Os desafios são duplo sistema, split payment e a incerteza no setor de serviços segundo o presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação
Com o início da fase de testes da Reforma Tributária em janeiro deste ano, o Brasil entra, oficialmente, em um cenário de “duplo sistema” – que promete sobrecarregar a estrutura operacional das empresas. A análise do presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), Gilberto Luiz do Amaral, aponta que o país enfrentará em 2026 o maior custo de conformidade, o gasto de tempo e dinheiro para pagar impostos, já registrado na história.
A partir deste mês, as empresas precisam conviver com a apuração dos tributos atuais (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) simultaneamente à nova alíquota de teste de 1% (referente à CBS federal e ao IBS estadual/municipal).
Amaral lista os três desafios críticos de 2026. Segundo ele, o primeiro é o custo do “Duplo Sistema”. Nós não estamos apenas trocando um sistema por outro; estamos forçando as empresas a manterem duas máquinas fiscais rodando ao mesmo tempo. Isso exige novos softwares, treinamentos de equipes e um monitoramento constante para evitar bitributação”, afirma o presidente.
O segundo é a Revolução do Split Payment. Em que a implementação do pagamento imediato do tributo no ato da transação bancária altera drasticamente o fluxo de caixa. E é neste ponto em que o IBPT alerta que empresas que não adaptarem sua gestão financeira podem sofrer crises de liquidez já no primeiro semestre.
O terceiro desafio, na análise do Instituto é a incerteza no setor de serviços. “Com a nova sistemática de créditos, o setor de serviços, este que é o maior empregador do país, inicia o ano sob pressão para decidir entre absorver o aumento da carga ou repassá-la integralmente ao consumidor final”, aponta.
A transição
Para auxiliar o mercado e a imprensa a navegarem neste novo mar de normas, o IBPT intensificou o uso de sua base de dados e algoritmos de Inteligência Fiscal. O objetivo é dar transparência aos números que, muitas vezes, ficam ocultos sob a complexidade técnica da transição.
“A Reforma Tributária é necessária, mas o ‘pedágio’ operacional de 2026 será pesado. O empresário brasileiro é um sobrevivente, mas este ano ele precisará de tecnologia e informação precisa para não sucumbir à burocracia do período de teste”, conclui Amaral.
