Confira artigo de Rodrigo Costa, CTO & Head de Digital Business da Kron Digital
A logística está entrando em uma nova era em que velocidade, precisão e previsibilidade definem o sucesso. A capacidade de analisar informações em tempo real e antecipar cenários transforma operações antes reativas em processos mais ágeis e estratégicos, capazes de se adaptar rapidamente às mudanças do mercado e às demandas do consumidor. Nesse contexto, o uso estruturado de dados passa a orientar decisões e a aprimorar continuamente a execução das operações.
O avanço de modelos generativos e sistemas inteligentes amplia a visão operacional das empresas ao permitir a identificação precoce de situações críticas, a antecipação de falhas e a redefinição de rotas antes que impactos ocorram. A simulação de trajetos em tempo real combina variáveis como tráfego, condições climáticas, restrições operacionais e prioridades de entrega, oferecendo uma leitura mais ampla do ambiente operacional, que vai além do planejamento tradicional.
À medida que essas operações se tornam mais dinâmicas, o processo decisório deixa de depender exclusivamente de estruturas fixas, permitindo ajustes de forma contínua, tanto nos processos logísticos quanto nas rotas, garantindo maior precisão e consistência nas ações, sem depender apenas de modelos tradicionais de planejamento.
Operações orientadas por dados em tempo real
Soluções de roteirização passaram a processar volumes muito maiores de informações em poucos segundos. O que antes exigia análises extensas agora acontece em poucos segundos, permitindo encurtar distâncias percorridas, reorganizar janelas de entrega e elevar a confiabilidade das operações. Os ganhos se refletem na eficiência operacional e na experiência percebida pelo cliente.
Esse avanço também redefine a forma como variáveis como consumo de combustível e metas ambientais são incorporadas ao dia a dia. A análise simultânea de diferentes cenários, apoiada por dados históricos, informações climáticas e projeções preditivas, viabiliza escolhas mais equilibradas antes da definição dos trajetos. O resultado é uma operação mais eficiente, sustentável e alinhada aos objetivos estratégicos das organizações.
Mesmo com esse progresso, a adoção plena dessas tecnologias ainda enfrenta desafios estruturais. A complexidade das operações e a coexistência de múltiplos sistemas dificultam a integração eficiente das soluções. Estudos da Gartner indicam que apenas uma parcela das empresas conta com uma estratégia clara para orientar o uso da tecnologia, o que mantém muitas iniciativas fragmentadas e com resultados limitados.
A falta de padronização de dados e a resistência à mudança seguem como entraves relevantes. Sem investimentos consistentes em governança da informação, capacitação e revisão de processos, os benefícios tendem a se diluir. Para que a inteligência artificial gere resultados sustentáveis, é fundamental fortalecer a base de dados, alinhar fluxos internos e preparar as equipes para utilizar a informação de forma estratégica.
Mercado avança para modelos mais inteligentes
Apesar dos desafios, o movimento de transformação no setor segue em direção à modernização. A IDC projeta que investimentos globais em inteligência artificial alcançarão US$ 1,3 trilhão até 2029, impulsionados pela adoção de algoritmos de otimização, análise preditiva e sistemas de apoio à decisão baseados em dados operacionais. Esse avanço reforça a consolidação da tecnologia como parte central das estratégias de competitividade.
Com a evolução dos modelos de análise e simulação e o crescimento contínuo do volume de dados, as operações logísticas ampliam sua capacidade de antecipar cenários e ajustar processos de forma contínua. As decisões passam a incorporar informações atualizadas, reduzindo a dependência exclusiva de dados históricos. Ao mesmo tempo, o planejamento tradicional dá lugar a estruturas capazes de se reorganizar diante das variações diárias, tornando o fluxo operacional mais consistente e adaptável.
O movimento de transformação continuará acelerando nos próximos anos. Com o avanço da inteligência artificial e a ampliação do uso de dados nas decisões operacionais, a logística caminha para um modelo mais conectado, resiliente e preparado para lidar com a complexidade e a dinâmica do mercado atual.
