Prazo vai até 29 de maio e inclui mudanças como tributação de apostas e novos critérios de obrigatoriedade
Com o início do prazo de declaração do Imposto de Renda para Pessoas Físicas (IRPF) a partir desta segunda-feira (23), milhões de brasileiros se organizam para prestar contas à Receita Federal. Quem possui investimentos deve ter atenção redobrada devido às diferentes fontes de renda e regras de tributação. Entre as novidades, destacam-se o “cashback” da restituição para baixa renda, a ampliação da faixa de isenção para até R$ 5 mil mensais, a obrigatoriedade para rendimentos acima de R$ 35.584 e a inclusão de ganhos com apostas (bets). O prazo para envio segue até 29 de maio de 2026.
A preparação antecipada, no entanto, pode tornar essa tarefa muito mais simples e segura. Um dos passos mais importantes é reunir os informes de rendimentos, documentos essenciais que detalham ganhos, saldos e impostos ao longo do ano. Esses informes são disponibilizados por bancos, corretoras, empresas e outras instituições financeiras, geralmente até o final de fevereiro. Ter esses dados em mãos é fundamental para reduzir o risco de cair na malha fina.
Além disso, para os investidores precisam organizar suas aplicações por categoria, como renda fixa, renda variável, fundos e criptomoedas, já que cada tipo possui regras específicas de declaração.
Segundo Lucas Sharau, planejador financeiro CFP® e sócio da iHUB Investimentos e sócio da iHub, a organização ao longo do ano faz toda a diferença no momento da declaração. “Não se trata apenas de cumprir uma obrigação fiscal, mas de manter uma rotina de acompanhamento financeiro. Quando o investidor registra suas movimentações e acompanha os informes com frequência, o processo de declaração se torna mais rápido e estratégico”, explica.
A conferência de todos os dados antes do envio é uma etapa essencial para evitar problemas com o Fisco. Informações como CNPJ das instituições, saldos e valores de rendimentos devem ser revisadas com atenção. Despesas médicas, educação, doações e transações imobiliárias podem impactar diretamente o resultado da declaração.
Como ponto de atenção, também é importante compreender os efeitos da reforma tributária, cujas novas regras passam a incidir apenas sobre os rendimentos auferidos a partir de 2026, refletindo-se nas declarações do ano seguinte. O tema tem gerado dúvidas recorrentes entre contribuintes, sobretudo em relação ao planejamento financeiro e às estratégias legais para redução da carga tributária. Diante desse cenário, cresce a recomendação para que pessoas físicas se organizem com antecedência, seja para manter seus ganhos dentro de faixas mais vantajosas de tributação, seja para avaliar a adoção de estruturas mais profissionais, como a constituição de pessoa jurídica, como forma de otimizar a gestão dos rendimentos já a partir deste ano.
Sharau compartilha seis dicas para facilitar a organização de documentos na declaração do IR 2026:
- Separe todos os informes de rendimentos com antecedência;
- Organize os documentos por tipo de investimento e fonte de renda;
- Baixe os informes diretamente nos sites ou aplicativos das instituições;
- Revise cuidadosamente todos os dados antes de enviar a declaração;
- Guarde comprovantes de despesas dedutíveis, como saúde e educação;
- Mantenha um controle financeiro ao longo do ano para facilitar futuras declarações.
“Com atenção aos detalhes, a declaração do imposto de renda deixa de ser um desafio e passa a fazer parte de uma gestão financeira mais eficiente”, finaliza Sharau.



