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O que explica o avanço do consórcio em um cenário de juros altos

Foto por: Kanchanara/ Unsplash Images
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Por Renan Torres, diretor de Operações e Tecnologia da CAIXA Consórcio

O Brasil inicia 2026 em um ambiente econômico que exige decisões financeiras conscientes. Após um período de relativa estabilidade, a taxa Selic voltou a subir ao longo de 2024, pressionada pela inflação e pelo câmbio, e encerrou 2025 em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas. Na prática, isso se traduz em crédito mais caro, parcelas mais elevadas e menos espaço para decisões impulsivas, tanto para famílias quanto para empresas.

Indicadores recentes mostram que a economia segue em movimento, mas isso não significa alívio imediato no custo do dinheiro. A alta de 0,7% no Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), acima do esperado em novembro, em comparação com o mês anterior, reforça a leitura de que a atividade ainda demanda prudência na condução da política monetária. Para o consumidor, o impacto é direto: financiamentos e empréstimos continuam pesando no orçamento, ampliando a busca por alternativas que ofereçam previsibilidade e maior controle financeiro.

Mesmo com a expectativa de que 2026 marque o início de um ciclo gradual de queda dos juros, as projeções indicam que a Selic deve permanecer acima de 12% ao longo do ano. Ou seja, ainda que o alívio venha, ele tende a ser lento e insuficiente para mudar, no curto prazo, a lógica do crédito tradicional. É nesse intervalo entre a necessidade de realizar planos e o risco do endividamento excessivo que o consórcio ganha espaço como uma solução baseada em planejamento, e não em pressa.

Nos últimos anos, o brasileiro precisou se adaptar a um cenário de constantes mudanças nos juros. Após as fortes altas entre 2021 e 2023 e um breve período de cortes em 2024, 2025 consolidou um ambiente de juros elevados ao longo de todo o ano. Esse contexto acelerou uma mudança de comportamento: mais do que buscar crédito imediato, cresce a valorização de modelos que permitem organizar o orçamento, diluir decisões no tempo e construir patrimônio sem juros, características centrais do sistema de consórcios.

Do crédito imediato ao planejamento de longo prazo

Os dados do setor confirmam essa transformação. Segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), em 2025, foram vendidas 5,16 milhões de cotas, volume 15,0% superior às 4,49 milhões comercializadas em 2024, estabelecendo novo recorde histórico da modalidade. Esse desempenho sustenta uma perspectiva positiva para 2026. Projeções da assessoria econômica da ABAC indicam expansão do setor na ordem de 11%, impulsionado principalmente pelo segmento de imóveis (25%), além de serviços (8,5%), eletrônicos (20%) e motocicletas (7%). Para veículos leves, a expectativa é de estabilidade em torno de 6%, enquanto o segmento de veículos pesados tende a se manter estável após um ano de ajuste. Em conjunto, esses indicadores reforçam a leitura de um setor diversificado, resiliente e sustentado por uma demanda consistente, mesmo em um ambiente econômico mais desafiador.

Esse cenário macroeconômico e setorial cria um ambiente especialmente favorável para administradoras que combinam escala, capilaridade e eficiência operacional. É nesse contexto que os resultados da CAIXA Consórcio ganham ainda mais relevância, ao traduzirem a tendência do mercado em crescimento sustentável e ampliação do acesso ao planejamento financeiro.

No terceiro trimestre de 2025 (3T25), o volume de cartas de crédito comercializadas atingiu R$ 6,3 bilhões, crescimento de 28,8% em relação ao 3T24. No acumulado de nove meses, o montante chegou a R$ 17,1 bilhões, avanço de 35,4% na comparação anual. O estoque de cartas alcançou R$ 44,0 bilhões, alta de 56,5% em relação ao 3T24

Mais do que reagir ao ciclo de juros, o avanço do consórcio revela uma mudança estrutural na forma como o brasileiro se relaciona com o dinheiro. Em um país historicamente marcado pela pressa e pela dependência do crédito, cresce o valor de escolhas financeiras baseadas em tempo, disciplina e propósito. A expectativa de queda da Selic não altera essa lógica. Ao contrário, evidencia que o desafio não está apenas no nível dos juros, mas na qualidade das decisões financeiras. O consórcio prospera porque responde a essa transformação silenciosa. Não promete atalhos, mas oferece método. Em um ambiente econômico cada vez mais volátil, essa talvez seja a vantagem mais duradoura de todas.

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