Confira artigo de Fábio Topal, Superintendente Comercial e Produtos Vida, Previdência e Ramos Elementares na Seguros Unimed
A previdência no Brasil enfrenta um grande desafio: como se adaptar à realidade na qual a longevidade da população cresce, mas o modelo de aposentadoria pública não oferece a segurança financeira necessária para garantir uma vida confortável aos aposentados. O sistema previdenciário do país está dividido, principalmente, entre previdência aberta e a fechada, representando juntas cerca de 24% do PIB nacional. Embora esse valor seja considerável, é muito inferior ao de países desenvolvidos. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), nos Estados Unidos a previdência privada corresponde a mais de 138% do PIB e, em países Europeus, esse índice pode alcançar de 150% a 190% do PIB, Holanda e Dinamarca respectivamente.
A previdência pública, representada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), continua sendo a principal fonte de renda para muitos brasileiros após a aposentadoria. Segundo dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), em parceria com o Datafolha, 31% dos brasileiros dependem exclusivamente da modalidade pública como principal fonte de sustento após se aposentarem. Esse número evidencia um problema crítico: grande parte da população não possui uma segunda fonte de renda planejada para o futuro, o que pode comprometer o bem-estar financeiro nesta etapa da vida, especialmente em um cenário em que o índice de longevidade está cada vez mais alto.
A previdência privada, em um contexto atual, surge como uma alternativa essencial e, muitas vezes, é subutilizada para o planejamento da aposentadoria. Embora tenha ganhado visibilidade nos últimos anos, ainda é surpreendente que apenas 7% dos entrevistados, no mesmo levantamento divulgado pela Fenaprevi, considerem a previdência privada como uma fonte de renda planejada para a aposentadoria. Esse dado reflete não só a falta de informação sobre o tema, mas também certa desconfiança em relação ao modelo de investimento. Contudo, é preciso repensar essa postura e enxergar a previdência privada como uma solução estratégica para garantir um futuro financeiro mais seguro e estável.
É importante ressaltar que as modalidades de previdência privada, como o Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL) e o Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL), oferecem vantagens consideráveis, especialmente para aqueles que buscam uma aposentadoria mais tranquila e independente do INSS. Ao contrário do que muitos pensam, esses planos são acessíveis e podem ser altamente vantajosos, especialmente quando a ideia é complementar a aposentadoria pública com uma fonte de renda própria.
O PGBL, por exemplo, é uma excelente opção para quem realiza a declaração completa do Imposto de Renda. Isso porque permite a dedução das contribuições feitas ao plano da base de cálculo do imposto, gerando uma economia tributária significativa. Além disso, é uma excelente estratégia para acumular recursos para o futuro. Por sua vez, o VGBL, indicado para quem opta pela declaração simplificada, também oferece benefícios, especialmente pela maior flexibilidade nas retiradas, adaptando-se ao perfil e às necessidades de cada investidor. Ambos os planos têm como característica o investimento a longo prazo, sendo capazes de garantir um futuro financeiro mais tranquilo, independentemente do valor que o INSS pagará como aposentadoria.
Outro ponto crucial para o sucesso de um plano de previdência privada é o tempo. Quanto antes o investidor iniciar as contribuições, mais o seu dinheiro terá tempo para render, aproveitando os efeitos dos juros compostos. Mesmo pequenas contribuições no início da vida profissional podem resultar em um patrimônio significativo na aposentadoria. O contrário também é verdadeiro: adiar o planejamento pode comprometer a acumulação de recursos, já que o tempo disponível para os rendimentos será reduzido. Portanto, quanto mais cedo se iniciar esse planejamento, mais garantido financeiramente estará o futuro.
Além disso, a previdência privada se destaca pela sua rentabilidade. Diferente de investimentos tradicionais, como a caderneta de poupança, que oferece retornos limitados, a modalidade tem um potencial de crescimento mais consistente do patrimônio acumulado. O investidor pode escolher entre fundos que se alinhem ao seu perfil de risco, com opções conservadoras, moderadas ou agressivas, além de possibilitar a diversificação dos investimentos.
Investir em previdência privada para a aposentadoria vai além de uma simples forma de garantir uma fonte de renda complementar ao INSS, trata-se de um planejamento financeiro fundamental para quem busca construir um futuro seguro, independente e sem incertezas. Ao optar por esse tipo de investimento, o brasileiro não apenas planeja sua aposentadoria de forma mais eficaz, mas também se torna menos dependente de um sistema público que, com o tempo, tem mostrado vulnerabilidade. O investimento oferece a oportunidade de acumular patrimônio, proporcionando não apenas maior liberdade financeira, mas também tranquilidade e segurança para desfrutar de uma velhice mais tranquila e confortável.
*Com mais de 25 anos de experiência em gestão de operações de vendas em produtos Susep e ANS, Fábio Topal é especialista em vendas, negociações e resultados de alta performance. Anteriormente teve passagem pela Unimed Fortaleza, onde foi Superintendente de Mercado, e atua como executivo do Sistema Unimed desde 2018, com passagens pela Unimed Participações e Corretora Unimed Fortaleza.