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Fluxo muda de perfil e cria “duas bolsas” no país na visão de XP e Kinea

Fernando Ferreira, estrategista chefe da XP (esq) e Rafael Oliveira, gestor da Kinea, durante gravação do Kinea em Ação/ Foto: Divulgação
Fernando Ferreira, estrategista chefe da XP (esq) e Rafael Oliveira, gestor da Kinea, durante gravação do Kinea em Ação/ Foto: Divulgação

Mudança na dinâmica de capital estrangeiro reforça disparidade entre grandes empresas e ações domésticas na B3

A bolsa brasileira atravessa um momento de forte valorização, mas com uma dinâmica interna cada vez mais desigual. Na avaliação de especialistas da XP e da Kinea, a mudança no perfil do fluxo estrangeiro em 2026 criou um efeito de “duas bolsas” no país, com desempenho concentrado em grandes empresas enquanto outros papéis permanecem para trás.

De acordo com Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP, o movimento atual é marcado por uma predominância de investimentos passivos, via ETFs e compra de índice, diferentemente do observado no ano passado. “O fluxo de 2026 é muito mais passivo. Isso fez com que os grandes papéis do índice, como bancos e empresas de commodities, descolassem bastante do restante da bolsa”, disse durante a gravação do ‘Kinea em Ação’, podcast da gestora focado em renda variável.

Na visão de Rafael Oliveira, gestor da Kinea, essa distorção reflete um estágio inicial do ciclo de alocação estrangeira no Brasil. “Quando o fluxo entra via índice, ele naturalmente concentra nos nomes mais líquidos. Em algum momento, o investidor ativo tende a buscar valor relativo e olhar para as ações que ficaram para trás”, afirma.

Movimento estrutural favorece o Brasil

Por trás desse fluxo, há uma mudança mais ampla no cenário global. A perda de força do dólar e a busca por diversificação têm levado investidores internacionais a reduzir exposição aos Estados Unidos e aumentar posições em mercados emergentes.

“Estamos vendo uma realocação relevante de portfólios globais. Esse movimento é mais estrutural do que tático e tende a se prolongar ao longo do tempo”, diz Ferreira.

Dentro desse contexto, a América Latina — e especialmente o Brasil — ganha destaque pela combinação de exposição a commodities, valuation mais atrativo e perspectiva de queda de juros.

“O Brasil acabou se beneficiando de um fator que antes era visto como negativo: a baixa exposição a tecnologia. Em um momento de incerteza sobre o impacto da IA, ativos mais tradicionais ganham relevância”, diz Ferreira.

Valuation neutro, com espaço para alta

Após a forte alta recente, o Ibovespa se aproxima de níveis considerados neutros em termos de valuation. Ainda assim, os especialistas apontam que há espaço para valorização adicional, dependendo da continuidade do fluxo estrangeiro e da trajetória dos juros de longo prazo.

A XP projeta crescimento de lucros de cerca de 6% em 2026, com potencial superior a 20% em setores domésticos, o que pode sustentar uma nova etapa de alta do mercado.

Para Rafael Oliveira, o momento exige uma leitura mais seletiva. “O investidor precisa ir além do índice. A próxima fase da bolsa deve ser mais guiada por fundamentos e crescimento de lucros do que apenas por expansão de múltiplos”, afirma.

Cenário eleitoral entra no radar

Ao longo do ano, o ambiente doméstico tende a ganhar mais peso na precificação dos ativos, especialmente com a aproximação das eleições. Historicamente, o período pré-eleitoral aumenta a volatilidade, à medida que o mercado passa a reagir às pesquisas e ao cenário político.

Ainda assim, na avaliação dos especialistas, o Brasil segue bem-posicionado no cenário global, com fundamentos que continuam atraindo capital estrangeiro — ainda que com uma dinâmica mais complexa dentro da própria bolsa.

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