FIIs: Setor bate 3 milhões de investidores e R$ 200 bilhões de estoque

Anita Scal, sócia e diretora de investimentos imobiliários da Rio Brav/ Foto: Divulgação
Anita Scal, sócia e diretora de investimentos imobiliários da Rio Brav/ Foto: Divulgação

“Nosso objetivo é criar cada vez mais alternativas para uma carteira diversificada lastreada em ativos reais”, diz Anita Scal, sócia e diretora de investimentos imobiliários da Rio Bravo

A marca histórica de 3 milhões de investidores em Fundos Imobiliários (FIIs), registrada no Boletim Mensal de FIIs da B3 de janeiro de 2026, divulgado recentemente, consolida este veículo como um dos principais pilares da democratização do mercado de capitais. O salto é agressivo: em 2019, eram pouco mais de 1 milhão de investidores, já em 2022, o número passou para 1,9 milhão, atingindo agora os 3,033 milhões. Esse avanço de 200% demonstra que o investidor pessoa física compreendeu a proposta de valor dos ativos reais. O mercado não apenas cresceu em volume de pessoas, mas em oferta de produtos, com o número de fundos disponíveis para negociação subindo de 418 para 434 no último ano. O boletim também mostra que o estoque de FIIs é composto majoritariamente por pessoas físicas, sendo mais de 72% do total, com investidores institucionais vindo na sequência, com 21% da posição em custódia na B3. Esse cenário reflete uma mudança estrutural na cultura financeira do país, onde a busca por renda mensal isenta de IR e lastreada em imóveis, com um ticket de entrada baixo, democratiza o acesso de investidores com valores cada vez menores.

Para Anita Scal, sócia e diretora de investimentos imobiliários da Rio Bravo, os dados revelam uma maturidade do varejo brasileiro. “Atingir mais de 3 milhões de investidores é a prova de que o brasileiro passou a enxergar os FIIs como ferramenta para construção de patrimônio. A indústria também acompanhou essa sofisticação, e hoje tem um número grande de fundos com novas propostas e estratégias. Fazemos isso há mais de 20 anos e acompanhamos essa evolução da indústria com muito orgulho e satisfação. Nosso objetivo é criar cada vez mais alternativas para uma carteira diversificada lastreada em ativos reais”, afirma. Anita destaca ainda que a resiliência do setor, que manteve a base acima de 2,8 milhões de cotistas durante todo o ano de 2025, prova que o investidor não foge mais na primeira oscilação da Selic, focando na proteção contra a inflação e nos contratos de longo prazo. “Outro número interessante da B3 é que 75% das pessoas físicas que investem em FIIs possuem até R$ 40 mil na classe. 50% possuem até R$ 5 mil. Ou seja, é um veículo acessível, de entrada, que permite às pessoas uma grande diversificação e acesso a veículos mais sofisticados com um ticket baixo”, completa Anita.

A sofisticação do ecossistema é visível na pulverização das teses de investimento entre os R$ 200 bilhões em ativos sob custódia na B3. Hoje, o investidor brasileiro transita entre galpões logísticos, lajes corporativas, shoppings e todo tipo de imóvel, crédito imobiliário, com a mesma facilidade que aplicava na poupança. “Estamos vivendo uma profissionalização onde a oferta acompanha a demanda por transparência. O aumento no número de fundos mostra que o mercado brasileiro está criando escala para competir com modelos globais, como os REITs americanos. O FII deixou de ser um produto de nicho para se tornar a porta de entrada definitiva para a renda variável, oferecendo uma liquidez que o mercado imobiliário tradicional nunca conseguiu entregar”, afirma Anita.

O fato de o mercado ter mantido uma trajetória ascendente entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, mesmo sob incertezas macroeconômicas, sugere que o setor imobiliário listado encontrou um patamar de sustentabilidade inédito. Para o mercado financeiro, o recado dos 3 milhões de CPFs é claro: os Fundos Imobiliários deixaram de ser uma alternativa secundária para se tornarem o termômetro mais fiel da confiança do brasileiro na economia real. A tendência agora é a migração de grandes fortunas para fundos mais líquidos, consolidando o setor como o porto seguro da diversificação patrimonial no Brasil.

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