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Geração Z é a mais insatisfeita com o bem-estar e a menos ativa fisicamente, aponta pesquisa

Luis Gonzalez, CEO e cofundador da Vidalink/ Foto: Divulgação
Luis Gonzalez, CEO e cofundador da Vidalink/ Foto: Divulgação

3ª edição do estudo revela escalada geracional de sentimentos negativos e alerta: 39% não fazem nada pela saúde mental

 Jovens são mais conscientes sobre saúde mental, mas também mais vulneráveis ao sofrimento emocional. É o que mostra a 3ª edição do Check-up de Bem-Estar da Vidalink, maior pesquisa de bem-estar corporativo do país, com 11.600 trabalhadores de 250 empresas de grande porte.  Do total de participantes que responderam ao questionário online pelo aplicativo da Vidalink entre janeiro e junho de 2025, 51% são homens e 49% são mulheres. O perfil dos entrevistados contempla 52% de millennials, 24% de geração X, 17% de geração Z, 5% de baby boomers e 2% indefinido.

A análise por gerações revela que quanto mais jovem o trabalhador, pior a percepção de bem-estar. A Geração Z é a mais insatisfeita: 30% declaram insatisfação com o próprio bem-estar, contra 25% entre os millennials e 17% na Geração X. Apenas 21% dos jovens se consideram satisfeitos.

As diferenças raciais acentuam a insatisfação entre os mais jovens. Entre os profissionais da Geração Z, 36% dos pretos e pardos estão insatisfeitos com o bem-estar, contra 32% dos brancos. “O bem-estar é também uma questão de equidade e acesso, que deve estar no centro das estratégias de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI)”, diz Luis Gonzalez, CEO e cofundador da Vidalink.

O levantamento também mostra uma escalada de sentimentos negativos: 72% das mulheres e 51% dos homens da Geração Z relatam emoções negativas na maior parte dos dias, o índice mais alto entre todas as faixas etárias. Na saúde física, o cenário é semelhante: 24% afirmam estar insatisfeitos com o corpo ou disposição, e apenas 26% das mulheres praticam exercícios regularmente.

Mais preocupante, 39% das mulheres e 35% dos homens da Geração Z dizem não fazer nada pela saúde mental, apesar de falarem mais abertamente sobre o assunto no mercado de trabalho. Para o CEO, isso representa um alerta em relação ao acesso dos trabalhadores ao cuidado da saúde mental no dia a dia.

Mais conscientes, porém emocionalmente exaustos

Os jovens cresceram em um ambiente de alta exposição digital, crises globais e pressão por performance precoce, fatores que amplificam quadros de ansiedade, insegurança e baixa autoestima.

Para Renata Rivetti, autora e especialista na ciência da felicidade, a Geração Z tenta construir formas mais humanas de trabalhar, com propósito e autonomia, mas a consciência sobre saúde mental ainda não se traduz, na prática, em cuidado consistente.

 “A Geração Z tem uma leitura muito lúcida das oportunidades de mudança no mundo do trabalho, e isso é algo que precisamos aprender com eles. Mas, ao mesmo tempo, eles também precisam contar com lideranças que cultivem segurança psicológica, para que possam sustentar suas escolhas e pedir apoio quando necessário”, analisa Renata Rivetti.

Rivetti explica o que pode estar por trás da escalada de infelicidade nessa geração: “Um dos fatores mais relevantes é a crise de sentido. Um estudo da Harvard Graduate School of Education mostrou que 58% dos jovens adultos relataram ter vivido pouca ou nenhuma sensação de propósito no mês anterior. Vivemos um paradoxo: nunca tivemos tantas possibilidades e, ainda assim, muitos jovens sentem um vazio existencial profundo”, analisa.

Segundo a especialista, a aceleração tecnológica e o volume de estímulos diários contribuem para esse afastamento de si. “Estamos imersos na era digital, com acesso a tecnologias avançadas e à inteligência artificial generativa. Em vez de ganharmos tempo para focar no que realmente importa, muitos de nós estamos apenas sobrevivendo à rotina. Procuramos o sentido da vida como se houvesse uma resposta única, quando talvez a construção importante seja encontrar sentido na vida, no cotidiano, nas relações e nas escolhas reais”, diz Rivetti.

A solidão aparece como outro fator crítico. “A crise da solidão e a crise de sentido caminham juntas. A sociedade ainda não entendeu a urgência desse tema e o impacto que ele terá no futuro da Geração Z e, consequentemente, no futuro de todos nós”, afirma.

Para Rivetti, o contexto macro também pesa:  “Além disso, os jovens enfrentam simultaneamente instabilidade econômica, crise climática, desigualdade crescente, sobrecarga e alta pressão por resultados. Esse conjunto de fatores cria um ambiente emocionalmente desafiador, que exige respostas mais estruturadas das empresas e da sociedade”, complementa.

Empresas têm papel decisivo na virada de chave

Para Luis Gonzalez, o avanço desses indicadores exige ação imediata por parte das empresas. “A geração Z apresenta os piores indicadores tanto de saúde física quanto mental, algo que merece atenção para adaptar os programas de bem-estar às necessidades atuais desse grupo, bem como considerar as particularidades da intergeração no ambiente de trabalho”, afirma.

De acordo com o executivo, o cuidado precisa ser contínuo e integrado à estratégia de gestão de pessoas. Entre as práticas mais eficazes, estão políticas claras de acolhimento, com canais de escuta, acesso a psicólogos e campanhas internas permanentes.“O colaborador precisa saber que pode pedir ajuda e será acolhido com segurança e confidencialidade”, reforça Gonzalez.

Outra frente é ir além do plano de saúde tradicional, com programas que abordem aspectos físicos e emocionais. Benefícios de bem-estar 360º, integrando acesso a academias, plataformas online de exercícios físicos, terapia, planos alimentares, planos de medicamentos e atividades de  desenvolvimento pessoal e profissional fortalecem o acesso aos recursos de autocuidado.

Gonzalez também destaca o papel das lideranças na identificação de sinais de sofrimento e na adoção de medidas preventivas. “O exemplo da liderança em pequenas práticas do dia a dia, como pausar quando não se sente bem, compartilhar vulnerabilidades e evitar comportamentos tóxicos no ambiente de trabalho, faz muita diferença na sustentação de um ambiente saudável”, afirma.

A flexibilidade no trabalho e o respeito ao tempo pessoal também aparecem entre as práticas que ajudam a prevenir a exaustão. “Trabalho híbrido quando condizente às necessidades do time, horários flexíveis para realizar consultas médicas e uma cultura que valoriza o descanso são medidas simples que geram impacto real”, diz Gonzalez.

O Check-up de Bem-Estar é lançado anualmente e ajuda a mapear tendências, orientar políticas internas e inspirar o mercado a evoluir na direção de ambientes de trabalho mais humanos, saudáveis e inclusivos.“O futuro do trabalho será construído por organizações que cuidam das pessoas. O bem-estar não é mais um diferencial, é um pilar estratégico de sustentabilidade e reputação”, conclui Luis Gonzalez.

Clique aqui para conferir o estudo completo.

 

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