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Janeiro Branco como marco para uma prática que precisa durar o ano inteiro

Young woman meditating on the floor at home.
Photo by Vitaly Gariev on Unsplash

Campanha nacional articula dados recentes, políticas públicas e reflexão clínica para sustentar o cuidado psíquico além do calendário

A campanha Janeiro Branco volta a ocupar a esfera pública no início do ano ao reunir serviços de saúde, instituições de ensino, empresas e organizações civis em torno da saúde mental, tomando o mês como um ponto de partida para uma conversa que se estende para além de janeiro.

Levantamentos do Ministério da Saúde divulgados em 2024 indicaram aumento nos atendimentos realizados pelos Centros de Atenção Psicossocial, com maior procura relacionada a ansiedade, depressão e sofrimento associado a relações de trabalho, sinalizando pressão contínua sobre a rede pública.

No mesmo período, dados do sistema previdenciário apontaram que afastamentos por transtornos mentais permaneceram entre as principais causas de licenças de longa duração, com impacto direto sobre renda, produtividade e organização social.

Para a psicóloga e neuropsicóloga Maria Klien, a data funciona como um lembrete coletivo. “O Janeiro Branco existe para nos lembrar de uma ação que precisa acontecer o ano inteiro, da mesma forma que o espírito de solidariedade não pertence apenas a uma data do calendário”, apontou.

Estudos publicados em 2024 por instituições acadêmicas brasileiras demonstraram que intervenções psicológicas iniciadas nos primeiros sinais de adoecimento reduzem a progressão de sintomas e a necessidade de afastamentos prolongados, com efeitos mensuráveis sobre custos públicos.

A partir dessas evidências, estados e municípios passaram a integrar triagem em atenção básica, encaminhamento para redes de atenção psicossocial e programas de educação emocional em escolas e ambientes de trabalho, buscando resposta contínua ao sofrimento psíquico.

Maria Klien destacou que a permanência do cuidado depende de cultura e estrutura. “Quando a sociedade entende que saúde mental não se limita a um mês, o acompanhamento deixa de ser episódico e passa a integrar a vida cotidiana”, ressaltou.

Relatórios divulgados pela Organização Mundial da Saúde registraram aumento global de transtornos mentais no período pós pandemia e recomendaram ampliação de serviços comunitários, formação de profissionais e políticas de prevenção sustentadas no tempo.

No Brasil, conselhos profissionais, universidades e entidades da sociedade civil utilizam o Janeiro Branco para difundir sinais de alerta, caminhos de acesso ao tratamento psicológico e psiquiátrico e redes de apoio disponíveis nos territórios.

Ao longo do mês, a campanha segue como um marco simbólico que aponta para um compromisso contínuo, reforçando que o cuidado com a mente não pertence a um período isolado, mas a uma prática que precisa atravessar o ano inteiro como parte da saúde coletiva.

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