País despenca 41 posições no Allianz Social Resilience Index, ficando atrás de pares como China e Índia em estabilidade institucional
O Brasil apresentou um dos desempenhos mais preocupantes no Índice de Resiliência Social (SRI) 2025, realizado pelo time de economistas da Allianz Research, divisão de pesquisa macroeconômica da Allianz Trade, líder mundial em seguro de crédito. De acordo com o relatório Allianz Social Resilience Index 2025: The Middle-Resilience Trap, divulgado nesta semana, o país sofreu a pior deterioração das 171 economias analisadas, caindo 8,7 pontos e 41 posições no ranking global em apenas um ano, passando do 71º para o 112º lugar.
Em uma visão de longo prazo, os autores apontam quatro trajetórias em resiliência social: países com baixa resiliência em recuperação (por exemplo, Romênia e Arábia Saudita); países em maior enfraquecimento (por exemplo, Nigéria e Brasil); países com alta resiliência consolidando sua força (por exemplo, Alemanha e Finlândia); e países em declínio (por exemplo, Canadá e Suécia). Com uma pontuação de 40,0 (em uma escala de 0 a 100), o Brasil está no limiar da divisão dos países de média e baixa resiliência, posicionando-se significativamente abaixo de outros mercados emergentes como a China (59º) e a Índia (81º).
Principais Indicadores do Brasil
Os autores do estudo apontam que, na análise de duas décadas (2005-2025), o Brasil foi posicionado no cluster de “países de baixa resiliência em deterioração”, acumulando uma queda total de 9,8 pontos no período.
“As instituições brasileiras são relativamente fortes, mas o baixo crescimento da produtividade, a polarização e as preocupações com a segurança limitam a resiliência do país por conta de pressões fiscais e instabilidade macroeconômica persistentes”, explicam os economistas.
A América Latina, liderada negativamente por países como o Brasil, Guatemala e Colômbia, apresenta o menor nível de coesão social do mundo (30,5 pontos), refletindo desigualdade estrutural, criminalidade e baixa confiança nas instituições. Ciclos repetitivos de protestos no Chile e no Peru também testaram a credibilidade institucional.
O SRI como indicador de alerta antecipado e recuperação
Para além dos resultados macroeconômicos e dos mercados financeiros, o SRI (Índice de Resiliência Social) também pode servir como um indicador de alerta antecipado que prenuncia crises sistêmicas, ao mesmo tempo que revela assimetrias de recuperação, nas quais as sociedades se reerguem mais rapidamente do que os seus Estados (entes soberanos).
Os autores explicam que, embora os protestos e a agitação social representem as manifestações mais visíveis de uma resiliência social comprometida, eles constituem apenas a “ponta do iceberg”. Capturar riscos latentes e sinais emergentes em diversas geografias pode ajudar a identificar ameaças cruciais antes que elas se materializem em eventos de crise.
Segundo os pesquisadores, deteriorações acentuadas nas pontuações de SRI ou níveis persistentemente baixos podem prenunciar crises sistêmicas mais amplas e picos no risco-país: “Essas tendências de deterioração costumam preceder defaults soberanos, instabilidade política ou colapso econômico em 12 a 24 meses, proporcionando uma janela crítica para a mitigação de riscos”.
O relatório mostra ainda que as melhorias na resiliência social tendem a superar a normalização dos spreads de risco soberano após crises ou defaults. Esta divergência revela que as sociedades possuem capacidades adaptativas fundamentais que lhes permitem uma recuperação mais rápida do que a solvência financeira de seus governos, um dado crucial para investidores com horizontes de longo prazo.

