Executiva conta que começou no INSS aos 14 anos, defende proximidade real com parceiros e detalha as prioridades dos primeiros 90 dias, com diagnóstico de carteira, expansão com rentabilidade e rotina comercial guiada por indicadores
A Mapfre inicia um novo ciclo na região de Campinas com Glaucia Zoboli à frente da sucursal. Em entrevista exclusiva ao Universo do Seguro, a executiva descreve a mudança como um movimento de responsabilidade e construção de resultados com base em relacionamento, inteligência comercial e apoio constante ao canal corretor.
A trajetória, segundo ela, ajuda a explicar o tom da agenda que pretende imprimir na região. “Comecei minha trajetória muito cedo, aos 14 anos, no INSS, em Araçatuba, no interior de São Paulo. Foi ali, convivendo com os corretores de seguros, que entendi algo que levo comigo até hoje: por trás de cada contrato existe uma família buscando segurança ou uma empresa garantindo sua continuidade”, relembra.
Ao longo de mais de duas décadas no setor, em quatro estados, Glaucia reforça que essa percepção só se consolidou. “Depois de mais de duas décadas no mercado segurador, atuando em quatro estados e fazendo grandes parceiros, meu respeito pelos corretores só aumentou. Eles realmente são os protagonistas da proteção no Brasil. Estão na ponta, ouvindo o cliente, entendendo a necessidade real e precisando de suporte e agilidade”, ressalta.
Campinas como vitrine de oportunidades
A escolha por Campinas, na visão da executiva, não é apenas geográfica. A cidade aparece como um ponto de convergência entre indústria, tecnologia e serviços, com uma dinâmica empresarial que exige leitura fina de risco e oferta bem calibrada de produtos. “Campinas, por si só, já é um grande estímulo. É um dos principais polos econômicos do país, com PIB superior a R$ 70 bilhões, forte presença industrial, tecnológica e empresarial. É uma região madura, mas que ainda tem muito espaço para crescer”, observa.
Ela também associa o desafio ao momento de transformação vivido pela companhia, citando mudanças internas e liderança regional como parte do contexto que motivou a decisão. “O que me motivou foi enxergar claramente o momento de transformação que a companhia vem vivendo, sob a liderança da Karine Brandão e do Leonardo Marins em São Paulo e interior, além de várias iniciativas voltadas ao fortalecimento do time Mapfre como um todo”, pontua.
Primeiros 90 dias: ouvir, diagnosticar e estruturar crescimento
A palavra de ordem, no início do ciclo, é escuta combinada com método. Glaucia descreve um plano que começa por entendimento profundo do território, do perfil da base e do desenho de carteira. “Nesses primeiros 90 dias, quero principalmente ouvir e entender. Fazer um diagnóstico profundo da carteira e da base de corretores, analisar concentração, mix de produtos e identificar oportunidades de cross selling”, detalha.
Na sequência, a gerente aponta que pretende amarrar expansão à rentabilidade, com rotina comercial mais previsível. “Também estruturar um plano de expansão com foco em rentabilidade, priorizando os segmentos estratégicos. A proximidade com os principais parceiros será essencial, com agenda ativa e acompanhamento próximo das metas e necessidades. E, claro, organizar uma rotina comercial com indicadores claros, para dar mais previsibilidade e consistência aos resultados”, completa.
Potencial do mercado em 2026 e os segmentos que devem acelerar
Ao olhar para 2026, Glaucia enxerga um cenário favorável para seguros em uma região economicamente complexa e diversificada como Campinas. Ela cita projeções setoriais e argumenta que a maturidade local tende a puxar um crescimento com mais qualidade. “O mercado de seguros no Brasil tem crescido acima do PIB nacional, com projeções de expansão entre 9% e 12% ao ano, segundo dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg). Em regiões economicamente maduras como Campinas, esse crescimento tende a ser ainda mais qualificado”, contextualiza.
Sobre os ramos com mais tração, a executiva aponta uma combinação de demanda empresarial, risco patrimonial e adensamento urbano. “Vejo bastante força no Seguro Empresarial Massificado e PME, acompanhando o crescimento das empresas locais. Equipamentos e riscos patrimoniais também devem avançar, especialmente ligados à indústria e tecnologia. O residencial ganha espaço com o adensamento urbano e a valorização imobiliária. E o auto continua sendo relevante, mas com foco cada vez maior em rentabilidade, retenção e recorrência”, projeta.
O que muda para o corretor: proximidade, inteligência comercial e capacitação
Questionada sobre mudanças práticas sob sua liderança, Glaucia organiza a resposta em três frentes, começando pela presença real no relacionamento, com rotina de campo e acompanhamento contínuo. “O primeiro é proximidade de verdade: agenda ativa, presença em campo e acompanhamento constante dos resultados”, garante.
A segunda frente envolve uso de dados com objetivo comercial, conectando leitura de carteira a ação. “O segundo é inteligência comercial aplicada no dia a dia. A Mapfre conta com um time dedicado aos números, que pensa diariamente na melhoria comercial, está sempre no suporte Brasil para levar o melhor às sucursais. Com isso, podemos, de maneira contínua, utilizar dados para analisar carteira, identificar oportunidades e planejar o crescimento de forma estratégica. Tecnologia e informação não vendem sem ação, mas o corretor preparado e informado vende”, explica.
A terceira linha mira capacitação orientada por resultado e ampliação de portfólio. “E o terceiro ponto é capacitação com foco em resultados. Treinamentos direcionados para ampliar portfólio, desenvolver abordagem consultiva e fortalecer o posicionamento estratégico”, acrescenta.
Início de ciclo: campanhas, diversificação e mais previsibilidade
Na agenda de curto prazo, a executiva menciona campanhas estruturadas, incentivo à diversificação e integração entre especialistas para reforçar um atendimento mais consultivo. A lógica, segundo ela, é fazer o corretor enxergar a Mapfre como parceira de crescimento e não apenas como fornecedora de produto. “Neste início de ciclo, o foco está na ampliação de campanhas estruturadas de crescimento, no incentivo à diversificação de carteira, na integração entre especialistas para oferecer um atendimento mais consultivo e em trazer mais previsibilidade com acompanhamento próximo. A ideia é que o corretor se sinta apoiado, tenha clareza de estratégia e enxergue a Mapfre como parceira real de crescimento, estaremos juntos nessa missão de transformar e cuidar”, sintetiza.
“Seguro protege o que não tem preço”
Ao final da entrevista, Glaucia Zoboli amplia a lente para além de metas e portfólio e coloca o seguro como um elemento silencioso de continuidade. “Muitos dizem que seguro é proteção patrimonial, mas para mim, seguro protege o que não tem preço: a paz de uma família, a coragem de empreender, o futuro que alguém ainda está construindo… Seguro é um cuidado invisível que sustenta sonhos visíveis a continuarem”, conclui.
