Para Bruno Perri, economista-chefe, estrategista de investimentos e sócio-fundador da Forum Investimentos, cenário de incertezas externas e inflação ainda elevada deve levar a um corte mais moderado de 0,25 ponto percentual
Às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que acontece nesta quarta-feira, o mercado financeiro ajusta suas expectativas para o início de um possível ciclo de cortes na taxa básica de juros no Brasil. Em meio a um cenário ainda marcado por incertezas externas e inflação resistente, a tendência majoritária é de uma redução mais moderada da Selic.
De acordo com Bruno Perri, economista-chefe, estrategista de investimentos e sócio-fundador da Forum Investimentos, a projeção da casa foi revisada recentemente, reduzindo a intensidade esperada para o primeiro corte. “Nossa projeção é que chegaremos ao fim de 2026 com a mesma Selic terminal, de 12,5%, mas o ritmo ao longo do ano ainda é incerto”, avalia.
A expectativa predominante, segundo o economista, é de um corte de 0,25 ponto percentual, diante de um ambiente ainda desafiador. Entre os fatores que sustentam essa visão, estão a pressão de um dólar mais valorizado e do petróleo em níveis elevados, além da inflação que segue acima do patamar considerado ideal, conforme os dados mais recentes do IPCA.
“A expectativa é um corte de 25 pontos base, tanto por conta da pressão trazida por dólar e petróleo mais altos, com alto nível de incerteza no ambiente internacional, quanto pela inflação, que ainda roda acima do ideal, conforme dados do IPCA de fevereiro”, afirma Perri.
Apesar da possibilidade de cortes mais intensos, como de 0,50 ponto percentual, o cenário atual ainda não oferece segurança suficiente para movimentos mais agressivos. Por outro lado, a manutenção da taxa de juros no nível atual é vista como pouco provável no momento. “A manutenção da SELIC só viria com uma desancoragem muito relevante da taxa de câmbio, o que, por ora, está longe de ser o caso”, explica.
Na avaliação do especialista, o Copom deve adotar uma postura cautelosa no início desse ciclo de flexibilização monetária, especialmente diante das incertezas geopolíticas e seus impactos potenciais sobre a economia global. “Não tem sido o perfil do Copom começar um ciclo de cortes e fazer pausas, por isso o mais provável é que os cortes sejam menores para depois acelerarem com um possível fim do conflito”, estima.
Diante desse cenário de possível queda gradual dos juros, algumas classes de ativos passam a ganhar destaque nas estratégias de investimento. Segundo Perri, os títulos pós-fixados ainda seguem interessantes, mas há uma atenção crescente às oportunidades abertas na curva de juros. “Seguimos com interesse em pós-fixados, e olhando com atenção para as oportunidades nas curvas de juros, que abriram recentemente -, enquanto a correção na bolsa pode trazer um momento interessante de alocação mais à frente”, diz.
Além disso, o economista aponta que ativos prefixados com vencimentos entre dois e três anos, bem como títulos atrelados à inflação com prazos entre 2030 e 2032, tendem a se tornar mais atrativos neste contexto de transição da política monetária.


