Levantamento aponta que 77% das empresas da América Latina enfrentaram atrasos em 2025, com prazos médios de recebimento chegando a quase 60 dias
O início do ano costuma funcionar como um termômetro da saúde financeira das empresas, e 2026 começa com sinais de alerta. Dados divulgados pela Serasa no início de janeiro mostram que o Brasil alcançou a marca de mais de 73 milhões de consumidores inadimplentes, o maior número já registrado. O impacto é sentido diretamente pelas empresas após o período de compras sazonais de fim de ano. Isso porque grande parte dessas vendas é realizada com prazos de pagamento mais longos, fazendo com que o caixa seja pressionado justamente nos primeiros meses do ano, quando as despesas se acumulam.
“Quando o prazo se alonga demais, o problema deixa de ser comercial e passa a ser financeiro. Muitas empresas vendem bem, mas não conseguem transformar essas vendas em caixa no tempo certo”, afirma Ticiana Amorim, CEO e fundadora da Aarin, primeiro hub tech-fin especializado em Pix e Embedded Finance no Brasil.
Janeiro e fevereiro concentram despesas fixas, impostos e reorganização do orçamento das famílias, o que eleva o risco de atrasos nos pagamentos. Para as empresas, isso se traduz em um volume maior de contas a receber com menor previsibilidade, afetando decisões como investimentos, contratações e planejamento financeiro ao longo do ano.
Por esse motivo, empresas têm revisado políticas de concessão de prazo, formas de recebimento e processos de cobrança como parte da estratégia financeira. A revisão inclui desde critérios mais claros no momento da venda até maior controle sobre a jornada de pagamento do cliente, com foco em reduzir atrasos e melhorar a previsibilidade do caixa.
No pós-compra, o uso de tecnologia tem ajudado a tornar esse controle mais eficiente. A integração de meios de pagamento digitais, o acompanhamento automatizado dos recebíveis e a organização dos prazos de pagamento permitem identificar atrasos com mais rapidez e agir antes que eles comprometam o caixa. Ao reduzir processos manuais e oferecer alternativas mais simples para o pagamento, as empresas ganham visibilidade sobre o que têm a receber e diminuem o risco de inadimplência ao longo dos primeiros meses do ano.
Entre as práticas que vêm ganhando espaço em 2026 estão a automação dos fluxos de recebimento, a viabilização de modelos de pagamento recorrente e a redução de atritos no momento do pagamento. O uso mais inteligente de dados também tem apoiado decisões mais criteriosas sobre concessão de prazos e previsibilidade dos recebíveis, ajudando as empresas a proteger o caixa no período pós-sazonal.
“O que aparece agora é uma postura mais cautelosa das empresas em relação a prazo. Há menos espaço para alongamentos automáticos e mais atenção ao equilíbrio entre vender, receber e sustentar o caixa ao longo do ano”, conclui Amorim.
