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ConsegNNE: painel sobre associações de proteção projeta “mar azul” para o seguro avançar no Norte e Nordeste

ConsegNNE: painel sobre associações de proteção projeta “mar azul” para o seguro avançar no Norte e Nordeste / Foto: Universo do Seguro
Foto: Universo do Seguro

O 6º Congresso dos Corretores de Seguros do Norte e do Nordeste (ConsegNNE) abriu espaço, na manhã desta sexta-feira (13), para um debate direto sobre os impactos da nova legislação no mutualismo e na Proteção Patrimonial Mutualista (PPM). O painel reuniu Lucas Vergílio (presidente da ENS e vice-presidente da Fenacor), Dyogo Oliveira (presidente da CNseg), Alessandro Octaviani (superintendente da Susep) e Clara Pedroso Maffia (gerente-geral da OCB – Organização das Cooperativas Brasileiras).

No centro da discussão, a leitura predominante foi a de que a regulamentação das PPMs e a entrada do cooperativismo no radar do Sistema Nacional de Seguros Privados redesenham fronteiras de atuação, elevam exigências de conformidade e exigem, do corretor, preparo para orientar o consumidor diante de um novo “mapa” de soluções.

Cooperativismo entra no jogo com promessa de acesso

Ao representar a OCB, Clara Pedroso Maffia descreveu o momento como uma virada institucional construída ao longo de mais de uma década. “É um prazer imenso estar aqui para falar de cooperativismo em seguros, que começa a ser uma realidade”, afirmou. Para ela, a lógica do cooperativismo pode acelerar a inclusão securitária, sobretudo onde a penetração ainda é baixa. “As cooperativas podem contribuir gerando acesso, proximidade e compreendendo a necessidade do cooperado em primeiro lugar”, disse.

Clara também trouxe um dado para dimensionar o peso do modelo no mundo: “Cooperativas em seguros hoje representam mais de 25% do mercado de seguros global”. Na sequência, endereçou diretamente o papel do canal corretor na nova arquitetura. “Os corretores vão ter um papel fundamental nesse mercado. Aqueles corretores que entenderem esse universo do cooperativismo certamente vão beber de água limpa”, declarou, citando ainda iniciativas de capacitação e aproximação institucional. “A gente está super à disposição para apresentar para os corretores o que a gente pode ter de oportunidade, para uma relação que tem que ser ganha-ganha”, completou.

Susep sinaliza “otimismo” com cooperativas e aproxima modelos de compliance

A Susep, por meio do superintendente Alessandro Octaviani, indicou abertura ao modelo cooperativo no mercado regulado, enfatizando convergência com padrões de governança e controles. “A gente recebe as cooperativas no mercado segurador com muito otimismo, porque realmente a gente vê muita complementaridade no nível de compliance”, revelou. Na avaliação do regulador, a estrutura legal cria um caminho para operar sem exigir a forma societária tradicional. “Ela trata as cooperativas exatamente como a seguradora, permitindo que a cooperativa não precise de alguma sociedade na mão para operar”, alertou.

CNseg  alerta sobre concentração de dados

Na fala do presidente da CNseg, Dyogo Oliveira combinou defesa técnica da regulação com um recado de foco no consumidor. “A legislação saiu muito boa e agora nós estamos aqui, confiantes de que o resultado final disso tudo será consistente com uma regulamentação técnica”, indicou. Em seguida, enfatizou o objetivo final do marco regulatório: “Não é uma regulamentação para garantir a seguradora, para garantir os corretores; é uma regulamentação que vai garantir que o segurado tenha a devida proteção e o devido cumprimento do contrato”.

Dyogo aproveitou o painel para ampliar o radar e ligar o debate de PPMs a um tema que, segundo ele, já pressiona o mercado: concentração e exposição de dados em grandes plataformas. “Nós compartilhamos completamente dessa preocupação estamos estudando alternativas para lidar com essa circunstância”, mencionou. Ao citar impacto operacional, foi direto: “Se uma seguradora ficar uma tarde, um dia, fora do mercado, o prejuízo é imenso”. E arrematou com um alerta que ele classificou como coerência regulatória: “O grande risco é a desintermediação pro corretor”.

Seguro rural vira termômetro do “projeto nacional”

O painel também abriu uma frente paralela: o seguro rural como gargalo estratégico. Ao provocar o tema, Lucas Vergílio sustentou que o cooperativismo pode contribuir com capilaridade e conhecimento do campo. “As cooperativas têm muita experiência, entendem muito sobre o meio rural, o modelo de cooperativismo de seguros pode ser uma grande solução para o seguro rural?”, questionou.

Na resposta, Alessandro Octaviani enquadrou o assunto em dimensão macro. “Eu prefiro pegar essa segunda estrada: entender o nosso mercado como soluções estratégicas para o Brasil”, compartilhou. Para ele, seguro e regulação precisam ser vistos como parte de um “projeto nacional de desenvolvimento”. E colocou o dado como incômodo central: “São 7% só das terras agricultáveis no Brasil cobertas pelo seguro rural. Isso aqui é inadmissível”.

Dyogo Oliveira reforçou o diagnóstico com uma provocação econômica e comparou o Brasil a mercados maduros. “Os Estados Unidos têm 90% da área plantada coberta. A Europa tem índices parecidos”, complementou, ao defender que “existem maneiras mais inteligentes” de lidar com perdas sistêmicas do que empurrar a conta para o Tesouro.

PPMs, cooperativas e mercado regulado: a transição que vai exigir pedagogia

Ao longo do painel, a convergência entre os participantes foi clara: a regulamentação das PPMs e a abertura ao cooperativismo podem ampliar o acesso, mas exigem alinhamento de linguagem, mais educação securitária e uma atuação ainda mais consultiva do corretor, inclusive para evitar ruídos entre “autoproteção” e seguro regulado.

Na síntese de Clara Pedroso Maffia, o marco legal não encerra o debate: ele abre a fase prática. “A legislação nem sempre sai exatamente como a gente gostaria, mas eu tenho a convicção de que ela é a melhor legislação possível para esse momento”, disse. E completou com a frase que resumiu o espírito do painel: “Agora é na prática, é no dia-a-dia que a gente vai entender”.

No ConsegNNE, o recado ficou dado: PPMs entram definitivamente no radar do mercado. E o Norte e Nordeste surgem como territórios onde esse “novo jogo” vai precisar, mais do que nunca, de orientação qualificada na ponta.

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