Selic a 14,75% ao ano exige estratégia no uso do crédito no Brasil
A redução da taxa básica de juros para 14,75% ao ano, anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em março de 2026, marca o início de um novo ciclo após quase dois anos com as taxas inalteradas. Apesar do corte, o Brasil segue entre os países com as maiores taxas de juros reais do mundo, em torno de 9,5%, o que mantém o crédito em patamar elevado e exige maior planejamento por parte de consumidores e empresas.
Ao mesmo tempo, a inflação projetada para 2026 está em 4,1%, dentro da meta, mas ainda sob monitoramento, especialmente diante das pressões persistentes no setor de serviços. Nesse cenário, o uso do crédito deixa de ser apenas uma solução pontual e passa a exigir decisões mais estratégicas.
Dados recentes da Confederação Nacional do Comércio (CNC) indicam que o endividamento das famílias brasileiras segue elevado, atingindo cerca de 78% dos lares, com parte significativa comprometida com dívidas de curto prazo e maior custo financeiro.
Para Marcos Citolin, gerente regional da Unicred Integração, o momento exige mudança de comportamento na relação com o crédito. “O crédito não é vilão. Ele se torna um problema quando é usado sem estratégia. Em um cenário de juros ainda altos, cada decisão precisa ser mais consciente, avaliando impacto no orçamento e retorno esperado”.
Um dos principais pontos de atenção é a diferença entre crédito emergencial e crédito planejado. O primeiro está associado a imprevistos e decisões rápidas, geralmente com menor capacidade de negociação. Já o crédito planejado envolve análise, objetivo definido e melhor estruturação financeira, o que contribui para maior previsibilidade e controle. “No crédito planejado, existe clareza sobre a finalidade do recurso e o resultado esperado. Isso permite organizar melhor o fluxo financeiro e reduzir riscos ao longo do tempo”, explica Citolin.
Na prática, o uso estratégico do crédito pode assumir diferentes funções, como capital de giro, antecipação de receitas, reorganização de dívidas ou investimentos em expansão e tecnologia. Nessas situações, a ferramenta pode contribuir para equilíbrio financeiro e geração de valor.
Mesmo com o início do ciclo de queda da Selic, o custo do crédito ainda reflete o período prolongado de juros elevados. Isso ocorre porque a transmissão da política monetária para as taxas finais ao consumidor é gradual, exigindo atenção na comparação de condições antes da contratação.
Para pessoas físicas, o início do ano costuma ser um momento de revisão de metas e ajuste do planejamento financeiro, o que favorece decisões mais estruturadas. Nesse contexto, o equilíbrio das finanças vai além dos números, envolvendo comportamento, disciplina e consistência ao longo do tempo.
Nesse cenário, as cooperativas de crédito reforçam o papel consultivo junto aos cooperados, oferecendo orientação personalizada e acompanhamento mais próximo da realidade financeira. “O diferencial do cooperativismo está na proximidade. Nosso papel é orientar para que o crédito seja usado de forma estratégica, dentro de um planejamento sustentável”, conclui Citolin.



