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Consórcio ganha espaço como estratégia de formação de patrimônio

Foto: Freepik
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Modalidade tradicional no Brasil pode ser utilizada no planejamento financeiro de médio e longo prazo, especialmente em períodos de juros elevados

O consórcio, tradicionalmente associado à compra planejada de bens, tem sido cada vez mais analisado também como uma ferramenta de organização financeira e formação de patrimônio. Em um cenário econômico marcado por taxas de juros elevadas no crédito tradicional, especialistas do setor apontam que a modalidade pode fazer parte de estratégias de investimento de médio e longo prazo.

Dados do sistema de consórcios indicam que a modalidade segue em expansão no país. Segundo o Banco Central, responsável pela regulamentação das administradoras de consórcios, o modelo funciona por meio da formação de grupos de participantes que contribuem mensalmente para a constituição de um fundo comum, utilizado para contemplações por sorteio ou lance.

Para Allyson Francisconi, gerente geral de vendas da Lojacorr Consórcios, o consórcio pode ter papel relevante no planejamento patrimonial quando é utilizado com objetivos claros de aquisição de ativos. “O consórcio funciona como uma ferramenta estratégica de acumulação de ativos. Ele é ideal para quem busca ampliar o patrimônio a médio e longo prazo, focando em bens com potencial de valorização, como imóveis”.

Segundo ele, a lógica da modalidade permite que o participante planeje a compra de bens sem recorrer ao financiamento tradicional. Como o consórcio não cobra juros, a diferença de custo pode ser significativa em prazos mais longos. “O principal benefício é a eficiência de custo. Por não cobrar juros, mas apenas taxas administrativas e operacionais, o consórcio torna-se uma alternativa financeiramente superior ao financiamento tradicional, especialmente em ciclos de economia com taxas elevadas”.

Além da economia potencial, o modelo também incentiva a disciplina financeira. Os aportes mensais funcionam como um mecanismo de formação de reserva com objetivo definido, algo que muitos especialistas consideram fundamental no planejamento patrimonial. “Diferente de modalidades que exigem o pagamento de juros elevados, o consórcio permite a aquisição de ativos, seja para uso próprio ou para geração de renda, como aluguéis, de forma planejada”.

Planejamento e perfil do consumidor

Apesar das características que podem aproximar o consórcio de uma estratégia de investimento, especialistas alertam que a modalidade exige planejamento e não deve ser confundida com soluções de liquidez imediata. “O consórcio não é um produto de liquidez imediata; ele exige programação e paciência. Para que funcione como estratégia de investimento, o consumidor deve alinhar suas expectativas com o tempo de contemplação”.

Por isso, antes de aderir a um grupo, é importante analisar fatores como prazos, taxas administrativas, valor das parcelas e histórico da administradora, que deve ser autorizada e supervisionada pelo Banco Central.

Papel consultivo do corretor

No mercado de seguros e serviços financeiros, o consórcio também tem ampliado o campo de atuação dos corretores, que passam a atuar de forma mais consultiva na análise do perfil financeiro dos clientes. “O papel do corretor evoluiu de um simples vendedor para um consultor financeiro”, afirma Francisconi. “O corretor precisa estar na ‘lista de contatos’ e no radar estratégico do investidor, oferecendo um acompanhamento contínuo que transforme o consórcio de uma simples compra parcelada em uma peça-chave do planejamento patrimonial”.

Nesse contexto, entender objetivos de vida, capacidade de contribuição mensal e horizonte de planejamento são fatores essenciais para avaliar se a modalidade faz sentido dentro da estratégia financeira do cliente. Para o setor segurador, essa abordagem amplia o diálogo entre corretores e clientes sobre planejamento de longo prazo, um tema que tem ganhado relevância em um ambiente econômico marcado por volatilidade e mudanças nos custos do crédito.

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