Como o Minha Casa Minha Vida mudou o padrão da habitação popular no Brasil?

a view of a city at night with buildings lit up
Photo by Andrei Castanha on Unsplash

Especialista da BRN Construtora analisa padrões habitacionais por faixa de renda e destaca boas práticas de projeto que impactam famílias, cidades e o desenvolvimento urbano

O programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) foi reformulado pelo Governo Federal em 2023 para desempenhar um papel ainda mais estratégico na política habitacional brasileira. O objetivo foi segmentar as faixas de renda e adequar tipologias, metragens, subsídios e infraestrutura às necessidades reais das famílias promovendo acesso à moradia com qualidade de vida, integração urbana e desenvolvimento social. 

Para Evandro Nobre Cruz, Diretor Jurídico e Institucional da BRN Construtora, especialista na construção de empreendimentos residenciais de grande porte e populacionais, compreender essas diferenças é essencial para desenvolver projetos mais eficientes, sustentáveis e alinhados aos perfis familiares atendidos em cada faixa de renda, incluindo tipologia e metragem das unidades, subsídios e financiamentos diferenciado, infraestrutura e áreas comuns adaptadas, além de localização e integração urbana adequadas ao público. 

Na Faixa 2 do MCMV, que contempla famílias com renda mensal bruta de R$ 2.850,01 a R$ 4.700, predominam unidades habitacionais compactas e funcionais, geralmente entre 44 m² e 49 m², com dois dormitórios. Esse perfil atende principalmente casais jovens, famílias pequenas e pessoas em início de trajetória patrimonial. Empreendimento da BRN como o Jardim das Araucárias, em Araras, com unidades de 44,46 m², e o Residencial dos Parques, em Birigui, com 44,82 m², com possibilidade real de ampliação das casas para quem desejar construir, por exemplo, área gourmet ou dormitório adicional, além da oferta de duas vagas de garagem.  

“O ponto forte desses empreendimentos é a transformação socioeconômica proporcionada, a redução do déficit habitacional e a melhora da qualidade de vida da população”, afirma o executivo.  

Na Faixa 3, destinada a famílias com renda mensal de R$ 4.700,01 a R$ 8.600 observa-se um salto qualitativo em termos de metragem, infraestrutura e diversidade de lazer. As unidades passam a variar, em média, de 51 m² a 58 m², mantendo dois dormitórios, com mais conforto interno e aproveitamento dos espaços. Empreendimentos como Reserva Terraris e o Residencial Bosque Lago Sul, ambos em Bady Bassitt (São José do Rio Preto) com unidades de 51,85 m² e 58,15 m², respectivamente, ilustram essa transição. Os empreendimentos incorporam piscinas, quadras esportivas, pistas de caminhada, salões gourmet e áreas verdes, refletindo uma demanda crescente por qualidade de vida associada à moradia.  

Já a Faixa 4 do Minha Casa Minha Vida, criada recentemente para atender famílias com renda mensal de até R$ 12.000, marca a aproximação do programa com a classe média formal. Nessa categoria, os imóveis apresentam padrão intermediário a superior, com metragens que, nos empreendimentos da BRN Construtora, variam entre 48 m² e 54 m², com diferenciais relevantes de acabamento, lazer e serviços. O Alta Florada Residencial, em Sorocaba, com unidades de até 53,79 m², exemplifica esse modelo ao oferecer coworking, bicicletário, academia ao ar livre, espaço pet e áreas de lazer diversificadas. “Essa faixa se beneficia de taxas de financiamento mais acessíveis e prazos estendidos, viabilizando o acesso à casa própria para famílias que antes estavam fora do alcance do programa”, explica o executivo da BRN. 

Ainda segundo ele, a evolução do Minha Casa Minha Vida reflete uma mudança estrutural na política habitacional brasileira, que passou a considerar o déficit quantitativo, a qualidade do espaço urbano e o impacto da moradia no cotidiano das famílias. “Projetos bem localizados, com infraestrutura de lazer, mobilidade e integração comunitária, contribuem para reduzir vulnerabilidades sociais, estimular o desenvolvimento econômico e fortalecer o tecido urbano”, diz.  

Dados oficiais do Ministério das Cidades mostram que o Minha Casa Minha Vida já viabilizou mais de 6 milhões de moradias desde sua criação, consolidando- se como o principal instrumento da política habitacional brasileira. Nesse contexto, a atuação de construtoras especializadas, capazes de traduzir as diretrizes do programa em projetos tecnicamente consistentes, torna-se um fator decisivo para o sucesso da política habitacional. 

Minha Casa, Minha Vida – 2026

  • Faixa 1: renda bruta familiar de R$ 2.850,00; 
  • Faixa 2: renda bruta familiar de R$ 4.700,00; 
  • Faixa 3: renda bruta familiar de R$ 8.600,00; 
  • Faixa 4: renda bruta familiar de R$ 12.000,00. 
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