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O impacto do caso da Americanas no mercado financeiro

O impacto do caso da Americanas no mercado financeiro / Foto: MayoFi / Pexels
Foto: MayoFi / Pexels

Sendo uma das maiores e mais antigas varejistas do país, a recuperação judicial da Americanas tem causado instabilidade no mercado financeiro, principalmente pelo impacto que ela gera na cadeia de empregos no Brasil (em torno de 100 mil posições, entre diretos e indiretos), e no pagamento de tributos, que chega a aproximadamente R$ 2 bilhões todos os anos ao erário.

Segundo o especialista em investimentos internacionais Luciano Bravo, CEO da Inteligência Comercial e Country Manager da Savel Capital Partners, quando um fundo internacional, que replica os índices da Ibovespa, tem a saída de um papel (termo utilizado para se referir a uma ação da empresa) como o da Americanas, a pressão é para que esse papel seja vendido, fazendo com que, por consequência, esse papel seja desvalorizado e ‘caia’.

Além do impacto direto nos índices da bolsa brasileira, Bravo aponta ainda os prejuízos diretos que essa movimentação negativa, numa empresa desse porte, pode causar.

“Existem dezenas de milhares de fornecedores que podem ficar sem receber, funcionários que podem ser demitidos, investidores que podem ter prejuízos… O mercado financeiro é extremamente especulativo, e todo esse movimento negativo faz com que a volatilidade da bolsa seja mais evidente, de modo que conseguimos sentir esses impactos”, pontua Luciano Bravo.

Assim como Bravo, outros especialistas também compartilham o mesmo receio do reflexo em outras empresas. Se considerarmos que a Americanas é uma das principais varejistas do país, essa crise pode se arrastar para outras empresas fornecedoras, podendo impactar no varejo brasileiro como um todo.

Em sua análise, Bravo vai um pouco além e aponta que, em decorrência desta grave crise na varejista, a tendência é que a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) ‘feche o cerco’ na questão das auditorias contábeis, o que pode gerar, por parte do mercado, ainda mais pressão, dificultando ainda mais o acesso de pequenas e médias empresas, conhecidas como “small caps”, ao mercado de crédito.

Como é sabido, o Tribunal de Contas da União (TCU), por meio do subprocurador-geral do Ministério Público junto ao TCU (MPTCU), Lucas Rocha Furtado, pediu para que o órgão abrisse uma investigação para apurar eventual responsabilidade da CVM, na omissão de fiscalização das contas da varejista.

“Além do impacto no mercado como um todo, essa investigação pedida pelo MPTCU pode pressionar a CVM sobre uma eventual responsabilidade, e a tendência é que o órgão ‘aperte o cinto’ em todos os aspectos, o que poderá dificultar ainda mais o acesso dessas pequenas e médias empresas ao mercado de crédito, já tão difícil no Brasil”, enfatiza Luciano Bravo.

O especialista chama a atenção para uma possível saída das empresas diante deste cenário, que é a captação de recursos financeiros vindos de investidores internacionais. Esse procedimento é conhecido como Aporte de Capital Internacional (ACI), e já vem se apresentando como uma das melhores opções de captação de crédito entre os empresários brasileiros, embora ainda seja muito pouco conhecido.

“O crédito no Brasil já é extremamente difícil, por conta de todas as exigências feitas pelos bancos brasileiros aos empresários, que ficam reféns das instituições por não conhecerem outra alternativa. Agora, com este cerco do TCU sobre a CVM que, consequentemente, refletirá sobre os bancos, além de um possível aumento na dificuldade de se conseguir acesso a crédito, os que conseguirem serão reféns de juros altíssimos, por conta dessas incertezas e o medo dos bancos brasileiros de levarem o famoso calote”, destaca o especialista.

Embora difícil, o consenso entre especialistas é de que a recuperação da Americanas é possível, mas custará caro a toda a cadeia varejista brasileira, que precisará recorrer a outros recursos, como o aporte de crédito internacional, para viabilizar a continuidade saudável de suas operações.

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