Janeiro Roxo: Especialista explica como informação e tratamento podem mudar o cenário da hanseníase

Foto: Divulgação
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Especialista destaca que informação e tratamento correto interrompem a transmissão, previnem sequelas e combatem o preconceito sobre a doença

O mês de janeiro é marcado pela campanha Janeiro Roxo, dedicada à conscientização, prevenção e combate à hanseníase, uma doença infecciosa crônica que ainda representa um importante desafio de saúde pública no Brasil. Segundo dados recentes epidemiológicos do Ministério da Saúde, a taxa de prevalência da hanseníase no paísé de cerca de 1,29 casos por 10 000 habitantes, o que, considerando a população brasileira de aproximadamente 203 milhões de habitantes, indica que há cerca de 26 mil pessoas com hanseníase em acompanhamento ou tratamento no país neste momento. Apesar de ter tratamento gratuito e eficaz pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o diagnóstico tardio e o preconceito ainda dificultam o controle da doença.

A hanseníase é causada pela bactéria Mycobacterium leprae e afeta principalmente a pele e os nervos periféricos, podendo comprometer a sensibilidade ao toque, dor e temperatura. Entre os principais sinais de alerta estão manchas claras, avermelhadas ou acastanhadas na pele com perda ou diminuição da sensibilidade, formigamentos, dormência e fraqueza muscular.

Segundo a professora de Dermatologia da Afya Goiânia, Bruna Cunha, a informação é uma das principais ferramentas para quebrar o estigma em torno da doença. “A hanseníase tem cura e o tratamento é oferecido gratuitamente pelo SUS, mas o grande desafio ainda é o diagnóstico tardio, que pode levar a sequelas evitáveis”, explica. De acordo com a especialista, o tratamento é feito com o uso de medicações por um período de seis a 12 meses, a depender de cada caso.

A doença é transmitida principalmente pelo contato próximo e prolongado com pessoas doentes que ainda não iniciaram o tratamento, por meio das vias respiratórias. A dermatologista explica que, após o início da medicação, o risco de contágio diminui de forma rápida e significativa. “Assim que o paciente começa o tratamento, ele deixa de transmitir a doença, o que é fundamental para reduzir o medo e o preconceito”, destaca. Segundo a médica, o maior desafio ainda é o diagnóstico tardio, que pode resultar em sequelas neurológicas e deformidades físicas evitáveis.

O tratamento é feito com poliquimioterapia, uma combinação de antibióticos cujo tempo de uso varia de acordo com a forma clínica da doença. “Quando diagnosticada precocemente e tratada corretamente, a hanseníase não deixa sequelas e o paciente pode levar uma vida absolutamente normal”, afirma a médica da Afya. Ela complementa que, em teoria, após a primeira dose da medicação supervisionada, a possibilidade de transmissão já diminui consideravelmente e, com a evolução do tratamento, tende a zero.

A campanha Janeiro Roxo também chama atenção para a importância da avaliação de contatos próximos, como familiares e pessoas que convivem com o paciente, além do acompanhamento médico regular. A professora alerta que manchas ou áreas na pele com alteração de sensibilidade (tátil, dolorosa ou térmica) são sinais importantes da hanseníase e não devem ser ignorados. “Manchas na pele que não coçam, não doem e apresentam alteração de sensibilidade nunca devem ser ignoradas. Procurar um profissional de saúde ao primeiro sinal faz toda a diferença”, orienta.

Com informação, diagnóstico precoce e tratamento adequado, a hanseníase pode ser controlada e curada. O Janeiro Roxo reforça que combater a doença passa, sobretudo, por educação, acesso à saúde e enfrentamento do preconceito. “Estigma e discriminação ainda são reconhecidos como barreiras relevantes para diagnóstico e procura pelo cuidado. A educação é conhecimento (para população e profissionais) são eixos centrais para enfrentamento do preconceito”, conclui a médica.

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