Economista prevê queda no IPCA-15, alta de juros e no PIB dos EUA

Economista prevê queda no IPCA-15, alta de juros e no PIB dos EUA / Foto: Pixabay
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Professor e mestre em Economia Política, André Galhardo, consultor econômico da Remessa Online, traz análises sobre os principais eventos econômicos da semana

Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) deve capturar continuidade da deflação registrada em junho, em função da queda dos preços de commodities e combustíveis. Além do desempenho dos preços de produtos estratégicos, os indicadores de alta frequência mostraram uma variação nula na primeira semana de julho e uma variação de +0,15% na segunda semana. Complementarmente, os dados preliminares do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) apontaram para deflação nas primeiras semanas. Esses dados podem ser suficientes para esperar uma deflação do IPCA-15 referente ao mês de julho.

Espera-se uma alta de 0,25 pontos-base da taxa de juros de referência dos EUA por parte do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC). A inflação anual desacelerou de 4% para 3% em junho, mas ainda se encontra elevada e longe da meta de 2% do Federal Reserve (Fed). Considerando a resiliência da atividade econômica, principalmente pelo mercado de trabalho, são necessários esforços adicionais da autoridade monetária para desacelerar a economia. Além disso, em função das últimas falas do presidente da instituição, Jerome Powell, além deste aumento, outra alta de 0,25 pontos deve ocorrer até o final do ano.

Considerando resiliência do mercado de trabalho americano, o PIB dos EUA deve registrar alta de 1,8% na primeira estimativa referente ao segundo trimestre deste ano. O PIB dos EUA cresceu ao ritmo anualizado de 2% no primeiro trimestre de 2023. O resultado ficou bem acima da estimativa anterior e também da projeção de mercado, que era alta de 1,3% em ambos os casos. No quarto trimestre de 2022, o PIB americano havia mostrado expansão anualizada de 2,6%. O desempenho indica alguma desaceleração, mas reforça especialmente que a atividade econômica estadunidense está bastante forte, como acompanhado pelos indicadores de mercado de trabalho. As projeções para 2023 de grandes bancos, como o Goldman Sachs, foram revisadas para cima e espera-se que a atividade econômica dos EUA cresça 2,2%.

Mais uma alta de 0,25 pontos-base da taxa de juros de referência da Zona do Euro. Desde julho de 2022, a taxa de juros do bloco saiu de 0% ao ano para 4% ao ano, em sucessivos aumentos. Atualmente, a taxa de juros se encontra no patamar de 4% e a inflação ao consumidor está em 5,5%, resultado ainda elevado, mas fruto de uma desaceleração. A política monetária parece surtir efeito, mas ainda demanda esforços adicionais do Banco Central Europeu (BCE).

Dados do setor externo devem registrar novo superávit de aproximadamente US$650 milhões em junho de 2023. Os últimos dados do Banco Central do Brasil referente ao setor externo mostraram um superávit de US$ 649 milhões no mês de maio. Parte importante se deu em função do desempenho expressivo da balança comercial, cujo resultado foi de US$ 9,7 bilhões, de acordo com a métrica do Banco Central, e de US$ 11,1 bilhões pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Tendo em vista que o resultado de junho foi de US$ 10,5 bilhões segundo os resultados preliminares do MDIC e tivemos um fluxo positivo de US$ 2,9 bilhões de entradas no país, há elementos para embasar um novo superávit em junho.

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