Em entrevista ao Podcast Universo do Seguro, Michel Bezerra (Diretor de Riscos da PX) detalha o ecossistema que une qualificação, tecnologia e gestão de risco, com resultados que já mudam a lógica do transporte rodoviário
O Brasil é um país rodoviário e sofre com a escassez de motoristas, um problema que, segundo Michel Bezerra, já é “uma dor mundial”. No novo episódio do Podcast Universo do Seguro, o executivo explica como a PX estruturou o conceito de “motorista digital” e um ecossistema que integra formação contínua (Academia PX), gestão de risco em tempo real (Radar PX) e suporte operacional, entregando segurança às seguradoras e transportadoras e qualidade de vida a quem dirige. “O Brasil é rodoviário. Tudo se movimenta pelo transporte rodoviário. E a escassez de motoristas é uma dor generalizada; aos poucos, a profissão vai sumindo”, destaca o diretor de riscos da PX, Michel Bezerra.
“Motorista digital”: o enquadramento que faltava
No desenho da PX, o caminhão é do contratante; a mão de obra qualificada é do motorista ou ajudante, que opera como pessoa jurídica. Para refletir esse arranjo, a empresa estruturou o “motorista digital”, um quarto enquadramento (para além de CLT, agregado e autônomo) que vem sendo reconhecido pelas seguradoras. “Praticamente todo o mercado já nos entende como categoria própria; em muitas operações, a revalidação passou de seis para doze meses e há casos de isenção de pesquisa quando o motorista é PX”, afirma.
Formação sob medida, no tempo da estrada
A Academia PX tornou-se o braço de educação do ecossistema, com cursos modulares, curtos e mobile-first (de direção defensiva a integração de operações) pensados para caber na rotina das paradas. Segundo Bezerra, mais de 100 mil certificações já foram emitidas e qualquer transportadora pode contratar os cursos, mesmo sem usar o agenciamento. “O motorista quer se qualificar. Ter a formação na palma da mão aumenta o engajamento e diferencia o profissional”.
Risco em tempo real, gestão de crise e gamificação
Do outro lado, a Radar PX integra antifraude, regulação de sinistros e multas, scoring e perfis comportamentais. O desempenho vira gamificação (bronze, prata, ouro, diamante) e orienta a seleção para cada contrato. Quando algo foge do plano, entra a gestão de crise: preservação de vida, carga e veículo, apoio ao motorista e continuidade da operação. “Damos a segurança de que ele não está sozinho na estrada. E a transportadora sabe que o veículo volta a rodar”.
Qualidade de vida como variável de risco
O que poderia soar como benefício “intangível” aparece como variável concreta na gestão. Ao permitir escolha de contratos, descanso entre jornadas e rotas curtas para dormir em casa, a plataforma reduz fadiga e melhora indicadores. “Poder de escolha muda tudo: tem motorista dizendo ‘passei o aniversário com a minha filha, com a PX eu consegui’; ‘minha mãe nunca passava o Natal com a gente, depois da PX, passou’”. Para Bezerra, pequenos gestos no dia a dia têm “peso gigantesco” para o profissional e sua família e isso repercute na segurança.
Números que sustentam a tese
Na entrevista, o executivo apresenta resultados atribuídos ao modelo PX: 0,0004% de eventos de roubo (dias agenciados vs. eventos), 0,03% somando roubo, furto e extravio, 22 meses sem apropriação indébita e sinistralidade de acidentes abaixo de 35%. Em escala, são 1.500+ transportadoras cadastradas, mais de 105 mil contratos emitidos, cerca de 305 mil motoristas na fila de espera, mais de 15 mil aptos e 11 mil validados pela Radar PX em menos de três meses. “Com caminhão você compra; formar um profissional é o mais delicado. Nosso modelo encurta esse caminho, sem abrir mão da segurança”, resume.
Seguro e logística de mãos dadas
Ao transitar entre o universo segurador e o logístico, a PX prega visão 360º: casco, RCF, ambiental, vida e transporte coexistem em uma mesma operação e pedem respostas integradas. “Não é desconstruir o que existe; é reconstruir onde a realidade mudou, escolhendo parceiros e soluções que dão velocidade, margem e menos risco”. Na prática, a leitura em tempo real e a formação contínua encurtam integrações, reduzem custos de GR e aceleram alocações, sem perder a régua técnica que o seguro exige.
O próximo quilômetro
Para frente, a agenda passa por novas certificações na Academia PX e pelo aprofundamento dos algoritmos de comportamento, sempre com um objetivo demonstrado por Bezerra ao longo do episódio: “Fazer a profissão voltar a brilhar os olhos”.
Assista ao episódio completo no Canal do Universo do Seguro (YouTube) e acompanhe, neste super fim de semana com episódio triplo, as entrevistas que mostram para onde vai a interseção entre tecnologia, risco e gente nas estradas do país.
