Brasil entra em nova temporada de extremos climáticos e acende alerta sobre riscos ao patrimônio empresarial

Mudanças climáticas têm forte impacto no setor de energia/ Foto: Pixabay Mudanças climáticas têm forte impacto no setor de energia/ Foto: Pixabay
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Diante da escalada de vendavais, enchentes e ondas de calor, a corretora      Howden Re recomenda que as empresas revisem seus seguros e planos de contingência

Frente a uma tendência já observada em diversas regiões do país — com destaque recente para São Paulo, no Sudeste —, o período que marca o fim do inverno e o início da primavera tem mostrado aumento expressivo no risco de temporais, ondas de calor, enchentes e vendavais. De acordo com previsões meteorológicas, o cenário climático será marcado por instabilidade, especialmente nas capitais e áreas urbanas mais densas. Diante deste cenário, a Howden Re, braço de resseguros da Howden Brasil, corretora especializada em seguros de alta complexidade, alerta que empresas devem adotar uma nova postura frente aos riscos climáticos, reforçando a necessidade de medidas preventivas e coberturas adequadas.

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Em 2023, um levantamento encomendado pela corretora à Universidade de Cambridge (Reino Unido) e apresentado na COP 28, em Dubai, revelou que seguros contra Riscos e Danos Climáticos podem ser multiplicados em até 75 vezes ao proteger o PIB em pequenos estados insulares e países vulneráveis.

“As perdas materiais e operacionais estão deixando de ser eventos esporádicos. Hoje, os impactos dos extremos climáticos se tornaram parte do cenário de risco das organizações. Não é mais possível ignorá-los”, afirma Antônio Jorge Rodrigues, head de Resseguros de contratos da Howden Re.

Os prejuízos, explica o especialista, variam conforme o setor e a localização, mas abrangem desde danos físicos — como destelhamentos, alagamentos e perdas de estoque — até interrupções operacionais provocadas por falhas no fornecimento de energia e paralisações logísticas. Além disso, a instabilidade afeta o custo e a disponibilidade da energia, impactando fontes hidroelétricas, solares e eólicas. No ambiente de trabalho, ondas de calor e frio representam riscos à saúde dos colaboradores. No setor agrícola, as alterações no regime de chuvas comprometem a produção, colheita e escoamento.

Para Rodrigues, o seguro é peça fundamental na mitigação desses riscos, mas deve estar alinhado a ações preventivas eficazes. Entre as principais recomendações da Howden Re Brasil, destacam-se:

  1. Revisão e atualização de apólices de seguro: considerar coberturas específicas contra desastres naturais, seguros paramétricos e ajustes conforme o novo perfil de risco.
  2. Planos de contingência e continuidade de negócios: estruturação de respostas rápidas a eventos extremos, com redundância de sistemas e rotinas de emergência.
  3. Investimento em infraestrutura resiliente: reforço de áreas vulneráveis, sistemas de drenagem eficientes e proteção de ativos críticos.
  4. Monitoramento climático com tecnologia: uso de imagens de satélite, modelos preditivos e IA para antecipar riscos e ajustar estratégias.
  5. Cultura interna de prevenção: treinamentos periódicos, simulações de crise e definição clara de responsabilidades.

Impacto no mercado de seguros

Segundo a Howden Brasil, o aumento da frequência e da severidade dos desastres naturais no Brasil está mudando o comportamento do mercado de seguros. A taxa de sinistralidade cresce e o “período de recorrência” (intervalo médio entre eventos extremos) está encurtando, o que pressiona as condições de renovação das apólices.

“A tecnologia tem sido aliada crucial nesse processo. Com o avanço de imagens de satélite e modelos computacionais acessíveis, conseguimos fornecer diagnósticos mais precisos e soluções personalizadas aos clientes, incluindo o uso de inteligência artificial. Essa nova temporada de eventos extremos demanda das empresas brasileiras uma postura proativa na gestão de riscos. Prevenir perdas, proteger pessoas e garantir a continuidade dos negócios deixou de ser uma escolha para se tornar uma prioridade estratégica”, conclui Antônio Jorge Rodrigues.

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