Gastos de planos de saúde com medicamentos crescem de forma generalizada, aponta estudo do IESS

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Foto: Marcelo Leal no Unsplash

Análise revela expansão contínua do componente medicamentoso em todos os tipos de contratação e modalidades de operadoras, com destaque para terapias oncológicas

As despesas com medicamentos realizadas pelas operadoras de planos de saúde registraram crescimento contínuo e generalizado entre 2019 e 2024, atingindo todos os tipos de contratação e modalidades de operadoras, segundo o estudo Panorama das Despesas com Medicamentos na Saúde Suplementar Brasileira (2019–2024), do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). A íntegra do estudo está disponível neste endereço.

No acumulado do período analisado, os gastos com medicamentos cresceram 77,4% nos planos individuais ou familiares, 68,1% nos planos coletivos empresariais e 57,6% nos planos coletivos por adesão, evidenciando a expansão generalizada do componente medicamentoso no conjunto da saúde suplementar, considerando os diferentes tipos de contratação que compõem o setor. “O estudo mostra que o crescimento das despesas com medicamentos não está restrito a um segmento específico do mercado, mas se manifesta de forma consistente em toda a estrutura da saúde suplementar”, afirma José Cechin, superintendente executivo do IESS.

Apenas em 2024, o estudo identificou aproximadamente R$ 20,35 bilhões em despesas com medicamentos, considerando a soma dos gastos observados nos tipos de contratação analisados, em valores reais corrigidos para preços de 2025. Desse volume, 50% corresponderam a despesas de planos coletivos empresariais, 28% a planos individuais ou familiares e 22% a planos coletivos por adesão. Essa distribuição ocorre em um contexto no qual os planos coletivos empresariais concentravam 72% dos beneficiários da saúde suplementar, enquanto os planos individuais ou familiares respondiam por 16,8% da base, e os planos coletivos por adesão, por 11,2%.

“Quando comparamos a participação nos gastos com o tamanho das carteiras, fica claro que planos com base menor e mais envelhecida tendem a apresentar despesas proporcionais mais elevadas com medicamentos”, observa Cechin. “Isso expressa o desafio da negociação entre a saúde suplementar e os fornecedores de medicamentos”.

Importante ressaltar que a base de dados utilizada para o estudo, da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), não possibilita a consolidação das despesas assistenciais da saúde suplementar como um todo, nem permite dimensionar qual é a participação dos medicamentos no total dos gastos do setor. Dessa forma, a análise concentra-se exclusivamente na evolução, na distribuição e no comportamento das despesas com medicamentos, sem comparação direta com os demais componentes assistenciais.

A análise per capita reforça a heterogeneidade entre os tipos de contratação. Em 2024, as despesas médias anuais com medicamentos por beneficiário atingiram R$ 765 nos planos coletivos por adesão, R$ 654 nos planos individuais e R$ 272 nos planos coletivos empresariais.

O estudo destaca ainda o avanço expressivo das despesas com medicamentos utilizados em terapias oncológicas, com crescimento acumulado superior a 120% em diversos segmentos entre 2019 e 2024. A expansão ocorreu de forma consistente em todos os tipos de contratação e modalidades de operadoras, indicando uma tendência estrutural de elevação desse componente assistencial. “A evolução dos gastos com medicamentos oncológicos reforça que esse componente se tornou um dos principais vetores de pressão sobre as despesas assistenciais, exigindo acompanhamento contínuo e análise estruturada”, destaca José Cechin.

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