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Mercado de planos de saúde se transforma nas últimas duas décadas e ultrapassa 53 milhões de beneficiários

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Relatório do IESS mostra que medicina de grupo consolida liderança, seguradoras avançam com força e autogestão perde espaço em 25 anos

O mercado de planos de saúde no Brasil passou por uma transformação nos últimos 25 anos. Entre 2000 e 2025, o número de beneficiários de planos médico-hospitalares saltou de 30,9 milhões para 52,6 milhões – crescimento de aproximadamente 70%. Mas mais do que o volume, o que mudou foi a composição desse setor: medicina de grupo, cooperativas médicas e seguradoras registraram crescimento, enquanto a autogestão diminuiu participação de mercado. A constatação está na Análise Especial da Nota de Acompanhamento de Beneficiários (NAB), produzida pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), com dados de janeiro de 2026. Acesse a íntegra do relatório em https://www.iess.org.br/sites/default/files/2026-03/NAB%20115.pdf

O número de beneficiários de planos de saúde médico-hospitalares no Brasil alcançou 53 milhões em janeiro de 2026, crescimento de 2% em relação a janeiro de 2025, o que representa 1 milhão de vínculos adicionais no período de 12 meses.

Na análise de 25 anos do setor, medicina de grupo apresentou a maior expansão, passando de 11,8 milhões de beneficiários em 2000 para 21,1 milhões em 2025, consolidando-se como a principal modalidade do mercado: sua fatia de mercado subiu de 38,1% para 40%.

As cooperativas médicas também registraram crescimento, passando de 7,8 milhões para 18,8 milhões de beneficiários no mesmo intervalo. Já as seguradoras especializadas em saúde ampliaram o número de beneficiários de 4,9 milhões para 7,1 milhões entre 2000 e 2025. Entre 2019 e 2025, esse segmento cresceu 18,3%, alcançando 7,1 milhões de vínculos. Em janeiro de 2026, a variação anual foi de 8,6%, a maior entre todas as modalidades.

Por outro lado, a autogestão reduziu participação no mercado, caindo de 17,2% para 8,6% ao longo das últimas duas décadas. Em janeiro de 2026, a queda anual foi de -1,5%, com diminuição de 69,8 mil beneficiários. A filantropia também perdeu participação relativa, passando de 3,7% para 2,1% do mercado entre 2000 e 2025, embora registrasse leve alta de 0,8% no último ano.

Segundo o superintendente executivo do IESS, Denizar Vianna, as mudanças na composição do mercado refletem transformações institucionais e empresariais ocorridas ao longo do tempo. “O mercado de planos de saúde no Brasil passou por uma evolução gradual em mais de duas décadas. O crescimento do número de beneficiários foi acompanhado por mudanças na participação das diferentes modalidades de operadoras, refletindo transformações na organização e na dinâmica do setor”, afirma.

A análise da estrutura das operadoras confirma essa transformação de mercado. De um lado, as cooperativas médicas (261 operadoras) e a medicina de grupo (227 operadoras) operam de forma pulverizada, com médias de 71,9 mil e 94,2 mil beneficiários por empresa, respectivamente. As seguradoras especializadas, um grupo de sete empresas no mercado, concentram porte médio muito superior: média de 1,05 milhão de beneficiários por operadora. A autogestão conta com 141 operadoras (média de 32 mil beneficiários cada) e a filantropia, com 33 operadoras (33,1 mil em média). No total, o setor reunia 669 operadoras médico-hospitalares com beneficiários ativos ao encerramento de 2025.

Em janeiro de 2026, além dos 53 milhões de beneficiários dos planos médico-hospitalares, com taxa de cobertura nacional de 24,7% da população, o segmento de planos exclusivamente odontológicos também apresentou crescimento. O total de beneficiários chegou a 35,5 milhões, alta de 3,3% em 12 meses (1,13 milhão de vínculos a mais), com uma taxa de cobertura nacional de 16,6%.

A expansão da saúde suplementar continua associada ao mercado de trabalho formal. Em janeiro de 2026, 73% dos beneficiários de planos médico-hospitalares estavam vinculados a planos coletivos empresariais, modalidade que tradicionalmente acompanha a evolução do emprego formal no País.

Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, o estoque de empregos formais no Brasil passou de 47,3 milhões para 48,6 milhões, crescimento de 1,2 milhão de vínculos (alta de 2,6%). No mesmo período, o número de beneficiários vinculados a planos coletivos empresariais médico-hospitalares subiu de 37,4 milhões para 38,7 milhões, alta de 3,3%.

Para Denizar Vianna, a relação entre mercado de trabalho e saúde suplementar continua sendo um dos fatores estruturais mais importantes para compreender a evolução do setor.

“O crescimento dos planos coletivos empresariais acompanha de perto a evolução do emprego formal no Brasil. Isso mostra como a saúde suplementar está integrada à dinâmica do mercado de trabalho e ao papel dos benefícios corporativos”, afirma.

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