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Geopolítica e Diversificação: Fórum da ADVB analisa impactos da ratificação do acordo Mercosul-UE

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Evento reuniu lideranças e especialistas para debater a competitividade nacional e a nova inserção estratégica do Brasil no cenário global

Após mais de duas décadas de negociações, o comércio exterior brasileiro alcançou um marco histórico. Na última terça-feira (17), foi promulgado o decreto legislativo (PDL 41/2026) que ratifica o Acordo Provisório de Comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Para analisar os reflexos práticos dessa integração, a Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB) e o Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (IRICE) realizaram, ontem (19), o 1º Fórum de Debates: Discutindo o Brasil.

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A abertura do encontro marcou também o início da gestão “ADVB Avança”. Em seu discurso, o presidente da entidade, Lívio Giosa, destacou o compromisso em preparar o setor produtivo. “Trazer especialistas para entender o ‘estado da arte’ deste acordo permite que o empresariado e os órgãos públicos iniciem a transformação necessária para tornar esse tratado uma realidade factual e qualitativa”, afirmou.

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O embaixador Rubens Barbosa, presidente do conselho do IRICE e primeiro coordenador nacional do Mercosul, trouxe uma perspectiva histórica e estratégica, classificando o acordo como uma alternativa vital à atual dependência comercial. “Hoje, temos cerca de 10% do nosso comércio com os Estados Unidos e quase 30% com a China.

O acordo com a Europa permite diversificar nossos parceiros e cooperar em áreas como tecnologia e comunicação, equilibrando nossa inserção internacional”, explicou. Barbosa ressaltou que, embora o mercado europeu seja colossal — com um PIB de US$ 17 trilhões —, o Brasil enfrentará desafios em cotas e barreiras ambientais. “Exigências como as leis de desmatamento e o mecanismo de ajuste de carbono (CBAM) agora poderão ser discutidas e negociadas dentro do âmbito do acordo, com mecanismos próprios para a solução de controvérsias.”

A análise técnica foi complementada pela economista Juliana Inhasz (Insper), que alertou para os custos de adequação industrial e a necessidade de rastreabilidade no agronegócio. “O acordo é uma estratégia geopolítica que transcende o âmbito econômico, mas evidencia o contraste entre a alta tecnologia europeia e o perfil agroexportador do Mercosul. Teremos desafios significativos, especialmente na adaptação aos custos industriais e ao impacto da reforma tributária (IBS)”, pontuou.

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Já o ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, reforçou que o país está preparado devido à sua alta produtividade, mas previu um período de transição de 15 anos.

“Apesar da enorme diversidade regional, o Brasil é competitivo. Nossa preocupação central deve ser o pequeno produtor; se a tecnologia não for acessível, o acordo pode gerar exclusão social. O desafio é garantir escala e certificação para que todos possam competir”, ressaltou.

No âmbito local, André Aleotti, da São Paulo Negócios, destacou que a capital paulista já se posiciona como um hub para grupos estrangeiros que buscam o Brasil como plataforma de exportação para a Europa. “Nosso foco é reduzir a complexidade para as PMEs, lançando guias sobre práticas sustentáveis e preparando o empresariado para aproveitar tarifas preferenciais e o mercado de licitações públicas”, afirmou.

Com entrada em vigor prevista para os próximos 60 dias, o acordo prevê a redução de tarifas para 91% dos produtos importados pelo Mercosul e 95% pela União Europeia. O fórum encerrou-se com o consenso de que, embora o caminho técnico seja longo, a parceria com a Europa é a via mais sólida para o crescimento sustentável e a modernização da economia brasileira.

Os painéis foram mediados pelo jornalista Heródoto Barbeiro e contaram com a participação de Guilherme Soria Bastos Filho (FGV Agro), consolidando uma manhã de discussões essenciais para o planejamento estratégico das empresas nacionais.

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