El Niño pode impulsionar os preços das commodities agrícolas, analisa Allianz Trade

El Niño pode impulsionar os preços das commodities agrícolas, analisa Allianz Trade/ Foto: Unsplash
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Brasil pode ter melhores colheitas de grãos em 2024 devido a aumento das chuvas

Em geral, os preços das commodities agrícolas permanecerão mais altos e mais voláteis, segundo estudo divulgado na última semana pelos economistas da Allianz Research, parte da Allianz Trade, líder mundial em seguro de crédito.

Segundo os especialistas, embora os preços de algumas commodities tenham começado a diminuir, é esperado que os preços das commodities agrícolas permaneçam mais elevados do que estavam em 2019, devido a fertilizantes caros, um dólar mais fraco e intensa especulação financeira no setor. “Esperamos que os preços do milho alcancem uma média de USD 3,5 por bushel em 2024, os preços da soja atinjam USD 12 por bushel, os preços do trigo atinjam USD 5 por bushel, os preços do açúcar atinjam USD 0,25 por libra, os preços do cacau atinjam USD 4.200 por tonelada e os preços do café atinjam USD 1,4 por libra”, explica Ano Kuhanathan, um dos autores da análise.

O estudo aponta que o fenômeno climático El Niño, que tem sido bastante intenso nos últimos meses (Figura 5), está previsto para continuar pelo menos até abril de 2024 (Figura 6). Isso pode ter um impacto significativo nos preços globais dos alimentos, afetando tanto o fornecimento quanto o custo de várias commodities essenciais.

El Niño pode impulsionar os preços das commodities agrícolas, analisa Allianz Trade/ Foto: Divulgação
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Maiores colheitas no Brasil

O El Niño é tipicamente caracterizado por chuvas anormais e padrões de temperatura voláteis, afetando regiões agrícolas ao redor do mundo e causando flutuações na produção de culturas essenciais. A produção de óleo vegetal, especialmente de óleo de palma no Sudeste Asiático e de óleo de soja nos Estados Unidos, é esperada para diminuir, levando a possíveis aumentos de preços. A produção de açúcar em grandes produtores como Índia e Tailândia também é projetada para diminuir, e na África Ocidental, a redução das chuvas pode afetar a produção de cacau.

“No entanto, o impacto do El Niño não é totalmente negativo. No Brasil, por exemplo, o aumento das chuvas pode resultar em maiores colheitas de cereais essenciais (como milho e trigo) e soja, atenuando as quedas na produção de grãos em outras regiões”, aponta Kuhanathan.

Expectativas para 2024

No geral, para o ano de 2024, os economistas da Allianz Trade esperam que os preços das commodities agrícolas diminuam ligeiramente e se estabilizem em níveis elevados. Em particular, os preços do milho, soja, açúcar e café devem se consolidar à medida que a produção se ajusta para cima devido aos preços elevados, e a demanda do consumidor permanece fraca devido à crise do custo de vida.

O Brasil tem projeções de ter melhores colheitas em 2024, graças ao aumento das chuvas. A Argentina, importante exportadora de produtos de soja, também prevê uma recuperação em suas colheitas. No entanto, espera-se que o trigo enfrente outro ano de déficit, e os preços do açúcar devem cair à medida que a produção se normaliza na Tailândia. O mercado de café provavelmente terá excedente em 2024/25, impulsionado pela recuperação da safra de arábica no Brasil e na Colômbia.

Desafios à vista

No entanto, apesar dessas previsões otimistas, os economistas lembram que o setor agrícola continua enfrentando desafios, como altos custos de insumos, escassez de mão de obra, preços mais altos de energia na Europa e demanda do consumidor mais fraca. A guerra em curso na Ucrânia também continua a afetar os mercados de trigo e a adicionar incertezas ao mercado global. O fator dólar também desempenha um papel importante. Embora a correlação entre o dólar e os preços das commodities alimentares tenha se tornado positiva em 2022 (Figura 7), agora é negativa novamente, em linha com a dinâmica histórica. Como se espera que o dólar se enfraqueça em 2024, isso significa pressões ascendentes para os preços das commodities agrícolas.

Segundo os economistas, o setor alimentício está experimentando uma nova normalidade para as commodities: mais caras do que os níveis pré-pandêmicos e mais voláteis. Desde a pandemia até o início da guerra na Ucrânia, o mercado de commodities agrícolas passou por um percurso acidentado nos últimos três anos. No entanto, o documento aponta que diferentes commodities seguiram trajetórias de preços distintas. Por exemplo, os preços de cereais como milho e trigo foram fortemente impactados pela guerra na Ucrânia: os preços do milho atingiram um pico próximo a USD 7 por bushel em setembro de 2022, e o trigo alcançou ligeiramente acima de USD 8 por bushel um mês depois, em outubro de 2022 (embora ambos ainda estivessem abaixo dos picos históricos de 2012).

Os preços compostos do café atingiram uma alta recorde acima de USD 2 por libra em setembro de 2022, não (diretamente) devido à guerra na Ucrânia, mas em decorrência das más condições climáticas no Brasil, perturbações globais nas cadeias de suprimentos e aumento da demanda. Enquanto isso, os preços do açúcar, cacau, arroz e gado atingiram seus picos nos últimos meses; com exceção dos preços do gado, os demais continuam a subir. Os fertilizantes permanecem caros diante de problemas persistentes no fornecimento. Após atingirem o pico no início de 2022, os preços dos fertilizantes diminuíram, embora ainda se mantenham elevados.

Por fim, o estudo explica que a redução nos preços reflete em parte a demanda reduzida, à medida que os agricultores buscam reduzir custos em um contexto de oferta mais cara e mais limitada em algumas partes do mundo, especialmente em economias emergentes.

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