Estudo da Deloitte aponta modernização, IA e sustentabilidade como pilares estratégicos do setor de seguros em 2026

Estudo da Deloitte aponta modernização, IA e sustentabilidade como pilares estratégicos do setor de seguros em 2026 / Foto: Drew Beamer / Unsplash Estudo da Deloitte aponta modernização, IA e sustentabilidade como pilares estratégicos do setor de seguros em 2026 / Foto: Drew Beamer / Unsplash
Foto: Drew Beamer / Unsplash

Segundo a pesquisa Global Insurance Outlook 2026, para manter competitividade e resiliência, seguradoras precisarão acelerar modernização tecnológica, rever modelos de negócio e fortalecer parcerias estratégicas

A indústria de seguros se encontra diante de um cenário de mudanças estruturais profundas, marcado por incertezas econômicas, aumento da frequência de eventos climáticos, consolidação de corretores e expectativas crescentes dos clientes por experiências mais digitais, personalizadas e integradas. É o que revela o estudo “Global Insurance Outlook 2026”, da Deloitte, organização com o portfólio de serviços profissionais mais diversificado do mercado, que analisa os principais desafios e oportunidades para seguradoras nos próximos anos.

De acordo com o levantamento, o setor enfrenta uma fase de pressão crescente sobre as margens, impulsionada por perdas relacionadas ao clima, inflação, questões regulatórias e desaceleração do crescimento dos prêmios. Globalmente, a expectativa é de que o crescimento dos prêmios caia de 4,7% em 2024 para 2,3% em 2026 no segmento de seguros patrimoniais e de responsabilidade (P&C). Já no mercado de Vida e Anuidades, a projeção é de desaceleração de 6,1% para 2,4% no mesmo período.

Nesse contexto, o estudo aponta que, para manter competitividade e resiliência, as seguradoras precisarão acelerar a modernização tecnológica, rever modelos de negócio e fortalecer parcerias estratégicas.

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IA avança, mas exige bases sólidas

A inteligência artificial segue como um dos principais vetores de transformação do setor. Globalmente, a Deloitte estima que o uso de IA, especialmente em frentes como detecção de fraudes, pode gerar economias da ordem de US$ 160 bilhões até 2032. Além disso, tecnologias como IA generativa, IoT e analytics avançado já vêm sendo aplicadas para prevenção de riscos, precificação mais precisa e melhoria da experiência do cliente.

O estudo destaca ainda que o sucesso da IA depende diretamente de fundamentos robustos de dados, arquitetura tecnológica moderna e governança. Esse cenário também se reflete no Brasil, uma vez que o mercado nacional ainda está em um estágio inicial de adoção dessas tecnologias, principalmente devido à necessidade de modernização dos sistemas centrais das seguradoras.

“Existe um grande interesse das seguradoras brasileiras em utilizar inteligência artificial, mas, na prática, o setor ainda está muito focado em resolver questões estruturantes, como qualidade de dados, governança e transformação dos sistemas core, muitos deles com décadas de defasagem tecnológica. A IA já aparece em pilotos e aplicações pontuais, mas ainda não em larga escala. O fato é que não é possível escalar o uso de IA sem antes tratar do principal, que é a estrutura, e criar uma base sólida”, aponta Rodrigo Tabarez, sócio-líder da indústria de seguros da Deloitte.

Regulação, open insurance e novos modelos de distribuição impulsionam o mercado brasileiro

O mercado brasileiro de seguros vem apresentando características próprias, mesmo compartilhando alguns desafios enfrentados globalmente, especialmente no campo regulatório. Diferentemente de outros países, iniciativas como o open insurance são fortemente impulsionadas pelo órgão regulador brasileiro, a Susep, e fazem parte de um plano estratégico que visa ampliar a participação do setor no PIB brasileiro para 10% até 2030 — hoje em torno de 6,7%.

Outro destaque é a evolução do SRO (Sistema de Registro de Operações), que caminha para uma versão ainda mais robusta, permitindo acompanhamento quase em tempo real das operações do mercado. Esse ambiente cria oportunidades para maior transparência, uso intensivo de dados e desenvolvimento de produtos mais aderentes ao perfil de risco dos consumidores.

Outros serviços que continuam ganhando força no Brasil são modelos como embedded insurance e microsseguros, que integram a oferta de seguros a jornadas de outros setores, como varejo, mobilidade, utilities e serviços digitais. Segundo Tabarez, esses modelos são fundamentais para ampliar o acesso ao seguro e aumentar a conscientização da população sobre prevenção de riscos.

Sustentabilidade e seguros verdes entram no centro da estratégia

A agenda de sustentabilidade também passa a ocupar papel maior no setor de seguros. O aumento da frequência e da severidade de eventos climáticos extremos tem pressionado seguradoras e reforçado a necessidade de soluções voltadas à prevenção de riscos climáticos.

Além do desenvolvimento de novos produtos, o estudo indica que a sustentabilidade tende a se consolidar como um eixo estratégico transversal no setor de seguros, influenciando desde a precificação até os modelos de subscrição e gestão de riscos. Globalmente, seguradoras vêm ampliando o uso de dados climáticos, sensores e modelos preditivos para antecipar eventos extremos e reduzir perdas, reforçando uma abordagem mais preventiva do seguro.

No Brasil, esse movimento se traduz no avanço dos chamados “seguros verdes”, que incluem produtos voltados a veículos elétricos, práticas agrícolas sustentáveis e iniciativas alinhadas a critérios ESG. Tais iniciativas, aliadas ao uso de tecnologia e analytics, contribuem não apenas para mitigar riscos climáticos, mas também para ampliar a conscientização da população sobre prevenção e resiliência, apoiando o crescimento sustentável do setor no longo prazo. “O crescimento dos riscos climáticos e os recentes eventos extremos no país ampliam a percepção da importância do seguro, ao mesmo tempo em que impulsionam o desenvolvimento de produtos mais sustentáveis”, destaca o especialista.

Os impactos da Reforma Tributária no setor

Mudanças no ambiente fiscal e regulatório também são apontadas no estudo e devem seguir no radar das seguradoras em 2026. No Brasil, ainda que os impactos da Reforma Tributária sobre o setor de seguros tendam a ser menos significativos do que em outras indústrias, o estudo aponta que o novo ambiente fiscal exigirá maior integração entre as áreas tributária, financeira e tecnológica das companhias. A adaptação a novas regras reforça a importância de sistemas mais flexíveis, dados confiáveis e governança robusta, especialmente em um setor altamente regulado como o de seguros.

Nesse sentido, a modernização dos sistemas centrais e a revisão de processos operacionais aparecem como fatores críticos para garantir conformidade regulatória, eficiência operacional e capacidade de resposta às mudanças fiscais previstas para os próximos anos.

O futuro do setor passa por modernização e foco no cliente

Segundo os dados da pesquisa, a combinação de modernização tecnológica, transformação da força de trabalho, parcerias estratégicas e centralidade no cliente será essencial para que as seguradoras prosperem em 2026. A transição de um modelo reativo, focado apenas em indenizações, para uma abordagem proativa de prevenção de riscos tende a se consolidar como um dos principais diferenciais competitivos do setor.

“O futuro do seguro passa por combinar tecnologia avançada com empatia, personalização e novas formas de distribuição. As seguradoras que conseguirem equilibrar esses elementos estarão mais bem posicionadas para crescer de forma sustentável”, conclui Tabarez.

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