Câncer de próstata: vigilância ativa é uma opção sem efeitos colaterais para pacientes com tumores de baixo risco

Câncer de próstata: vigilância ativa é uma opção sem efeitos colaterais para pacientes com tumores de baixo risco. Saiba mais!/ Foto: Pexels
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Abordagem consiste no monitoramento contínuo do tumor, mas sem a adoção de terapias invasivas, eventualmente associadas a efeitos colaterais, que trazem prejuízo à qualidade de vida do homem

A vigilância ativa no câncer de próstata é uma abordagem cada vez mais difundida para casos de tumores de baixo risco. Ela envolve um rigoroso monitoramento do paciente, mas sem que se faça de imediato uma ação mais invasiva, como a cirurgia para retirada das lesões e a radioterapia. Dados recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que no Brasil, estimam-se 71.730 novos casos de câncer de próstata por ano para o triênio 2023-2025.

Atualmente, é a segunda causa de óbito por câncer na população masculina, porém, nem todos os pacientes precisam passar por procedimentos radicais assim que o diagnóstico é confirmado.

Segundo Dr. Antônio Cavaleiro de Macedo Lima Filho, coordenador do Centro de Oncologia e Hematologia do Hospital Santa Catarina – Paulista, a vigilância ativa vem ajudando a reduzir intervenções desnecessárias ou que podem ser adiadas para momentos mais oportunos. “Nesse processo, o paciente passa por exames regulares dos níveis de PSA, ressonância magnética, toque retal, geralmente a cada seis meses, além de uma nova biópsia em um ano. Caso o tumor tenha mutações, alteração no tamanho, ou haja detecção da agressividade do tumor, aí sim a equipe irá iniciar uma estratégia de tratamento, que pode envolver desde uma prostatectomia radical, radioterapia ou quimioterapia”, explica.

Essa abordagem preserva a qualidade de vida do paciente, prevenindo a ocorrência de alguns efeitos colaterais eventualmente associados à prostatectomia radical ou à radioterapia, tais como incontinência urinária, disfunção sexual e distúrbios intestinais.

“Quando a doença é diagnosticada por meio da biópsia, também verificamos o nível de gravidade. Para isso, são analisados vários fragmentos de tecidos extraídos de diversos locais da próstata e avaliada a porcentagem de infiltração do câncer em cada um deles. Somente após esse protocolo é que se decide ou não pelo tratamento de vigilância ativa”, conta o oncologista. O tratamento é uma escolha compartilhada com o paciente. “Alguns homens ficam muito preocupados e ansiosos com as chances de mudança na atividade tumoral. Nessas situações, o tratamento tradicional pode ser uma escolha”, diz o Dr. Antonio Cavaleiro.

O câncer de próstata hereditário está ocasionalmente associado a mutações em genes que atuam no reparo do DNA. Mutações no gene BRCA2, por exemplo, podem elevar o risco dos portadores de câncer de próstata para até 30% ao longo da vida. “Não somente os homens são atingidos por essa mutação, mas também mulheres que herdaram esse gene, que têm o risco de 60% para câncer de mama e ovário. Por isso, em casos com esse histórico, é recomendado um teste genético e acompanhamento médico mais intenso”, ressalta o oncologista.

Rastreamento é essencial

A única forma de garantir a cura do câncer de próstata é por meio do diagnóstico precoce. Segundo o Dr. Paulo Mazilli, urologista do Hospital Santa Catarina – Paulista, o acompanhamento é essencial para o diagnóstico dessa e outras doenças: “O rastreamento deve ocorrer em homens a partir dos 45 anos com fatores de risco, ou 50 anos sem estes fatores. A ida ao médico permitirá entender o histórico do paciente e realizar exames, como o de sangue PSA (antígeno prostático específico) e, se necessário, observar alteração no toque retal, que permite ao médico avaliar alterações da glândula, como endurecimento e presença de nódulos suspeitos”, explica.

O câncer de próstata progride silenciosamente. À medida que a doença evolui, o homem pode apresentar sinais como necessidade de urinar mais vezes, enfraquecimento do fluxo urinário, necessidade de urinar durante a noite (nictúria), sangue na urina ou no sêmen, disfunção erétil, entre outros. “Exames como o PSA e o toque retal desempenham um papel crucial em aumentar as chances de cura, diminuindo a necessidade de procedimentos mais invasivos e o índice de mortalidade”, explica o urologista.

Dr. Paulo Mazilli também reforça que a urologia e a oncologia trabalham juntas, como equipes multidisciplinares para apresentar o melhor tratamento para o paciente: “Muitas vezes, a doença é diagnosticada em exames feitos por um urologista. E junto com um médico oncológico, iremos trabalhar para identificar qual o melhor tratamento, em uma decisão conjunta com o paciente também”.

O médico explica que a urologia é uma especialidade médica que cuida não só do aparelho reprodutor masculino. “Nosso foco na consulta tem um olhar sobre toda a saúde. O principal é que os homens passem a ir ao médico com mais frequência, a fim de diagnosticar doenças a tempo de serem tratadas”, reforça Dr. Mazilli.

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