Juros altos: ainda vale a pena investir em renda variável?

Juros altos: ainda vale a pena investir em renda variável? / Foto: Austin Distel / Unsplash Juros altos: ainda vale a pena investir em renda variável? / Foto: Austin Distel / Unsplash
Foto: Austin Distel / Unsplash

Essa opção de investimento mantém espaço, proporcionando oportunidades de compra a preços atrativos no longo prazo

Em um cenário de juros elevados quando a Taxa Selic está em patamares altos, muitos investidores voltam suas atenções para a renda fixa, por causa da previsibilidade e pelos retornos mais imediatos. Com isso, surge a dúvida: ainda vale a pena investir em renda variável?. A resposta passa por uma análise que vai além do curto prazo e precisa levar em conta os objetivos, o horizonte de investimento e o perfil de risco.

A renda variável são investimentos onde a rentabilidade não é previsível no momento da aplicação, com retornos oscilando para cima ou para baixo conforme o mercado. Envolve maior risco e volatilidade, mas potencial de ganhos superiores à renda fixa, incluindo ações, fundos imobiliários (FIIs), ETFs e câmbio.

No Brasil, devido à Selic elevada e à busca por segurança, o volume aplicado em títulos como CDBs e Tesouro Direto supera R$ 2,8 trilhões, sendo a preferência, enquanto a renda variável, ações e Flls, cresce, mas em um ritmo menor, com cerca de 5,5 milhões de investidores, de acordo com dados da B3. “Juros altos costumam pressionar o mercado acionário, gerando quedas que podem criar boas oportunidades de compra; para investidores de longo prazo, isso permite adquirir ativos de qualidade a preços mais baixos e aumentar o potencial de retorno futuro”, explica Paulo Cunha, CEO da iHUB Investimentos.

Europ Assistance Brasil
Publicidade

Bolsa supera juros Selic e small caps ganham destaque

Nos últimos anos, a Bolsa brasileira rendeu mais do que a taxa de juros, com o Ibovespa e outros ativos superando consistentemente o desempenho das aplicações em renda fixa. Essa valorização costuma começar pelos índices, como ocorreu recentemente. Um exemplo é o ETF BOVA11 (iShares Ibovespa Fundo de Índice), que acompanha o desempenho do principal índice da Bolsa e é bastante utilizado como referência.

Com a expectativa de queda dos juros, as ações de menor capitalização, conhecidas como small caps, podem se beneficiar. Esses papéis subiram nos últimos anos, mas foram impactados recentemente por tensões geopolíticas, como a guerra no Oriente Médio. Por serem mais sensíveis à redução da taxa Selic, tendem a apresentar maior reação positiva a cortes nos juros.

Mesmo com a Selic em 15%, a rentabilidade da Bolsa alcançou 40%, mostrando que o desempenho das ações já se mostra vantajoso frente à renda fixa, como, por exemplo, o Ibovespa, que teve alta superior a 40% em relação ao ano anterior, especialmente considerando máximas históricas alcançadas em fevereiro de 2026.

Mesmo com a Selic elevada tornando a renda fixa mais atrativa no curto prazo, a renda variável continua relevante como estratégia de longo prazo. Juros altos podem pressionar o mercado acionário, gerando ajustes que criam oportunidades de compra a preços mais interessantes. Para investidores com visão de longo prazo, esses momentos permitem adquirir ativos de qualidade com desconto, potencializando ganhos futuros. Além disso, ações e fundos imobiliários oferecem potencial de valorização e proteção contra a inflação, contando com a capacidade de adaptação de empresas sólidas ao longo dos ciclos econômicos.

Por fim, optar entre renda fixa e renda variável não precisa ser uma escolha exclusiva. A diversificação permanece como uma estratégia essencial para equilibrar risco e retorno. “Mesmo em um cenário de juros elevados, a renda variável continua relevante, desde que inserida a um planejamento consistente e com as expectativas alinhadas à realidade e às circunstâncias”, finaliza Paulo Cunha.

Inscreva-se para receber as notícias do mercado!

Ao clicar no botão Assinar, você confirma que leu e concorda com nossa Política de Privacidade e nossos Termos de Uso.
Publicidade