O novo papel do CFO: de gestor de finanças a agente de transformação

Gustavo Moussalli, vice-presidente sênior de Oracle NetSuite para América Latina / Foto: Divulgação
Gustavo Moussalli, vice-presidente sênior de Oracle NetSuite para América Latina / Foto: Divulgação

Confira artigo de Gustavo Moussalli, vice-presidente sênior de Oracle NetSuite para América Latina

À medida que os líderes financeiros estruturam seus planos para 2026, o contexto econômico segue complexo e exige decisões cada vez mais precisas. A inflação ainda pressiona determinadas categorias de custos, mesmo diante de sinais de maior estabilidade nas taxas de juros, enquanto a volatilidade da cadeia de suprimentos continua afetando margens e fluxo de caixa. Ao mesmo tempo, os conselhos de administração ampliam suas expectativas sobre o papel do CFO, cobrando apoio à inovação sem abrir mão da disciplina financeira, da resiliência operacional e da retenção de talentos. Mais do que optar entre estabilidade ou transformação, o desafio agora é sustentar ambas de forma equilibrada.

Mais atentos ao que vem adiante do que ao que ficou para trás

As estruturas organizacionais refletem essa mudança. A elaboração de relatórios históricos segue sendo um requisito básico, mas agora a análise preditiva, a modelagem de cenários e a projeção estratégica passam a ancorar o papel da liderança financeira. Muitos executivos financeiros hoje supervisionam funções de TI, RH, operações ou cadeia de suprimentos, e algumas organizações formalizaram essa tendência ao combinar as responsabilidades de CFO e COO.

Nesse novo contexto, o CFO é o parceiro estratégico mais próximo do CEO, atuando junto aos conselhos não apenas no desempenho financeiro, mas também em risco, crescimento, alocação de capital e resiliência.

Ainda assim, nada disso diminui a responsabilidade central da função financeira. Fluxo de caixa, controles, conformidade, confiança dos investidores e integridade financeira continuam sendo inegociáveis. A diferença é que essas responsabilidades precisam ser cumpridas enquanto a função financeira é pressionada a se tornar mais rápida, analítica e habilitada tecnologicamente.

A IA passa de experimento a expectativa

As equipes financeiras estão adotando a IA em um ritmo sem precedentes, usando-a para automatizar tarefas rotineiras de contabilidade, melhorar a precisão das projeções e fortalecer os controles internos. No entanto, muitas implementações ainda são fragmentadas ou permanecem em fase piloto. A adoção de IA generativa e de agentes nos processos financeiros centrais tornou-se um desafio-chave, com muitos CFOs agora priorizando capacidades nativas integradas às aplicações, em vez de pilotos isolados.

Além da tecnologia, os CFOs precisam gerenciar a confiança. Conselhos de administração, auditores e reguladores exigem transparência e explicabilidade nas decisões impulsionadas por IA. Os CFOs bem-sucedidos serão aqueles que equilibram inovação e governança, escalando a IA aonde ela gera valor mensurável e mantendo supervisão humana para decisões relevantes.

Risco, regulação e resiliência

O uso de planejamento de cenários, projeções contínuas e painéis em tempo real permite que os CFOs antecipem diferentes possibilidades e respondam com agilidade a mudanças no ambiente de negócios. Essa capacidade torna-se ainda mais importante diante do cenário regulatório cada vez mais complexo, que inclui desde a evolução dos padrões contábeis até avanços em reformas fiscais globais e novas exigências de relatórios ESG.

A gestão de riscos na cadeia de suprimentos tornou-se uma responsabilidade cada vez mais relevante para os profissionais. Questões como abastecimento, níveis de estoque e concentração de fornecedores passaram a ser consideradas decisões estratégicas de finanças, com impacto direto no capital de giro, nas margens e no risco do negócio.

O CFO como integrador

O que, em última instância, define o novo papel do CFO é a capacidade de integrar estratégia com execução, inovação com controle, e dados financeiros com uma visão operacional ampla. O executivo deixa de ser apenas o responsável pelos números para assumir um papel fundamental na transformação da complexidade em clareza.

O sucesso não virá apenas do domínio de um desafio específico, mas sim da habilidade de coordenar múltiplas demandas simultaneamente. CFOs que conseguirem formar equipes fortes, delegar responsabilidades de maneira eficaz e utilizar plataformas tecnológicas integradas estarão mais preparados para conduzir a empresa em cenários de incerteza, impulsionando o crescimento de forma consistente.

 

Total
0
Shares
Anterior
Carnaval com atenção ao sorriso: alinhadores permitem manter tratamento ortodôntico com mais conforto, segurança e tranquilidade durante a folia
Foto por: Ozkan Guner/ Unsplash Images

Carnaval com atenção ao sorriso: alinhadores permitem manter tratamento ortodôntico com mais conforto, segurança e tranquilidade durante a folia

Removíveis e discretos, os alinhadores transparentes facilitam a higiene bucal

Próximo
Como uma solução criada dentro de uma empresa de engenharia virou referência em combate à dengue no Brasil
Como uma solução criada dentro de uma empresa de engenharia virou referência em combate à dengue no Brasil / Foto: Divulgação

Como uma solução criada dentro de uma empresa de engenharia virou referência em combate à dengue no Brasil

Exemplo de inovação nacional aplicada ao setor público impacta diretamente na

Veja também