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Desafios e caminhos para a construção de um sistema de saúde sustentável

Confira artigo de Newton Quadros, responsável técnico pelo Centro Integrado de Saúde Neo Life

Com uma população de 213 milhões de habitantes em 2022 (IBGE), o Brasil alcançou a marca de 50,5 milhões de pessoas inseridas no Sistema Suplementar de Saúde, conforme dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em janeiro de 2023. Ou seja, cerca de 24% da população. São 162,5 milhões de pessoas atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A divisão orçamentária destes dois segmentos demonstra a assimetria existente: o SUS tem um orçamento de R$ 146 bilhões para 2023, enquanto o Sistema Suplementar de Saúde deverá apresentar um gasto aproximado com despesas assistenciais de R$ 206 bilhões no mesmo ano. Observando as tendências econômicas para 2023, a inflação e os juros deverão permanecer em patamares elevados, combinando com uma desaceleração econômica mundial.

Em analogia às tempestades meteorológicas mais severas, que são o resultado de uma combinação complexa e específica de fatores, podemos pensar que o futuro próximo do sistema de saúde brasileiro parece estar exatamente neste contexto. Estamos caminhando para uma tempestade perfeita? Não se trata apenas da fonte de financiamento dos setores público e privado, mas também dos modelos de gestão e de negócios adotados, do baixo uso da tecnologia, ações incipientes de interoperabilidade de dados e informações, necessidade de melhores processos de comunicação e cooperação entre os agentes dos sistemas público e privado, de um plano de desenvolvimento, em uma ótica mais voltada para a cooperação entre os integrantes do sistema de saúde.

Nesse contexto desafiador, podemos olhar para o tema eficiência operacional, seja no ambiente interno operacional, seja no externo operacional, como uma das ações estratégicas efetivas para fortalecer o sistema de saúde. Quando olhamos para dentro das empresas e grupos econômicos, que atuam no setor saúde, percebemos uma avenida de oportunidades de melhorias de desempenho e, consequente, redução de custos desnecessários, vital para a sustentabilidade no longo prazo. No setor público, a opção pelo modelo de Concessões, Lei federal 8.987/95, e de Parcerias Público-Privadas mostra-se como uma alternativa viável para a oferta de estruturas de saúde de qualidade para a população, com a participação do setor privado, monitorado pelo governo e pela Lei 8.666/93, Lei das Licitações.

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A coordenação do cuidado integrada com a assistência terciária e quartenária, gera melhores resultados assistenciais e reduz o custo desnecessário, ao contrário do modelo excessivamente hospitalocêntrico. A grande cirurgia ambulatorial nos EUA, por exemplo, reduziu os custos em mais de 30%, segundo o sistema público Medicare. No Canadá, 83% dos procedimentos cirúrgicos já são realizados em Ambulatory Surgery Centers (ASC). O processo de “desospitalização” teve início na década de 1970 nos EUA, que hoje conta com cerca de 6.500 unidades de cirurgias ambulatoriais. No entanto, aqui no Brasil estamos a dar os primeiros passos mais estruturados. Falta regulamentação, prioridade do poder público, dados confiáveis e adequado entendimento por parte do setor privado dos benefícios técnicos e financeiros dessa modalidade de serviço.

A saúde é essencial e prioritária. Repensar, inovar, assumir riscos e cooperar são ações indispensáveis para enfrentar os desafios do presente e do futuro. É necessário desenvolver um sistema de saúde sustentável, com qualidade de entrega assistencial para a população e racionalidade em suas estruturas. Afinal, todos somos usuários e precisamos que o sistema funcione adequadamente.

*Newton Quadros é graduado em Administração de Empresas, especialista em Qualidade Hospitalar e Governança Corporativa. Além de ser responsável técnico pelo projeto do Neo Life em Brasília e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Ambulatorial (Sobracam).

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