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IA começa a provar valor na saúde suplementar e pode mudar a lógica de prevenção no setor

IA começa a provar valor na saúde suplementar e pode mudar a lógica de prevenção no setor / Imagem gerada por Inteligência Artificial IA começa a provar valor na saúde suplementar e pode mudar a lógica de prevenção no setor / Imagem gerada por Inteligência Artificial
Imagem gerada por Inteligência Artificial

Levantamento da operadora Alice aponta avanço no controle de doenças crônicas e mostra como a inteligência artificial começa a ganhar espaço prático na jornada assistencial e no rastreamento preventivo

A inteligência artificial começa a sair do campo das promessas para ocupar um espaço mais concreto na saúde suplementar brasileira. Esse movimento ganhou novo capítulo com a divulgação de um levantamento inédito da Alice, operadora que acompanhou quase 80 mil pessoas ao longo de 2025 e passou a apresentar indicadores clínicos pouco usuais no setor, como controle glicêmico, pressão arterial controlada e taxas de reinternação. A iniciativa lança luz sobre um debate cada vez mais relevante para o mercado: de que forma tecnologia, atenção primária e coordenação do cuidado podem contribuir para melhorar desfechos de saúde e reduzir agravamentos entre pacientes com doenças crônicas.

De acordo com os dados divulgados pela empresa, 69% dos membros com hipertensão mantiveram a pressão arterial controlada, acima da média nacional de 54%. Entre os pacientes com diabetes, a taxa de internação ficou em 37 por 100 mil membros, desempenho que, segundo a operadora, corresponde a um terço da média observada em países da OCDE. Já no controle da obesidade, 14% dos membros reduziram mais de 5% do peso corporal sem cirurgia em pelo menos 10 meses. Outro dado destacado foi a ausência de reinternação em 30 dias entre membros com hipertensão após internação.

O estudo atribui parte importante desses resultados ao fortalecimento da atenção primária e à atuação do Médico de Família e Comunidade, profissional responsável por coordenar a jornada assistencial junto a enfermeiros, especialistas e ferramentas digitais. Segundo o levantamento, 71% das consultas de membros com hipertensão foram realizadas com esse profissional, assim como 67% das consultas de diabéticos e 69% das de pacientes com obesidade. Para a companhia, esse modelo favorece acompanhamento contínuo, maior aderência ao tratamento e respostas mais rápidas antes do agravamento dos quadros.

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No caso do diabetes, um dos principais indicadores clínicos analisados foi a hemoglobina glicada, exame que mede a média da glicemia nos últimos meses. Entre os membros que realizaram o teste, 60% apresentaram glicemia controlada em 2025. Ainda segundo a empresa, 83% dos pacientes com diabetes fizeram o exame nos últimos 12 meses, enquanto 81% passaram por ao menos uma consulta com especialista-chave no período. Para o cofundador e COO da Alice, Matheus Moraes, os dados mostram que há espaço para evolução no setor. “A saúde suplementar no Brasil tem um espaço enorme para evoluir e a principal alavanca dessa evolução é fazer a coordenação do cuidado, colocando as pessoas no centro”, afirmou.

A inteligência artificial aparece no levantamento como uma das apostas mais relevantes da operadora para ampliar eficiência em prevenção. Desde outubro de 2025, um agente de IA passou a apoiar a identificação de mulheres elegíveis com exames em atraso, além de atuar no esclarecimento de dúvidas e no agendamento. Com isso, 61% das mulheres elegíveis entre 40 e 69 anos realizaram a mamografia, enquanto 62% fizeram o papanicolau conforme protocolo. A operadora informou ainda que a próxima etapa do projeto mira um grupo de cerca de 4 mil mulheres que precisam realizar simultaneamente os dois exames, após ajustes na base de dados.

Neste sentido, a IA tende a ganhar relevância quando deixa de atuar apenas em frentes administrativas e passa a apoiar jornadas clínicas e preventivas. Por isso, o uso da tecnologia pode abrir novas possibilidades para a saúde suplementar, especialmente em um cenário marcado pelo aumento das doenças crônicas, pela pressão sobre custos assistenciais e pela necessidade de modelos mais sustentáveis de cuidado. “A Alice foi construída como um sistema de saúde. Atenção primária forte, tecnologia que integra dados clínicos e profissionais que acompanham cada pessoa ao longo do tempo”, destacou Moraes.

Os dados também reforçam uma tendência que deve ser acompanhada de perto pelo mercado segurador: a busca por maior transparência em indicadores clínicos e por evidências concretas de que inovação pode gerar impacto mensurável. Em um ambiente em que prevenção, experiência do usuário e sustentabilidade financeira caminham cada vez mais juntas, iniciativas desse tipo tendem a alimentar uma discussão mais ampla sobre como a inteligência artificial poderá redesenhar a lógica do cuidado e influenciar, de forma progressiva, o futuro da saúde suplementar no Brasil.

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