Lançamento do Centro Brasileiro de Estudos de Risco e Resiliência do IRB(Re) reuniu academia e setor segurador no Rio e marcou também o anúncio do novo centro FGV Riscos Climáticos
O IRB(Re) lançou, nesta segunda-feira (3/3), no Maravalley, no Rio de Janeiro, o Centro Brasileiro de Estudos de Risco e Resiliência, iniciativa dedicada a articular academia, setor público, setor privado e sociedade civil na produção de conhecimento aplicado à gestão de riscos no país.
O evento reuniu representantes de órgãos reguladores, centros de pesquisa e instituições acadêmicas, a exemplo da Fundação Getulio Vargas, que, na ocasião, também anunciou a criação de um novo centro voltado a estudar riscos climáticos, adaptação e mitigação.
Durante a cerimônia, o IRB(Re) reforçou que o novo centro nasce com foco especial na compreensão dos riscos climáticos e na produção de soluções capazes de apoiar políticas públicas, iniciativas regulatórias e instrumentos de proteção financeira.
Ao comentar a relevância estratégica do centro recém-lançado, Mauricio Quintella, presidente do conselho de administração do IRB(Re), destacou o papel histórico da instituição no ecossistema segurador brasileiro:
“O mundo mudou e os riscos mudaram. O IRB(Re) sempre foi a espinha dorsal da inteligência brasileira na indústria do seguro, e o que vemos aqui neste lançamento é essa inteligência reunida – academia, parceiros, executivos – trabalhando pelo país.”
O CEO do IRB(Re), Marcos Falcão, lembrou que o cenário climático global exige novas abordagens metodológicas: “Para proteger o futuro, precisamos reinventar a forma de entender e modelar riscos.” Falcão reforçou ainda o problema da baixa proteção securitária no país: “Uma sociedade como a nossa, tão desenvolvida em tantos setores, continua profundamente subsegurada. Precisamos mudar isso com ciência, tecnologia e cooperação.”
Anúncio do novo centro da FGV ocorre durante o evento
A cerimônia do IRB(Re) também marcou o anúncio de uma nova iniciativa da Fundação Getulio Vargas: o Centro de Estudos de Riscos Climáticos, Adaptação e Mitigação (FGV Riscos Climáticos), que será desenvolvido pelo Instituto de Inovação em Seguros e Resseguros (FGV IISR) em parceria com o IRB(Re).
A diretora de Pesquisa e Inovação da FGV, Goret Paulo, apresentou a ideia do centro e destacou que a criação da unidade responde diretamente ao aumento da frequência e severidade dos desastres ambientais no Brasil:
“Eventos climáticos extremos estão cada vez mais frequentes. O ecossistema está mudando, e precisamos direcionar nosso esforço de pesquisa para enfrentar esses desafios que se colocam para a sociedade”, disse Goret que também participa do Conselho Consultivo do FGV IISR.
O anúncio reforça a ampliação da cooperação entre o IRB(Re) e a FGV, que já atuam conjuntamente em estudos, capacitação técnica e projetos envolvendo seguro rural, econometria climática e modelagem de risco.
Estrutura e foco científico do FGV Riscos Climáticos
O novo centro da FGV está organizado em três pilares científicos. O primeiro dedica-se à modelagem de risco físico, combinando simulações estocásticas, dados observacionais e metodologias de catastrophe modeling para estimar probabilidades, severidade e perdas econômicas de eventos extremos.
O segundo pilar aplica econometria climática avançada, voltada para instabilidades, não-linearidades e efeitos em cascata, produzindo previsões robustas e inferência causal sobre impactos ambientais e socioeconômicos.
Já o terceiro transforma esses riscos em implicações macrofinanceiras, com estudos sobre solvência, ativos, regulação prudencial, modelos de transferência de risco e métricas aplicáveis a testes de estresse prudenciais e políticas públicas.
Segundo Goret Paulo, ampliar a base de conhecimento é essencial para enfrentar gargalos históricos do país:
“O Brasil tem um enorme gap de cobertura na área de seguros que precisa ser diminuído. Para isso, estamos mobilizando nossos mais de 700 pesquisadores na FGV e, ao mesmo tempo, investindo em mudar a cultura, ampliando a educação e a capacitação em seguros.”
Rede de parceiros e próximos passos
O FGV Riscos Climáticos já nasce conectado a uma rede multidisciplinar de parceiros estratégicos, entre eles a Columbia University e a Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas do Município de São Paulo (SGM/SECLIMA). A expectativa é ampliar a colaboração para o desenvolvimento de modelos inovadores, formação de recursos humanos e suporte à formulação de políticas públicas.
O Centro Brasileiro de Estudos de Risco e Resiliência, do IRB(Re), também terá foco na construção de uma rede nacional de pesquisadores e parceiros, envolvendo universidades, empresas, governos e organizações da sociedade civil.
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