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I Fórum de Previsão de Riscos Climáticos destaca integração entre ciência, tecnologia e mercado para enfrentar eventos extremos

Foto: Painel 3 reúne representantes de algumas das empresas clientes da MeteoIA. Na foto estão ainda os diretores Daniel Protasio, Thomás Martin e Gabriel Perez./ Foto: Divulgação
Foto: Painel 3 reúne representantes de algumas das empresas clientes da MeteoIA. Na foto estão ainda os diretores Daniel Protasio, Thomás Martin e Gabriel Perez./ Foto: Divulgação

Evento com curadoria MeteoIA reuniu especialistas e lideranças em São Paulo, marcando novo capítulo para a adaptação climática no Brasil

O I Fórum de Previsão de Riscos Climáticos, realizado em 25 de novembro no Hub Green Sampa, em São Paulo, consolidou-se como um marco na discussão nacional sobre como ciência, dados e tecnologia podem transformar a gestão de riscos climáticos. Organizado pela MeteoIA, com o apoio da ADESAMPA (Agência São Paulo de Desenvolvimento) e da ABGR (Associação Brasileira de Gerência de Riscos), o evento reuniu pesquisadores, gestores públicos, executivos, especialistas em infraestrutura e representantes do mercado de seguros para debater caminhos que permitam antecipar, mitigar e responder aos impactos crescentes dos eventos extremos.

Logo na abertura, a MeteoIA reforçou o caráter simbólico de realizar o encontro no espaço onde começou sua trajetória em 2017, então uma incubada do programa Green Sampa. “Este evento foi idealizado para estimular a reflexão sobre a resiliência climática e apresentar estudos científicos que buscam antecipar e mensurar os impactos financeiros e sociais dos eventos climáticos severos”, destacou o diretor Comercial da MeteoIA, Daniel Protasio.

A diretora da ADESAMPA, Musa Miranda, reforçou a relevância do espaço para o ecossistema de inovação da cidade. “É um tema tão importante que hoje é uma necessidade. Para nós, é uma grande honra receber vocês em um espaço tão simbólico para o empreendedorismo sustentável”, afirmou.

Durante a contextualização inicial, Protasio reforçou que eventos extremos deixaram de ser exceções. O mundo perdeu US$ 202 milhões por dia entre 1970 e 2019 em desastres climáticos; o número de desastres aumentou mais de 80% em vinte anos, afetando mais de 100 milhões de pessoas por ano; e, no Brasil, entre 2014 e 2023, foram R$ 421 bilhões em danos materiais.

Além disso, destacou o caráter econômico da adaptação: “Cada R$ 1 não investido hoje em adaptação custará de R$ 4 a R$ 7 nos próximos anos. O alerta baseado em dados é claro: o clima já mudou e o custo da inação é alto”, afirmou.

Observações de desastres e cálculos de riscos

O primeiro painel abordou como transformar dados em métricas e modelos que orientam prevenção, resposta e políticas públicas. Dr. Thomas Martin, cofundador da MeteoIA e PhD em Ciências Atmosféricas, mediou o painel e ressaltou o simbolismo do local: “É realmente muito emblemático estar aqui, porque este edifício era um antigo lixão. Hoje, ele representa inovação e soluções para problemas que antes agravava”, afirmou.

Francinelli Francisco, doutoranda em Ciências Ambientais e pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), por meio do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), apresentou a Plataforma AdaptaBrasil, mostrando a estrutura de indicadores de risco e sua aplicação no planejamento público. Em sua fala, destacou: “A capacidade adaptativa é o único fator inverso ao risco. Quanto maior ela é, menor tende a ser o risco e é por aí que começa qualquer processo de adaptação”. Ela reforçou a urgência do tema: “Os eventos estão cada vez mais frequentes e mais intensos. O primeiro passo é entender esses riscos e onde eles ocorrem para planejarmos ações eficazes”.

Gustavo Bourdot Back, especialista em Engenharia Geotécnica e Defesa Civil do CEPED/UFSC (Centro de Estudos e Pesquisas em Engenharia e Defesa Civil da Universidade Federal de Santa Catarina), enfatizou desafios estruturais no registro de desastres, ao apresentar o Atlas de Desastres. “Uma concessionária registra um evento de um jeito, outra registra de outro. Falta padronização e isso afeta tudo: modelagem, prevenção e planejamento territorial”, apontou. Ele reforçou que a qualidade dos dados é a base de qualquer estratégia: “Se o registro não é uniforme, a decisão também não será”.

Ao fechar o painel, Thomás Martin sintetizou a mensagem central: “Sem dados de qualidade, não há cálculo de risco confiável. A integração entre academia, municípios e sistemas de defesa civil é urgente para reduzir vulnerabilidades”.

Inteligência artificial aplicada na previsão de riscos climáticos

O segundo painel apresentou como algoritmos avançados elevam a precisão dos modelos e ampliam a capacidade de antecipação. O painel foi mediado por Dr. Gabriel Perez, cofundador da MeteoIA e PhD em Ciências do Clima, que relembrou a evolução tecnológica: “Quando comecei meu mestrado em 2016, o uso de IA para previsão ainda era desacreditado. Hoje, treinamos modelos que prevêem ameaças climáticas de curto e longo prazo com precisão inédita”.

Paola Bueno, doutoranda em Ciências Atmosféricas, pesquisadora do Grupo de Estudos Climáticos (GrEC) do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG/USP), especialista em previsões sazonais e sub-sazonais, apresentou ganhos recentes no uso de machine learning. “A IA consegue aprender padrões que antes eram impossíveis de captar nos modelos tradicionais. Isso amplia a previsibilidade e melhora a tomada de decisão meses à frente”, declarou.

O pesquisador Elton Escobar, pós-doutorando do CEMADEN (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), trouxe a perspectiva operacional do monitoramento em tempo real. “O grande desafio agora é a previsão contínua, com um único sistema capaz de capturar desde as próximas horas até as tendências de longo prazo”, explicou. Elton também destacou a dificuldade dos eventos inéditos: “Precisamos prever fenômenos fora do domínio histórico. Esse é o limite atual e onde a IA tem enorme potencial”.

Os três convergiram ao lembrar episódios recentes de São Sebastião e Rio Grande do Sul: “Nenhum modelo físico ou algorítmico conseguiu antecipar a magnitude total do que aconteceu. Isso mostra como precisamos evoluir para prever o imprevisível”, resumiu Gabriel Perez.

Previsão para ação: inteligência preditiva contra mudanças climáticas

O terceiro e último painel mostrou como setores estratégicos já utilizam dados climáticos para reduzir riscos, proteger ativos e tomar decisões. Mediado por Márcia Ribeiro, diretora de Riscos e Empreendedorismo da ABGR (Associação Brasileira de Gerência de Riscos), o painel reuniu infraestrutura, construção civil e seguros. Ao abrir o debate, Márcia afirmou: “Aqui é a prática. Estamos falando de quem usa esses dados para proteger vidas, ativos e operações”.

Mariana Bosso, gerente de Capex (investimentos) e Ativos do Grupo Arteris, apresentou o uso intensivo das previsões da MeteoIA: “Nossos ativos rodoviários precisam funcionar independentemente do tempo. As previsões nos permitem agir antes: fechar faixas, emitir alertas, planejar obras e priorizar os taludes mais sensíveis”, explicou.

Eduardo Galeskas, gerente de Sustentabilidade da incorporadora Mitre Realty, trouxe os riscos da construção em altura: “Cair um material de um prédio de 40 andares vira uma arma. Com previsões de vento e chuva, conseguimos planejar fases críticas da obra e reduzir riscos para trabalhadores e para a cidade”, afirmou.

Raidel Báez Prieto, especialista em Riscos Climáticos e Seguros Paramétricos da Howden Re Brasil, destacou o desafio técnico do setor: “Paramétricos exigem simplicidade para o cliente final e complexidade suficiente para resseguradoras internacionais auditarem. Isso só é possível com dados sólidos, inteligência artificial e rigor estatístico”, explicou.

Ciência, mercado e gestão pública em um mesmo caminho

No encerramento, Gabriel Perez reforçou a missão da MeteoIA:

“Estamos tentando construir uma ponte entre academia e mercado. Sem essa conexão, soluções não chegam onde precisam chegar”, afirmou.

Thomas Martin agradeceu aos parceiros e lembrou a trajetória da empresa: “Criar tecnologia brasileira, fomentar ecossistemas de adaptação e prevenção… esse sempre foi o sonho. E hoje vemos isso ganhando forma”.

A conclusão dos sócios sintetizou o espírito do evento: “O Brasil já tem ciência, tecnologia e especialistas. Agora precisa usar. A integração entre academia e mercado é indispensável e começou a se fortalecer aqui”.

O encontro terminou com um convite coletivo: transformar conhecimento em ação e acelerar a construção de uma sociedade mais segura, resiliente e preparada para os eventos extremos que já fazem parte do nosso cotidiano.

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