Especialista alerta para o perigo de judicializar ativos de baixa viabilidade enquanto créditos recuperáveis são negligenciados
O setor de saúde suplementar encerrou o último ciclo com um cenário de pressão extrema sobre as margens. Segundo dados do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a judicialização da saúde mantém uma curva ascendente, ultrapassando a marca de 500 mil novos processos anuais. Contudo, o impacto financeiro mais severo não reside apenas nas condenações, mas na gestão ineficiente e não estratégica dos créditos a receber.
Peterson dos Santos, advogado especialista em Recuperação de Ativos e Sócio-Diretor da Eckermann & Santos, observa que muitas instituições de saúde operam com um “ponto cego” estratégico. “Há uma tendência de judicialização automática de carteiras inadimplentes sem uma análise prévia de viabilidade. Isso gera um custo processual e administrativo que, muitas vezes, supera o valor recuperável, enquanto créditos com alto potencial de liquidez expiram por falta de uma abordagem técnica e fundamentada”, explica o executivo.
O cenário exige que hospitais, laboratórios e operadoras tratem a recuperação de ativos como parte integrante do Ciclo de Receita Hospitalar (CRH). A expertise em gestão de grandes carteiras demonstra que a recuperação em escala depende de inteligência de dados para priorizar o que realmente traz fôlego ao caixa. “O objetivo não é apenas o êxito processual, mas a recomposição da saúde financeira da operação, evitando que o jurídico se torne um centro de custos adicional em um setor de margens já reduzidas”, conclui Peterson dos Santos.
