Emprego: 3ª queda sequencial expõe limite da política monetária em 2026

person in black suit jacket holding white tablet computer
Photo by Towfiqu barbhuiya on Unsplash

“A política monetária pesa diretamente, Selic alta encarece o custo total, reduz apetite a risco e eleva o custo de manter estoque e folha, então a contratação passa a depender de estruturação financeira, não apenas de venda”, Gabriel Padula, CEO do Grupo Everblue.

“Os dados mostram um contraste importante na indústria brasileira. O faturamento segue crescendo, mas o emprego industrial cai pelo 3º mês consecutivo, o que indica que a recuperação do setor não está se traduzindo de forma uniforme na geração de vagas. Esse movimento sugere que parte do crescimento vem de recomposição de preços, maior eficiência operacional e uso mais intenso da capacidade instalada, e não necessariamente de aumento do volume produzido ou expansão estrutural da atividade. A queda do emprego mesmo com faturamento em alta reflete um ambiente de cautela das empresas. Com juros elevados e crédito caro, a indústria tem priorizado produtividade, automação e controle de custos, adiando contratações. Além disso, a incerteza sobre a demanda futura faz com que muitas companhias optem por extrair mais das estruturas existentes antes de assumir compromissos trabalhistas de longo prazo. Os ajustes no emprego sinalizam que 2026 pode começar com um mercado de trabalho industrial mais seletivo. A tendência é de contratações pontuais, focadas em áreas estratégicas, enquanto setores mais sensíveis ao ciclo econômico seguem ajustando quadros. Isso reforça a leitura de uma recuperação gradual, sem forte impulso de expansão do emprego no curto prazo. A política monetária tem papel central nesse cenário. Enquanto os juros permanecerem elevados, o custo do capital seguirá pressionando decisões de investimento e contratação. Uma sinalização mais clara de queda de juros tende a destravar projetos, melhorar a confiança e abrir espaço para retomada mais consistente do emprego. Até lá, a indústria deve continuar crescendo de forma cautelosa, priorizando eficiência e preservação de margens”, André Matos, CEO da MA7 Negócios.

“Segundo dados da CNI, a indústria faturou 1,2% no mês, porém, segue ajustando capacidade, com emprego caindo pela 3ª vez e horas trabalhadas recuando, um sinal de que a reação de receita não virou segurança para ampliar operação. Isso acontece porque, com juros elevados, a gestão financeira vira sobrevivência, as empresas cortam o que é fixo, preservam caixa e buscam produtividade, e a contratação fica condicionada ao fluxo de pedidos mais estável. Para 2026, esse ajuste sugere que o crédito continuará seletivo e que a demanda por liquidez eficiente deve aumentar, especialmente para capital de giro e reorganização financeira. A política monetária pesa diretamente, Selic alta encarece o custo total, reduz apetite a risco e eleva o custo de manter estoque e folha, então a contratação passa a depender de estruturação financeira, não apenas de venda. Nesse contexto, soluções via securitização e FIDCs ajudam a reduzir fricção, melhorar previsibilidade e sustentar crescimento mesmo sob um ciclo ainda restritivo”, Gabriel Padula, CEO do Grupo Everblue.

 “Os dados da CNI mostram uma indústria com receita reagindo na margem, alta de 1,2% em novembro, mas com o lado humano do balanço ainda em retração, queda de 0,2% no emprego pelo 3º mês seguido, e massa salarial acumulada em 2025 recuando 2,3%. Esse desencaixe costuma aparecer quando o faturamento melhora por recomposição de preços, mix de produtos e eficiência, não por aumento consistente de volume. Em juros altos, a empresa protege caixa, automatiza, renegocia custos e posterga contratações, porque o custo de errar em capacidade fica caro. Para 2026, ajustes contínuos no emprego sugerem crescimento mais seletivo e foco em produtividade, não em expansão de quadros. Se a política monetária seguir restritiva, o empresário contrata só quando a demanda estiver comprovada, e a retomada de vagas tende a ficar para depois do ciclo de queda de juros ganhar tração”, João Kepler, CEO da Equity Group.

“O quadro descrito pela CNI é típico de um ciclo em que a indústria tenta manter faturamento no curto prazo, mas corta risco no médio, emprego caindo há 3 meses e horas trabalhadas recuando 0,7% entre outubro e novembro. Isso revela que a melhora de receita não virou confiança para ampliar capacidade, porque o juro elevado alonga o payback e reduz a tolerância a capital empatado. Para 2026, esse tipo de ajuste aponta para empresas mais avessas a crédito caro, alongando prazos e exigindo previsibilidade antes de contratar. Para o mercado de FIDCs, a mensagem é de maior demanda por soluções que transformem recebíveis em liquidez com governança, ajudando a indústria a financiar capital de giro sem pressionar a estrutura bancária tradicional. Política monetária restritiva eleva o custo de carregamento do estoque e torna a contratação uma decisão que precisa vir acompanhada de caixa, margem e visibilidade de pedidos”, Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos.

“A economia brasileira continua a mostrar sinais de contrastes, refletindo o impacto das decisões de política monetária sobre diferentes setores. Enquanto o faturamento da indústria apresenta crescimento, a queda nas contratações revela as dificuldades que o setor enfrenta, especialmente em um cenário de juros elevados. Com o custo do crédito alto, o consumo das famílias diminui, o ritmo da produção desacelera e, consequentemente, a demanda por mão de obra diminui. Esse movimento não é imediato, mas sim um reflexo gradual do ciclo de alta da taxa Selic, cujos efeitos já começam a ser evidentes nos dados do setor. Embora o aumento no faturamento seja uma boa notícia, é importante observar que ele está parcialmente impulsionado por fatores sazonais, como o pagamento do 13º salário, o que gera um aumento temporário no poder de compra das famílias. Esse impulso momentâneo favorece as vendas, mas não altera a dinâmica da produção nem gera uma demanda sustentada por novos trabalhadores. O cenário para 2026 aponta para uma expectativa de redução da taxa de juros, o que deve trazer um certo alívio. No entanto, o custo elevado do crédito continuará a pesar sobre a economia e a indústria, que deverá manter um ritmo de crescimento moderado. O impacto dos cortes na taxa Selic será gradual e, portanto, as empresas deverão continuar a focar em aumentar a eficiência, melhorar a produtividade e realizar contratações de forma seletiva, priorizando a adaptação à realidade atual”, Peterson Rizzo, Gerente de R.I da Multiplike.

“A fotografia da CNI mostra que o faturamento melhora no mês, mas o emprego cai pela 3ª vez seguida e a massa salarial recua 2,3% no acumulado de 2025, indicando que a indústria ainda opera com prudência e baixo apetite a custo fixo. Isso acontece porque, em juros altos, empresas priorizam eficiência, renegociação e ajuste de capacidade, e qualquer expansão de equipe exige visibilidade de demanda, não apenas 1 mês positivo de receita. Para 2026, o sinal é de um crescimento mais comedido, com decisões financeiras mais racionais e foco em projetos que tenham retorno claro, prazo definido e proteção de caixa. A política monetária é decisiva aqui, juros elevados prolongam a cautela e empurram contratações para o fim da fila, enquanto um ciclo de queda, quando bem comunicado, destrava confiança e antecipa decisões de investimento. Para quem planeja patrimônio e projetos de longo prazo, esse ambiente reforça a importância de estruturas previsíveis, com disciplina de fluxo e estratégia, porque o custo do dinheiro muda o ritmo de todas as escolhas”, Pedro Ros, CEO da Referência Capital.

“O recuo do emprego por 3 meses, apesar do faturamento em alta no mês, indica que a indústria está operando em modo defensivo, buscando eficiência e preservação de caixa em um cenário de custo de dinheiro elevado. O próprio acumulado do ano, faturamento de apenas 0,3%, sugere que ainda falta consistência para transformar receita em expansão de capacidade, e por isso a contratação não acontece. Para 2026, ajustes no emprego sinalizam seletividade maior, tanto no mercado de trabalho quanto no crédito, com empresas mais exigidas em garantias, prazos e governança para financiar capital de giro. Política monetária restritiva aperta spreads, encurta a paciência e aumenta a triagem, e isso empurra companhias a buscar estruturas mais inteligentes de liquidez. Nesse ambiente, crédito estruturado e FIDCs ganham relevância por conectar necessidade real de capital a investidores, desde que com qualidade de lastro e transparência, justamente o tipo de disciplina que o ciclo está exigindo”, Gustavo Assis, CEO da Asset Bank.

“Os números da CNI mostram que a indústria entra em 2026 com uma mensagem dupla, faturamento reage no curto prazo, mas emprego cai pelo 3º mês, o que indica incerteza sobre a continuidade da demanda. Em juros altos, empresas protegem caixa e adiam contratações porque o custo de capital aumenta e a margem de erro diminui, e a melhora de receita pode vir de eficiência, não de expansão. Isso importa para o ecossistema de inovação porque, quando a indústria corta vagas e horas, ela também fica mais seletiva em projetos, compras e investimentos, e passa a buscar soluções que reduzam custo, elevem produtividade e deem previsibilidade. Para 2026, o ajuste no emprego sugere que o ciclo de crescimento será mais técnico, com automação, dados e reengenharia substituindo expansão de headcount. A política monetária é o volante, se os juros permanecerem altos, a contratação segue contida, se houver sinal firme de queda, a confiança volta e a demanda por tecnologia e eficiência tende a acelerar antes mesmo de o emprego virar”, Antonio Patrus, Diretor da Bossa Invest.

“O recente crescimento do faturamento da indústria mostra que a atividade está voltando, mas a queda no emprego industrial por 3 meses consecutivos revela um setor cauteloso e em adaptação estrutural. Juros altos reduzem incentivos para novas contratações, e empresas buscam eficiência antes de ampliar quadro. Em 2026, uma combinação de juros mais baixos e retomada mais firme da demanda será necessária para que o emprego industrial acompanhe o crescimento de faturamento”, Sidney Lima, Analista da Ouro Preto Investimentos.

“O dado mais importante é o contraste, faturamento sobe 1,2% em novembro, mas o emprego cai pelo 3º mês e o ano termina com massa salarial menor, 2,3% de recuo, o que sinaliza desaceleração difusa. Em geral, isso ocorre quando a receita vem de ajustes de preço e eficiência, enquanto a demanda não cresce o suficiente para justificar contratações, ainda mais com horas trabalhadas caindo 0,7% no mês. Para 2026, esse comportamento indica uma economia que pode crescer com freio, e isso afeta a leitura de alocação, favorece estratégia de longo prazo e seletividade em renda variável, com atenção a empresas de qualidade e menor dependência de crédito. A política monetária entra direto na decisão de contratar, juro alto encarece o capital, pressiona margens e transforma folha em risco, então o empresário adia expansão até ver inflação e juros convergindo. Para o investidor, acompanhar essa dinâmica ajuda a calibrar a exposição via ETFs, privilegiando diversificação, horizonte e disciplina em vez de tentar prever uma virada pontual do ciclo”, Fábio Murad, Economista e CEO da Super-ETF Educação.

Total
0
Shares
Anterior
Avanços tecnológicos e mudanças sociais impulsionam novas carreiras e redefinem funções no mercado de trabalho até 2026
person holding orange flower petals

Avanços tecnológicos e mudanças sociais impulsionam novas carreiras e redefinem funções no mercado de trabalho até 2026

Saiba como a requalificação e a inteligência estratégica estão moldando os

Próximo
Portal Trampolim oferece 2,7 mil vagas em cursos profissionalizantes gratuitos no estado de São Paulo
Foto: Divulgação

Portal Trampolim oferece 2,7 mil vagas em cursos profissionalizantes gratuitos no estado de São Paulo

Inscrições estão abertas até o dia 5 de fevereiro e devem ser feitas pelo site

Veja também