Confira artigo de Roberta Caldas, presidente da Transpocred
O ano de 2026 começa com desafios claros para as empresas brasileiras. Mesmo com a expectativa de melhora gradual no ambiente econômico, ainda convivemos com juros elevados, margens pressionadas e um cenário que exige decisões cada vez mais responsáveis. Nesse contexto, a organização financeira deixa de ser apenas um diferencial competitivo e passa a ser um fator essencial para a sustentabilidade dos negócios.
Ao longo da minha trajetória à frente da Transpocred, cooperativa de crédito voltada ao Transporte Rodoviário de Cargas, tenho visto de perto como o cooperativismo oferece aprendizados importantes para atravessar momentos de incerteza e preparar as empresas para novos ciclos de crescimento. Compartilho, a seguir, cinco princípios do cooperativismo que considero fundamentais para uma gestão mais eficiente em 2026.
1. Planejamento financeiro como ponto de partida
Nenhuma decisão estratégica deve ser tomada sem clareza sobre a real situação financeira da empresa. Conhecer receitas, despesas, compromissos e capacidade de investimento permite antecipar cenários e reduzir riscos. O cooperativismo reforça essa lógica ao incentivar decisões baseadas em planejamento e não apenas em oportunidades pontuais.
2. Crédito como ferramenta de desenvolvimento
O crédito, quando bem utilizado, é um aliado do crescimento. Quando mal planejado, pode comprometer toda a estrutura do negócio. No modelo cooperativista, o crédito é tratado de forma responsável, sempre alinhado à capacidade financeira da empresa e ao seu objetivo estratégico, preservando o equilíbrio do fluxo de caixa.
3. Visão de longo prazo
Uma das grandes lições do cooperativismo é pensar além do curto prazo. Crescer de forma sustentável exige avaliar impactos futuros, evitar decisões imediatistas e construir resultados consistentes ao longo do tempo. Em 2026, essa visão será ainda mais determinante para a competitividade das empresas.
4. Proximidade como diferencial na gestão
No cooperativismo, a relação não se limita a uma transação financeira. Existe proximidade, diálogo e entendimento da realidade de cada cooperado. Essa parceria permite orientações mais personalizadas e decisões mais assertivas, especialmente em cenários econômicos desafiadores.
5. Educação financeira contínua
Por fim, investir em educação financeira é investir na longevidade do negócio. Quanto mais empresários e equipes compreendem indicadores, riscos e oportunidades, mais preparados estão para tomar decisões estratégicas. O cooperativismo estimula esse aprendizado constante como parte da boa governança.
Acredito que empresas que adotarem esses princípios estarão mais bem preparadas para enfrentar 2026 com segurança, organização e capacidade de adaptação. O cooperativismo mostra, na prática, que planejamento, parceria e visão de longo prazo não são apenas conceitos, mas ferramentas reais para construir negócios mais fortes e sustentáveis.
