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Carnaval: roubos e furtos de celulares crescem durante a folia, veja onde aconteceram mais ocorrências na capital em 2025

Carnaval: roubos e furtos de celulares crescem durante a folia, veja onde aconteceram mais ocorrências na capital em 2025 / Foto: Freepik
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Levantamento do Centro de Estudos em Economia do Crime da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), com base na análise minuciosa dos boletins de ocorrência registrados no período pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) estadual, mostra que os roubos e furtos de celulares na capital paulista aumentam durante o Carnaval. No mês de março de 2025, quando ocorreram as festividades do ano passado, houve alta de 3,2% no número de ocorrências nas vias mais visadas pelos criminosos, em comparação à folia de 2024, ocorrida em fevereiro daquele ano.

“No período de Carnaval de 2025, o volume total de ocorrências permaneceu praticamente estável, mas ocorreu uma forte realocação espacial dos crimes, diretamente associada à dinâmica dos grandes eventos”, explica o pesquisador responsável pela análise, Erivaldo Vieira.

Vias que tradicionalmente concentram blocos de grande porte apresentaram quedas expressivas, como a Avenida Paulista (-41%), a Avenida Marques de São Vicente (-44%) e a Avenida Auro Soares de Moura Andrade (-60%), sugerindo redução da exposição criminal nesses eixos durante o período analisado.

Em contrapartida, observa-se crescimento abrupto em logradouros específicos, com destaque para a Rua Treze de Maio (+258%), a Rua Rui Barbosa (+85%) e a Rua Coronel Xavier de Toledo (+43%), além da forte concentração na Avenida Pedro Álvares Cabral, que passa a figurar como um dos principais palcos para os megablocos.

Ocorrências de roubo e furto de celulares por logradouro | Carnaval – São Paulo (Fev 2024 vs. Mar 2025)

Logradouro Fevereiro 2024 Março 2025 Variação %
Avenida Paulista 112 66 -41,1%
Rua Augusta 171
Rua Treze de Maio 19 68 +257,9%
Rua da Consolação 115
Avenida Brigadeiro Luís Antônio 13 17 +30,8%
Avenida Nove de Julho 17
Avenida Ipiranga 39 44 +12,8%
Avenida São João 45 32 -28,9%
Praça da República 58 53 -8,6%
Rua Coronel Xavier de Toledo 28 40 +42,9%
Rua Bento Freitas 22
Avenida Mário de Andrade 124 120 -3,2%
Avenida Francisco Matarazzo 22 25 +13,6%
Avenida Marques de São Vicente 87 49 -43,7%
Avenida Auro Soares de Moura Andrade 30 12 -60,0%
Rua Tagipuru 17
Rua Peixoto Gomide 16
Rua Rui Barbosa 13 24 +84,6%
Avenida Pedro Álvares Cabral 263
Rua Domingos de Morais 53
Rua Vergueiro 39
Avenida Professor Noé Azevedo 19
Rua Conselheiro Ramalho 18
Rua dos Pinheiros 39
Rua Fradique Coutinho 28
Rua Henrique Schaumann 43
Rua Mourato Coelho 34 39 +14,7%
Rua Teodoro Sampaio 27
Rua Álvaro Anes 33
Rua Cunha Gago 29
Rua Edson Dias 26
Total geral 1.132 1.168 +3,2%

“Esse padrão reforça a hipótese de que o crime segue os fluxos temporários de grandes aglomerações, ajustando-se rapidamente à mudança de trajetos e endereços dos blocos carnavalescos”, aponta Vieira.

Na opinião do pesquisador da FECAP, os dados impõem à política pública um desafio claro: o policiamento e a prevenção precisam ser tão móveis quanto os eventos, exigindo planejamento antecipado, leitura fina dos trajetos e uso intensivo de microdados para mitigar picos localizados durante grandes festas urbanas.

Segundo o docente da FECAP, a Operação Carnaval 2025 refletiu uma mudança estratégica relevante na atuação das forças de segurança, com foco em ações coordenadas, inteligência operacional e uso intensivo de tecnologia. “Houve um avanço importante na integração entre policiamento ostensivo, monitoramento e investigação, o que permitiu respostas mais rápidas e intervenções mais precisas nos pontos críticos”, afirma.

Entre as principais inovações, Vieira destaca o uso de agentes infiltrados nos blocos, atuando de forma disfarçada, o que aumentou o efeito surpresa e ampliou a taxa de prisões em flagrante. “Esse tipo de policiamento reduz a previsibilidade da ação policial e eleva o risco percebido pelos criminosos, o que tende a desestimular a atuação das quadrilhas”, explica.

Outro fator decisivo foi o emprego de drones para vigilância aérea. “A tecnologia permitiu identificar padrões de movimentação suspeita e orientar, em tempo real, as equipes em solo, aumentando a eficiência das abordagens”, diz. Além disso, o pesquisador ressalta que a recuperação imediata de aparelhos subtraídos ainda durante os eventos contribuiu para reduzir o prejuízo econômico das vítimas.

Vieira também chama atenção para o crescimento expressivo do uso do aplicativo Celular Seguro, que permite aos cidadãos comunicar de forma eficiente e ágil as ocorrências de roubos e furtos de celulares, contribuindo para a redução desses crimes.

Centro de Estudos em Economia do Crime

O Centro de Estudos em Economia do Crime foi criado em 2016, com a missão de iluminar os aspectos econômicos do crime. Nosso trabalho principal é informar a sociedade sobre crimes, especialmente roubos e furtos de itens valiosos como automóveis, motocicletas e celulares.

A iniciativa busca gerar conhecimento acessível sobre a economia do crime, visando iluminar causas e consequências da criminalidade para embasar ações práticas.

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