Exemplo de inovação nacional aplicada ao setor público impacta diretamente na saúde urbana e na gestão municipal
O combate à dengue é um dos desafios mais persistentes da saúde pública brasileira. Todos os anos, sazonalmente, municípios lidam com ciclos de aumento de casos, sobrecarga dos serviços de saúde, limitações orçamentárias e dificuldades operacionais para alcançar áreas críticas de infestação do Aedes aegypti. Soluções tradicionais, baseadas grande parte em ações manuais e reativas, têm se mostrado insuficientes diante da complexidade urbana e ambiental das cidades.
Foi a partir desse cenário, vivido de perto por gestores públicos e equipes técnicas, que uma solução desenvolvida internamente por uma empresa brasileira de engenharia começou a ganhar forma. O Techdengue surgiu a partir da necessidade de aprimorar o monitoramento de áreas urbanas e oferecer respostas mais assertivas ao poder público, além de ser uma combinação entre conhecimento técnico em engenharia, uso estratégico de drones e inteligência territorial.
“A proposta desde o início foi substituir um modelo predominantemente reativo por uma abordagem preventiva, orientada por dados e capaz de ampliar o alcance das ações municipais, especialmente em áreas de difícil acesso”, afirma o idealizador do Techdengue, Cláudio Ribeiro.
Da engenharia à saúde pública
A iniciativa evoluiu para um programa estruturado de apoio à saúde pública, combinando drones, inteligência artificial, análise geográfica e aplicação direcionada de larvicida em pontos críticos para mapear criadouros com precisão e orientar decisões estratégicas das gestões municipais. Hoje, a tecnologia já apoia ações de combate às arboviroses em mais de 630 municípios brasileiros, impactando cerca de 13 milhões de pessoas.
Somente em 2025, o programa mapeou mais de 110 mil hectares (área equivalente a aproximadamente 154 mil campos de futebol) e identificou mais de 260 mil locais com potencial para proliferação do mosquito. Os dados, coletados em larga escala, oferecem às equipes de saúde pública uma leitura detalhada do território, o que permite intervenções mais rápidas e direcionadas justamente nos períodos de maior risco.
A tecnologia transforma a lógica de atuação no combate à dengue, especialmente durante os meses de maior incidência de chuvas. “Quando o município consegue agir antes do pico da transmissão, os resultados são mais consistentes e o impacto sobre a saúde pública é drasticamente reduzido”, ressalta Cláudio.

Eficiência e fortalecimento da gestão municipal
O retorno econômico ao setor público é expressivo. Para cada real investido, municípios podem economizar até R$ 28,60 em custos do SUS, considerando internações, medicamentos e agravamentos evitados. A estratégia deixa de ser apenas combate e passa a ser prevenção ao induzir uma gestão mais assertiva e sustentável.
Um dos diferenciais do programa está na aplicação de larvicida 100% orgânico e biodegradável, desenvolvido para atuar de forma eficaz sem causar impactos ambientais ou riscos à população. A tecnologia permite a aplicação milimétrica apenas nos pontos identificados como críticos. Com isso, evita-se pulverizações amplas e reforça práticas sustentáveis na saúde urbana.
Além do monitoramento inteligente, o programa também investe na capacitação de profissionais das secretarias municipais de saúde. Em 2025, foram realizadas mais de 45 horas de treinamentos em formato EAD, voltados ao uso estratégico da plataforma e à interpretação de dados, fortalecendo a autonomia das equipes locais e ampliando a efetividade das ações de campo.
Para Cláudio Ribeiro, o avanço da tecnologia no setor público representa uma mudança estrutural na forma de enfrentar o problema. “A dengue é um desafio complexo e não pode mais ser combatida apenas com métodos tradicionais. Quando unimos engenharia, dados e inteligência territorial, damos aos municípios a chance de agir no tempo certo, com mais precisão e menos desperdício. O resultado é uma gestão mais eficiente e, principalmente, mais vidas protegidas”, conclui.
