A psicóloga Juliana Sato chama a atenção para sinais silenciosos de desequilíbrio emocional e reforça que buscar ajuda não precisa estar ligada a uma crise
Cansaço constante, irritabilidade, alterações no sono e a sensação de estar sempre no limite nem sempre são apenas reflexo da rotina corrida. Muitas vezes, esses sinais indicam que a saúde mental pede atenção. Neste Janeiro Branco – campanha dedicada à conscientização sobre o bem-estar emocional -, o convite é para olhar além do óbvio e reconhecer quando o estresse deixa de ser pontual.
Para a psicóloga Juliana Sato, saúde mental não significa ausência de sofrimento. “Momentos difíceis fazem parte da vida. O equilíbrio está na capacidade de atravessá-los sem se desorganizar por completo, mantendo a rotina, vínculos e capacidade de decisão”, explica. Segundo ela, reconhecer limites e buscar apoio quando os próprios recursos já não são suficientes também é parte do cuidado.
Os sinais de desequilíbrio costumam surgir de forma gradual. Um cansaço que não passa, mesmo após descanso, queda de prazer, dificuldade de concentração e irritabilidade persistente estão entre os alertas mais comuns. “Quando essas sensações se mantêm no tempo ou começam a afetar o corpo, o trabalho e as relações, é um indicativo claro de que algo precisa de cuidado”, afirma.
O corpo, aliás, costuma ser o primeiro a dar sinais. Insônia, dores musculares frequentes, tensão constante e alterações gastrointestinais aparecem com frequência nos consultórios. “Muitas vezes a pessoa acredita que o problema é apenas físico, quando o corpo está expressando algo que não encontrou espaço de elaboração emocional”, explica a psicóloga.
Práticas simples podem ajudar a reduzir a tensão no dia a dia, desde que não se tornem mais uma exigência. Pausas conscientes, meditação, atenção à respiração, redução de estímulos e uma organização mínima da rotina já contribuem para regular o sistema nervoso. “Dedicar de cinco a dez minutos diários, com regularidade, já produzem efeitos. A constância é mais importante do que a duração”, orienta Juliana.
A especialista alerta que meditação não é obrigatória e nem funciona da mesma forma para todos. “Não se trata de parar os pensamentos, mas de criar um espaço de observação. Técnicas simples de respiração, com foco corporal, costumam ser mais acessíveis para quem nunca praticou”.
Juliana lembra que buscar terapia, nesse contexto, não deve ser visto como último recurso. “Quando o sofrimento se repete, quando os sintomas persistem ou quando começam a impactar a vida cotidiana, é hora de procurar ajuda profissional. O ideal é pensar numa terapia preventiva”, reforça.
Para quem sente que algo não vai bem, mas ainda hesita em pedir ajuda, Juliana resume: “Se algo incomoda, isso já merece atenção. Não é preciso esperar piorar”.
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