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Conflito no Irã traz riscos macroeconômicos e possíveis oportunidades comerciais para o Brasil

Luís Garcia e Ricardo Inglez de Souza/ Foto: Divulgação
Luís Garcia e Ricardo Inglez de Souza/ Foto: Divulgação

Especialistas apontam alta do petróleo, impacto cambial e encarecimento logístico como riscos imediatos, ao mesmo tempo em que veem oportunidades em energia, agro e minerais

A escalada militar envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã deve produzir efeitos relevantes sobre a economia brasileira, combinando riscos macroeconômicos e possíveis oportunidades comerciais. A avaliação é de dois especialistas que analisam o cenário sob as perspectivas tributária e de comércio internacional.

Para o tributarista Luís Garcia, sócio do Tax Group, o Brasil é estruturalmente vulnerável às consequências do conflito. A principal preocupação está no mercado de energia, especialmente diante de eventuais tensões no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o escoamento global de petróleo.

“O aumento do valor do barril gera pressão inflacionária imediata no Brasil, encarece combustíveis, eleva o frete e impacta os alimentos. Isso pode interromper a trajetória de queda dos juros e até pressionar por novas altas”, afirma.

Segundo ele, embora possa haver ganho pontual para a Petrobras com a valorização do petróleo no mercado externo, o efeito líquido para a economia tende a ser negativo. A alta do diesel e de outros derivados pressiona cadeias produtivas, reduz o ritmo da atividade econômica e pode afetar a arrecadação em um momento de necessidade de ajuste fiscal.

No comércio exterior, Garcia destaca três vetores de encarecimento: aumento do frete marítimo, elevação dos prêmios de seguro em razão do risco geopolítico e maior rigor no compliance bancário internacional com o avanço de sanções. “O Brasil depende do transporte marítimo e é sensível à valorização do dólar, o que encarece importações e amplia a volatilidade”, explica.

Sob a ótica do comércio internacional, Ricardo Inglez de Souza, sócio do IW Melcheds Advogados, vê um cenário de riscos, mas também de reposicionamento estratégico. Ele aponta que, em momentos de instabilidade, países tendem a diversificar fornecedores e priorizar parceiros considerados estáveis.

“O Brasil pode ocupar espaços deixados por fornecedores afetados direta ou indiretamente pelo conflito, especialmente em petróleo, minerais e alimentos”, afirma. Como exportador relevante de ferro, níquel, cobre, carne e soja, o país pode ampliar sua presença em mercados que busquem alternativas mais seguras.

Inglez ressalta, contudo, que o ganho potencial não elimina os desafios. A alta do petróleo encarece combustíveis no mercado interno e impacta transporte rodoviário, setor aéreo e cadeias logísticas. No agronegócio, fertilizantes e insumos importados de regiões afetadas também podem registrar aumento de preço.

No plano financeiro, ele chama atenção para a política monetária dos Estados Unidos. Caso os juros permaneçam elevados ou sofram nova pressão, o fluxo de capitais para economias emergentes pode diminuir, pressionando o câmbio brasileiro.

Para ambos os especialistas, o conflito expõe fragilidades estruturais da economia nacional, como dependência energética, exposição cambial e custos logísticos, mas também coloca o Brasil diante de uma encruzilhada estratégica.

“Não estamos no centro do conflito, mas estamos no centro das consequências econômicas dele”, resume Garcia. Já Inglez conclui: “A forma como o Brasil se posicionar institucionalmente e estruturar suas cadeias produtivas será determinante para transformar instabilidade global em ganho estratégico”.

 

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