanismos que ofereçam segurança suficiente para que os financiadores ampliem a oferta de crédito”, comenta Roberta Fortunado, superintendente de duplicata escritural da B3.
A B3 é líder no registro de duplicata mercantil e atuará como escrituradora e registradora para duplicata escritural com benefícios como solidez operacional, atendimento facilitado, suporte técnico dedicado, conexão direta com ERPs ou plataformas, governança de dados com rastreabilidade, entre outras funcionalidades.
Atualmente, as empresas que atuarão como escrituradoras estão em fase de realização de testes integrados, que deve ser finalizada no início de abril. Em seguida, terá início a fase de operação assistida, para finalmente passar para a obrigatoriedade, o que deve acontecer em 2027.
Para apoiar as empresas nesse processo de adaptação, a V360 desenvolveu o Gerenciador de Duplicatas, solução que permite acompanhar em tempo real todo o ciclo dos títulos, da emissão à liquidação,com integração às registradoras homologadas pelo Banco Central, como a B3.
Voltado principalmente para empresas compradoras, o módulo ajuda a estruturar o controle e a validação de grandes volumes de duplicatas, atacando um dos principais gargalos operacionais na gestão de pagamentos.Segundo Izaias Miguel, Co-CEO da V360, a mudança traz impactos relevantes na operação financeira e exige preparação antecipada.
“Com a evolução regulatória e a digitalização das duplicatas, as empresas passam a lidar com uma operação muito mais sensível, com impacto direto em fluxo de caixa, pagamento de tributos e validação de títulos. Sem controle adequado, há risco de pagamentos incorretos, seja de valores, tributos ou até do próprio recebedor, o que aumenta a exposição operacional.O cenário exige mais integração e preparo, já que muitas empresas ainda não estão prontas. Mais do que atender à regulação, será necessário revisar processos e adotar soluções com maior visibilidade e segurança, tendência que se intensifica com a implementação do split payment.”
Com a integração entre a V360 e a B3, empresas e financiadores passam a contar com processos mais ágeis, integrados e seguros, reduzindo riscos operacionais e aumentando a eficiência na gestão dos recebíveis.
A iniciativa reforça o compromisso das duas instituições com a modernização do mercado financeiro brasileiro, trazendo mais transparência, controle operacional e segurança para a gestão de recebíveis.


