O Bitcoin voltou a negociar na região de US$ 68 mil nos últimos dias, em um movimento de recuperação após uma semana marcada por oscilações fortes e mudanças rápidas de humor do mercado. A criptomoeda chegou a cair abaixo de US$ 63 mil em meio a um ambiente de maior aversão a risco, mas voltou a ganhar tração e chegou a flertar com US$ 70 mil antes de perder parte do fôlego e retornar para a faixa dos US$ 67 mil a US$ 68 mil.
A leitura da Coinbase é que o atual comportamento de preços reforça uma mudança estrutural na forma como os investidores enxergam os ativos digitais. Diretor regional para as Américas da companhia, Fábio Plein afirmou que “a correlação que vemos hoje entre os ativos digitais e os gigantes da tecnologia reforça que as criptomoedas não são mais um mercado de nicho, mas uma peça central do ecossistema financeiro global focado na inovação”. Para ele, apesar de o Bitcoin permanecer abaixo das máximas históricas de 2025 e do cenário macro ainda impor cautela, o mercado estaria “deixando para trás a volatilidade baseada exclusivamente na especulação” e entrando “em uma fase madura de crescimento fundamentada na utilidade”.
Distância do pico de 2025 ainda pauta o sentimento
A referência às máximas de 2025 não é trivial. Em outubro do ano passado, o Bitcoin renovou recordes e chegou a superar a marca de US$ 125 mil em meio ao forte ciclo de valorização do mercado cripto, um patamar que se tornou régua psicológica para investidores ao longo da correção seguinte. Desde então, o ativo passou a alternar períodos de recuperação com quedas mais abruptas, refletindo a sensibilidade do mercado a expectativas de juros, liquidez global e eventos macro que afetam ativos considerados de maior risco.
Esse pano de fundo ajuda a explicar por que o “retorno” à faixa de US$ 68 mil vem acompanhado de cautela. Em momentos recentes, notícias e movimentos de mercado ligados a tarifas e ruídos geopolíticos voltaram a pressionar o apetite por risco, com impacto direto sobre criptomoedas, ações de tecnologia e papéis associados ao ecossistema cripto.
Tecnologia, Nasdaq e o efeito Nvidia no curto prazo
A correlação destacada por Plein também aparece, na prática, na forma como o Bitcoin tem reagido a eventos do setor de tecnologia. Nos últimos pregões, a criptomoeda oscilou junto com o movimento das ações tech e do Nasdaq, em especial em sessões influenciadas por resultados e expectativas para empresas de inteligência artificial. Barron’s e CoinDesk registraram que a dinâmica recente do Bitcoin foi afetada por esse “humor” do mercado de tecnologia, incluindo reações após divulgações relacionadas à Nvidia e ao desempenho do Nasdaq.
Para analistas, essa “beta de tecnologia” ajuda a sustentar altas quando o mercado volta a buscar ativos de inovação, mas também amplia o risco de quedas rápidas quando o fluxo vira, já que criptomoedas e tech costumam disputar o mesmo capital em ciclos de maior ou menor liquidez.
ETFs voltam ao radar e alimentam a narrativa de retomada
Outro componente citado com frequência no noticiário recente é o comportamento dos ETFs spot de Bitcoin nos Estados Unidos. Relatos de retomada de entradas líquidas após semanas de saídas reforçaram a percepção de que parte do interesse institucional voltou a aparecer justamente no momento em que o preço tentou se estabilizar acima de US$ 68 mil. Ainda assim, o mercado segue descrevendo o movimento como recuperação dentro de um ambiente volátil, com o preço alternando avanços e devoluções em janelas curtas.
